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Campus Party 2010

Quarta-feira, Fevereiro 3rd, 2010

Para não dizer que não falei das flores, vou registrar aqui que semana passada estive na CampusParty 2010.

Em parte pelo Overmundo e em parte pela boo-box. Sigam os links para os diferentes pontos de vista desta humilde personalidade múltipla.

Rafaella Hayashi

Confira também o CampusBabes, projeto do qual participei por lá. E veja minhas fotos no Flickr.


a internet é o diabo até você fazer um pacto

Segunda-feira, Junho 22nd, 2009

ou Petrobrás patrocina show do Metallica em Teerã

As notícias da crise dos jornais nos EUA e no Reino Unido continuam saindo. Não passa uma semana sem que um jornal esteja a beira da falência, até o New York Times está com problemas. Com jornais parando as máquinas indefinidamente, um culpado logicamente é preciso ser encontrado.

E como todo mal dos anos 2000, o culpado é a internet. Serviços como Google e Huffington Post recebem acusações de terem seu dedo fundo na ferida dos jornais e estarem contribuindo ativamente com suas mortes; por estarem apenas repassando conteúdo de propriedade dos jornais. Blogueiros, twitteiros e outros “eiros” da web também recebem parte da culpa.

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Para as redes sociais e outros tipos de geração de conteúdo colaborativo a acusação é mais grave: Não estão apenas roubando a atenção dos meios tradicionais (não só jornais mas também rádio e TV), como estão fazendo isso com um conteúdo de “qualidade não comprovada”.

São duas acusações básicas espalhadas a esmo:

  • Copiar seu conteúdo e passar pra frente
  • Produzir conteúdo porcaria, porque você não tem diploma é profissional e não tem uma instituição de renome por trás

E então veio a crise no Irã. E o fim da obrigatoriedade do diploma. E aconteceu isso aqui com a imprensa e os jornalistas:

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De repente, jornalistas não podem mais fazer seu trabalho e são impedidos de reportarem, com ameaças às suas vidas. Aparentemente segundo o governo do Irã, jornalistas não produzem conteúdo de “qualidade comprovada”. E quem ajuda? Exatamente, as mídias sociais. Aquelas mesma que estavam roubando a atenção dos jornais com conteúdo porcaria. Agora estão ajudando a alimentá-los. De repente o Twitter é o herói. Com seu novo canal, CitizenTube, o YouTube é praticamente vanguardista. Sem essas ferramentas, inúmeros protestos não seriam organizados e nós jamais saberíamos o que está acontecendo, apenas boatos.

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Notícia de qualidade comprovada segundo o governo Iraniano

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o pau comendo

Para o break, vamos ao mundo da música, lá em 2000:

Lembram disso? Eu lembro, com um gosto bem amargo na boca. Agora o Metallica disponibiliza shows em um site dedicado a isso, que requer um arcaico cadastro para download ao invés de fazer um streaming com opção de download. E ainda por cima, Lars Ulrich, a estrela do vídeo acima tenta sair por cima da carne seca como visionário do conteúdo gerado por usuário:


“This is the next logical step in a process that began back in 1991 when we first implemented the ‘Taper Section’ at our shows, where the fans were encouraged to bring in their own gear to record the show, and then take home their very own ‘bootleg’ of the concert they had just seen.

Infelizmente a idéia dele não é criar uma comunidade onde fãs possam trocar vídeos e áudio dos shows a vontade em adição ao conteúdo oficial. E sim fazer com que os fãs parem de gravar e vão ao site comprar o material oficial (a partir de US$9.95, pelo MP3).

“This technology will enable our fans to get the best possible recording of the show, without having to hold a microphone in the air for the entire night!”

Revolucionário, não? Também, o que esperar de uma banda que tem um site pior que uma página de MySpace e com gifs animados?

No universo musical há bandas muito mais espertas que isso que conseguem usar bem a internet a seu favor e a favor dos fãs. De cabeça vêm Radiohead e Nine Inch Nails. E eles são tão bons que nem vou postar links, gente foda não precisa de link, é só googlar.

Apagando incêndio com petróleo

Ao divulgar na íntegra perguntas e respostas de entrevistas feitas a ela, a Petrobrás bem que tentou usar a internet a seu favor de uma maneira simples e ao mesmo tempo inovadora. Ao menos para os padrões da imprensa brasileira. Longe de mim defender corporações, elas têm defesa o suficiente. Mas, acuada, acreditando que o “furo” ainda é seu maior trunfo, a imprensa esperneou tanto que a petrolífera acabou cedendo parcialmente e só irá publicar a informação depois da publicação no respectivo veículo. Numa época em que um celular é ferramenta de notícias, acreditar que furo é um trunfo é dar tiro no pé.

remember the hudson

remember the hudson

Uma entrevista é um acordo. O entrevistado tem tanto direito a divulgar as perguntas e respostas quanto o entrevistador. Nas poucas entrevistas que dei, fiz questão de gravar por completo, para no caso de me sentir prejudicado, ter os meios de me defender. Claro que minha imagem já não é lá essas coisas, então não senti a necessidade de colocar a tática em prática.

O que importa é o papel

Enquanto os veículos em si vêem sua hegemonia ameaçada; jornalistas crêem que estarão no olho da rua até o fim da semana -- em especial agora que no Brasil não é preciso diploma para exercer a profissão de jornalismo. O Estadão começou uma nova campanha, que apesar de ter um principio interessante e positivo, cai na mesmice ao fazer jogos semânticos dizendo separando informação de conhecimento:

Curioso ver o contraponto entre o sujeito usando a internet para adquirir “informação” e o outro pegando um diploma para adquirir “conhecimento”. Isso cai como uma luva para os jornalistas e estudantes de jornalismo que ainda dizem que o valor está no papel que eles receberam, não o que eles produzem. Se conhecimento fica, vale lembrar outra campanha do Estadão, essa, bem menos positiva:

Eu não tenho nada contra jornalistas ou seus diplomas. Gostaria inclusive de dar-lhes as boas-vindas, agora que se juntaram a mim em uma das inúmeras classes onde diploma universitário não é exigido. Eu sou a favor é de trabalho bem-feito. Vou dar uma dica: É assim que vencemos os não-diplomados que só fazem porcaria. Os não-diplomados que fazem um bom trabalho merecem um grande parabéns. E os diplomados que fazem porcaria que por favor se retirem.

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Prelo digital

A transição de um negócio “tradicional” para um modelo que comporte a internet me parece ser composta dos seguintes passos:

  1. A internet está acabando com meu negócio/emprego
  2. Vou processar/protestar contra a internet
  3. Não adianta, são muitas pessoas/entidades
  4. Essa internet não vai embora mesmo, né?
  5. Ok, vou fazer negócio com essa tal de internet

Inúmeros negócios de comunicação, cultura, informação e produção estão lutando com essa adaptação. Em diferentes estágios. E sempre o que causa mais barulho é o segundo, mas o que dá menos retorno. De maneira nenhuma é uma transição fácil, se fosse, todos viveríamos na Alegrolândia digital. Embora muitos estejam, não é trabalho do usuário ou do consumidor descobrir o caminho. É sim do produtor, de acordo com a demanda do usuário.

O caso do Irã é curioso pois o fornecedor se tornou o consumidor e repassador. Segundo os defensores do diploma, absolutamente nada que eles dizem ou gravam tem valor como conhecimento. E pela lógica de Ulrich, eles estão roubando o que é dos twitteiros por direito, um abuso.

Tentei encontrar o texto em que Arianna Huffington diz que o que importa não é salvar jornais, mas sim jornalismo. Vocês terão que confiar em mim. E não poderia concordar mais. Não importa o meio ou formato que a informação toma, desde que seja passada adiante.

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Parto então com uma citação de Huffington no Weeby Awards:

“i didn’t kill newspapers, ok?”

o meme da da inclusão digital do meme

Terça-feira, Maio 26th, 2009

Este é meu post que irá acabar com a internet para sempre. Ele é pesadinho, tem muitos temas polêmicos, imagens bombásticas e vídeos reveladores. Sei que meus leitores são compostos pela nata da web, por isso não tenho dúvidas que irão entender o sarcasmo da primeira parte. Isso de lado, o post é bem sério, portanto preparem-se para:

explodinghead

A Inclusão Digital

A idéia de que a Inclusão Digital é uma praga que deve ser combatida está mais que presente. Ela é feia, mal feita e inconveniente. Afinal dá super-poderes aos pobres, basicamente. Gente que nem tem dinheiro pra comprar algo melhor que um Monza 85 pode comprar um computador, e um computador é muito mais perigoso que um monza 87. Todos sabemos que pobres não merecem super-poderes. Não é mesmo? Não fosse pela Inclusão, não estaríamos sujeitos a tais atrocidades:

sabia que guardar essa foto teria uma utilidade futura

sabia que guardar essa foto teria uma utilidade futura

drogasaude

lolcats motivacionais

Ah, me desculpem! LOLcats e pôsteres (des)motivacionais são geniais! São inteligeníssimos! Engraçadíssimos! E o sujeito que conseguiu juntar esses dois fênomenos eruditos da nossa era merece o Nobel da Internet.

Deixando os gringos geniais de lado e voltando aos pobres ignorantes. Além dos exemplos acima, somos obrigados a aturar interferências inomináveis em nosso dia-a-dia de alto invel intelectual, tais como:

  • Comentários ingnorantes em nossos blogs
  • E-mails de contato sem o menor sentido
  • Powerpoints com imagens cretinas
  • Vídeos enviados por email
  • Fotologs
  • Emos Chilenos
  • Pedidos de suporte técnico pelo MSN

E o pior de todos de longe: A Orkutização do Twitter, também conhecida como o “Apocalipse da Era Pós-Moderna”.

arrrrgh

Afinal, o Twitter é o ápice comunicativo do homo sapiens. Manipular essa fenomenal ferramenta não é para qualquer um. A carga intelectual contida em 140 caracteres é profunda demais para o proletariado. Eles vão estragar nossa amada ferramenta. Como habitantes de favelas irão compreender a profundidade de conceitos complexos como hashtags e memes? Jamais poderiam colaborar beneficamente para o twitter, é necessário nivel universitário para bolar algo genial assim:

lindo, não?

lindo, não?

O meme

Já cansei de ver em twitters, blogs e em conversas ao vivo declarações como: “estou lançando um novo meme” ou, “me mandaram este meme” e coisas do tipo. Obviamente quem fala esse tipo de baboseira não tem a menor idéia do que significa meme.

Um meme, termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller O Gene Egoísta[bb], é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.

Roubado da Wikipedia -- mas a versão em inglês é melhor.

Como vejo sendo usado por ai o termo significa basicamente “corrente”. Acha que estou inventando? Veja este post da Elisa Mafra (tá, mencionei um nome, mas está tudo em família). Qual a diferença entre ele e aqueles longos e-mails questionários que corriam em listas de discussão há 8 anos? Ou os jogos cretinos de comunidades do Orkut e comentários do Youtube?

Memes não são joguinhos, correntes ou personagens, por mais divertidos que sejam. São conceitos, idéias, frases, melodias. Não são fenômenos exclusivos da internet ou de qualquer meio. Posso estar enganado, mas até o bom e velho “leite com manga faz mal” poderia ser considerado um meme. Não há como forçar um, ou dizer “estou te passando este meme”.

Claro que a internet facilita muito a disseminação de memes, um dos maiores exemplos confirmados está neste link. E um dos meus favoritos pessoais é All Your Base Are Belong to Us:

Os dias que não acabam

Ontem, que foi o Dia da Toalha, travei o seguinte e breve diálogo no MSN:

(amiga anonima)
parabéns pelo seu dia
Fernando Mafra
eu não sou toalha

Fiquei sabendo que era o tal do Geek Pride Day só ontem. Desde que me entendo por nerd, hoje é Dia da Toalha. E ainda emendei:

quem é nerd mesmo celebra o dia da toalha
nerd não se celebra, é humilde

Ou como @rafaelxy resumiu melhor em menos de brilhantíssimos 140 caracteres:

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E já que é pra aloprar, ontem também foi Star Wars day. E deve ter sido inúmeros outros days. Toda semana tem um day novo na web.

De volta ao meme

E aí está a questão. Todos querem bolar um dia novo. Talk Like a Pirate Day, #cartoonday, #fakeday e sabe-se lá mais quantos. Todo mundo gritando e criando barulho tentando inventar um novo meme, pelo menos segundo sua definição própria de meme -- mesmo que não saiba disso.

O conceito de meme é um ótimo exemplo para derrubar essa noção de que a Inclusão Digital é algo ruim. Claro que muitos, como eu fiz acima, estão tirando um sarro quando esculacham a Inclusão -- sinceramente não creio que ninguém que eu conheça sinceramente sinta que a Inclusão Digital é de fato algo ruim. Mas as piadinhas cansam, e como no caso do racismo e da homofobia creio que para outros tantos a piada tem uma pitada de verdade.

Não que eu seja contra as piadas, pseudo-memes eventos ou jogos internéticos. Alguns são de fato divertidos, e participo. Outros nem tanto. E alguns são simplesmente imbecis e com um alto potencial de dar merda. O que me incomoda é o auto-posicionamento como “elite” em detrimento dos “pobres ignorantes” que habitam o Orkut. Como disse bem @marcogomes:

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Lembro-me de uma conversa com uma professora do Ensino Fundamental. Ela lecionava em uma escola pública da periferia e uma privada de alto-padrão, daquelas que a Veja São Paulo gosta de mostrar na capa. Um dia, curiosos, os alunos particulares lhe perguntaram o que seus equivalentes da periferia faziam em seu dia-a-dia. Algo nobre, não fosse o tom de deboche embutido na pergunta -- como quando você pergunta para um fã de Naruto porque ele tem aquela faixa cretina na testa. A resposta da professora foi simples: “O mesmo que vocês. Assistem novela, faustão, vão a festinhas e ouvem pagode.”

Antes de nos colocarmos por cima da carne seca, melhor pensar um pouco, não? Afinal, podemos estar por cima da merda, isso sim:

O problema na Inclusão digital não está na parte inclusiva, e sim na parte excludente. Pessoas que desmerecem ou excluem algo simplesmente por ser fruto daquilo que elas consideram ser a tal inclusão. A falta de educação apropriada, nas duas pontas do espectro.

Problemas “da internet” geralmente são problemas pré-existentes. Mas como todo tipo de informação eles apenas são mais visíveias agora. E confrontada com eles, a elite pseudo-intelectual fica enojada ao invés de tomar qualquer atitude para reverter. E nisso incluo todos os fenômenos colaborativos/sociais dos quais ouço reclamações mesquinhas: Wikipedia, Twitter, Orkut, Youtube, Blogs, etc e tal.

Twitteiros elitistas torcem o nariz para usuários de Orkut enquanto se esbaldam na Wikipedia. Mas se esquecem que acadêmicos torcem o nariz e muito mais para eles. Não que os acadêmicos estejam certos, muito pelo contrário.

Mas os web-elitistas se comportam de maneira cretina e inconsistente, enfraquecendo o poder das ferramentas, desmerecendo o comportamento de uns enquanto consideram o seu indispensável -- na mesma linha da classe média paulistana: Para o web-elitista, o Orkut é como um ônibus e o Twitter como um carro. O ônibus é algo feio, pesado e nojento que pode até ser útil para muita gente, mas como não é útil para ele só está atrapalhando sua experiência na web. E ai de seus usuários se resolverem comprar um carrinho ou uma moto, quanto mais criar uma conta no Twitter!

A desculpa é que os web-elitistas “sabem” como usar a ferramenta propriamente. E quem disse que a escurraçada @vinhaa não sabe usar o Twitter? Ela não pode aprender? Ninguém pode mostrar? Imaginem se ao cometer um erro em uma prova o aluno ouvisse de seu professor: “Você não sabe porra nenhuma. Fora da minha sala” -- grande progresso para todos, não é mesmo?

Mas nem tudo é má notícia. Afinal, todos os que odeiam Orkut mas adoram #days podem celebrar pois de fato estão exercitando e alimentando um meme: O de que a Inclusão Digital é uma merda. Parabéns, vocês não ensinaram nada para a @vinhaa mas estou aqui demonstranto pra vocês como contribuiram para um meme.

Claro que posso estar completamente errado em minhas críticas. Por isso vou me proteger com um vídeo de Richard Dawkings, totalmente fora de contexto:

star trek – novo em folha

Quarta-feira, Abril 29th, 2009

Entre adaptações de seriados defuntos, continuações tardias, remakes e todas as outras revitalizações de cultura popular que temos visto, um grande nome ficou de fora: Star Trek. Existe uma razão importante para isso: desde o final dos anos 70 Star Trek na verdade nunca parou. Mas agora, depois de 7 anos silenciosa nos cinemas (e 4 anos desde a última encarnação televisiva) a série volta com mais barulho do que nunca.

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Entre os fãs existe uma famosa maldição dos filmes ímpares. Enquanto os filmes pares são excelentes, os ímpares são apenas médios ou simplesmente ruins. Star Trek de JJ Abrams, não é apenas o décimo primeiro filme, como obviamente pretende ser o primeiro de uma nova série. Mas felizmente essa maldição foi quebrada pelo filme anterior, Star Trek Nemesis[bb] – um filme par que é uma verdadeira bomba. E Star Trek de fato está do lado mais forte do espectro da qualidade.

O filme é projetado para ser algo completamente novo. Uma nova introdução ao universo de Star Trek para aqueles que jamais o viram. Ao mesmo tempo tem a dura missão de agradar os fiés fãs (como eu). Considerando os últimos 10 anos da franquia, no meu caso pessoal não seria uma tarefa muito difícil. Tentei fugir ao máximo de spoilers antes do filme, embora tenha ouvido alguns detalhes sobre a trama aqui e ali. Assim, estava com a pulga atrás da orelha quanto a como seria feita essa renovação, pois tudo obviamente parece diferente, não apenas os atores, mas também o visual e o ritmo das cenas. Seria um reboot? Uma história de origem ignorando o futuro? Na verdade, e sem dar spoilers, é uma mistura disso tudo e um pouco mais.

Desenhar o futuro não é tarefa fácil, daqui a 10 anos pode estar datado, a direção de arte conseguiu dar um ar moderno sem o visual pasteurizado que é comum  nesse tipo de produção. E para tentar fugir da obsolência misturou alta tecnologia com canos expostos. A fotografia faz amplo uso de angulos tortuosos; a câmera não chacoalha como em um filme do Michael Bay[bb], mas também não para quieta, mesmo em cenas dramáticas. Os flares são um assunto a parte, dominando quase todas as cenas; apreciei durante as tomadas espaciais, mas fica difícil acreditar que alguém consegue trabalhar em um ambiente tão ofuscante quanto a ponte da Enterprise. A trilha sonora é solida embora não excepcional, mas a adição do tema clássico dos anos 60 foi muito bem-vinda. E os efeitos sonoros com certeza são os melhores que a série já viu.

Os diálogos não são muito fortes e todos os personagens parecem ter pressa em falar, com exceção de Chekov – de longe o personagem mais fraco e quase irritante. Em uma conversa pouco antes da seção, ponderávamos: Já que é pra renovar, Star Trek precisa de mais mulheres além da Uhura. Porque não fazer como Battlestar Galactica[bb] e trocar uns homens por mulheres, Chekov foi o eleito, e o filme comprova que teria sido uma boa escolha. O restante da tripulação se dá bem, sendo que McCoy e Scotty com certeza são os melhores caracterizados.

O filme consegue apaziguar os fãs propondo uma solução que se encaixa perfeitamente no folclore trekker. É curioso que um filme que se propõe a ser “diferente do Star Trek dos seus pais”, retorne tanto às raizes. O humor, a aventura, os momentos ingênuos e o lado sensual todos remetem às raizes da série original[bb] de 66. A modernização se dá por conta dos efeitos e do ritmo mais acelerado. Enquanto os outros filmes tentavam dar um tom cada vez mais sério, Star Trek vence por não querer pegar pesado e se concentrar em pontos fortes da série original – um feito que não ocorria nos cinemas desde Star Trek IV[bb].

O filme é mais focado nos personagens e menos na humanidade como um todo. Nessa linha, lida muito com a trajetória pessoal de Kirk e Spock, ao mesmo tempo que é o mais bem-sucedido em dar a devida atenção ao resto da tripulação. Aos não-fãs vale como uma introdução ao universo e uma excelente aventura. Para os fãs, é uma maneira de ver a história que tanto amam continuar de uma maneira diferente, é ao mesmo tempo uma nova tripulação e a mesma de sempre. Além disso há detalhes e surpresas que os fãs irão apreciar e passarão despercebidos ao grande público. Por ser um reboot, o filme foi feito sob medida para continuações sem deixar as óbvias pontas soltas. Como em qualquer Star Trek a ponta solta é o amplo universo a ser explorado, que depois de 43 anos de histórias está novinho em folha.

Se tiverem a mórbida curiosidade de ouvir como foi a saga até a sessão do Omelete e as primeiras impressões logo após o filme, confira no meu gengibre.

yes we can dream a dream

Sexta-feira, Abril 17th, 2009

Como o Kramer[bb], sempre fui um ideas man. E como ele também, geralmente minhas idéias são furadas. Gosto de pensar que algumas delas são boas, mas nem sempre vão pra frente por falta de recursos, motivação ou pura procastinação. Ou talvez eu apenas sinta prazer em ter idéias e não em executá-las.

A mania da semana, Susan Boyle entra nesse tema. Infelizmente o YouTube bloqueou os embeds de praticamente todos os vídeos dela, portanto vou linkar aqui o mais completo que encontrei (e em HQ). Para compensar, posto abaixo o vídeo de Paul Pott cantando Puccini, que teve o mesmo reconhecimento que Susan no ano passado:

As histórias de Susan e de Paul são mesmo de deixar o coração quentinho. E ouví-los abrir a boca é de arrepiar e até mesmo de chorar. Não pela beleza da voz em si, mas pelo momento em que ela se apresenta. Não vou discorrer aqui sobre detalhes específicos das vidas deles pré e pós “Brittain’s Got Talent”, basta dizer que são gente comum, de vida simples mas que dentro de si guardavam algo extraordinário e finalmente tiveram a chance de mostrar. Mesmo que semana que vem ninguém mais se lembre de Susan, ela teve um grande momento que ninguém pode negar, e que sem dúvida ela jamais irá esquecer.

Isso casa bem com essa nova era do positivismo altamente explorada pelo Obama. E se relaciona também com meu post anterior. Pode parecer uma antagonia, mas não é. Pense na quantidade de Susan Boyles que existem por aí, pessoas talentosas ou com idéias brilhantes mas que não esbarram em uma chance por qualquer motivo que seja. O mundo é um lugar mais triste por isso. É por isso que cisnes negros como esse empolgam-nos tanto, não pela raridade do talento, mas pela raridade da glória.

Fama barata está a cada esquina. Todo dia reclamamos de alguém que é famoso desmerecidamente. Fama por conquista está cada vez mais difícil. Parafraseando Tyler Durden no Clube da Luta[bb]: “somos criados para acreditar que seremos estrelas de cinema, mas não vai acontecer”. Não precisamos ser estrelas de cinema ou Susan Boyle para sentirmos a glória. Ter o sonho validado por outro é quase tão bom quanto realizá-lo.

A lição aqui não é buscar a fama, mas sim partilhar o talento. Com quem for possível, como for possível. Assim andamos para frente. Mesmo com minha alta dose de cinismo, partilho pensamentos pela internet afora, e volta e meia alguém acha interessante ou útil, e é isso que me motiva a continuar nesse “melting pot”. É isso que entendo por “yes we can” – individual ou coletivamente, podemos ter nosso momento Susan Boyle.