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all along the yellow brick battlestar
Considerando que mencionei Battlestar Galactica neste blog diversas vezes, tenho a obrigação de falar sobre seu final. Diria até que estou atrasado. Se você nunca assistiu a série, peço que seja paciente e continue lendo, farei com que valha a pena. Se você já viu, tem boas chances de que foi por minha insistência, já que sou um grande evangelizador dessa série.
Eu amo essa parada
É difícil falar apenas do final e não dizer o quanto acho essa série incrível. Ron Moore, o produtor, salvou a ficção-científica pra mim (em termos pessoais). Resumindinho para os que ainda não viram: Em um lugar do espaço que não tem nada a ver com a nossa amada Terra, humanos vivem nas chamadas 12 colônias. Para facilitar a vida criaram robôs chamados Cylons, que a certo ponto se rebelam e vão embora. No dia em que voltam, de 12 planetas, 50 mil pessoas sobram em uma frota de naves em busca de um lugar para viver – lugar que muitos acreditam ser a Terra (apenas um mito). Recomendo também ler esse antigo post sobre a série.
Em uma época em que as referências culturais voltam no máximo à década de 70 é fácil apontar dedos e dizer que BSG está chupando idéias de Exterminador do Futuro, Blade Runner
, Star Trek
(na qual Moore trabalhou por muitos anos) e Star Wars
(2001
, Metrópolis
, alguém?). E na verdade está.
A BSG atual é o remake de uma série do final dos anos 70 e começo dos 80 que tentou pegar carona no sucesso de Star Wars e Star Trek, mas que se mostrou mais um caso de boa idéia desperdicada – em uma semana a raça humana era quase dizimada e na outra todos estão felizes jogando frescobol em um planetinha qualquer. A BSG atual não esconde suas inspirações, que vão desde os já mencionados até Bob Dylan, poesia,mitologia greco-romana
, cristianismo
, filosofia
, mormonismo
(que já estava fortemente presente na série original) a Queda da Bastilha
, o assassinato de Lee Oswald e muitas outras coisas que sequer me lembro. Galactica conseguiu juntar tudo isso em um pacote muito tentador, chamado de “ficção científica naturalista” em que exclue-se o papo técnico excessivo (Star Trek) ou mirabolâncias heróicas (Star Wars) e as substitui por tramas intrincadas que giram em torno dos personagens.
Em 5 anos (já que o Sci-Fi resolveu arrastar quatro temporadas o máximo possível) Ron Moore nos brindou com momentos memoráveis, intercalando ação fenomenal e visual bem planejado com momentos emotivos e intimistas guiados por excelentes interpretações – algo raro na ficção científica. Tricia Helfer, a gostosona Number 6, recebe a coroa de melhor modelo que virou atriz da história. Ela carregou o personagem mais misterioso de toda a série nas costas, criando momentos de tensão e riso ao mesmo tempo em que elaborava personalidades completamente díspares para outras cópias das personagens (sim, cylons tem muitas cópias). Edward James Olmos, Mary McDonnell e Dean Stockwell, atores da velha guarda, tornavam suas cenas emocionalmente carregadas e com um ritmo sensacional. O resto do elenco seguia essa liderança sem igual na televisão atual.
Apenas as séries Star Trek, Sete Palmos e Galactica conseguiram arrancar lágrimas da minha pessoa, e BSG o fez em uma cena sem falas – digo isso sem um pingo de vergonha.
Como já disse várias vezes Galactica tomou o manto de Star Trek no quesito alegorias. Terrorismo, direitos humanos, justiça, religião, preconceito, aborto, estupro, tolerância, genocídio e vários outras questões foram levantadas ao longo da série. E o melhor de tudo, ela não tenta trazer respostas, mas sim nos lembrar que existem perguntas. Nos faz olhar a nossa volta e refletir, as respostas não devem ser encontradas em uma série de TV, e sim na vida real.
Mas agora sobre o final propriamente dito.
Confesso que inicialmente não gostei dos flashbacks pré-ataque. Especialmente porque eles não estavam fazendo o menor sentido. Mas depois compreendi que eles eram importantes para fechar os ciclos dos personagens, embasar a trajetória deles até o derradeiro momento da série. Representam o nascimento da personagem que conhecemos durante esses quatro anos e da qual nos despedimos agora.
Uma série como Battlestar, cheia de mistérios e questões que muitas vezes trancendem o que estamos vendo na tela, não é fácil de colocar um ponto final. Mas ele veio na hora certa. Os balanços no barco durante a quarta temporada claramente mostraram que a fórmula não funcionaria por muito mais tempo. E terminou antes que desandasse completamente.
De fato não há como agradar todos quando o assunto é mistério. Sempre haverá aquele que dirá “poxa, mas eu queria que o fulano fosse o culpado” ou, para combinar mais com o tema “como assim o beltrano é cylon?”. Dito isso, achei ótimo que haja pontas soltas. Os flashbacks acabam servindo para reforçar a idéia de que o episódio será guiado pelos personagens. Nenhuma resposta mágica surgirá dos céus, você saberá tanto quanto essas pessoas diante de você, e nós aprendemos nesses quatro anos que mesmo as mais misteriosas são tão falhas quanto nós. Uma decisão geralmente tomada por séries dramáticas.
Além disso o episódio consegue resumir quase tudo que Galactica é: Uma busca por respostas pessoais e universais no meio de um tiroteio intergalactico impiedoso. As cenas de ação são obviamente de uma proporção jamais vista e ver a nave quase se esfacelando é ao mesmo tempo empolgante e triste, eletrizante e poético. Testemunhar centuriões de diferentes gerações se estapeando e personagens executando vinganças que consideramos justas beirou o êxtase. Como toda obra equilibrada, percebe-se que não há vitória sem sacrifício, mas que ele vale a pena.
Um tema central em Galactica é um dos temas centrais da vida: De onde viemos? Para onde vamos? Em BSG isso se manifesta na idéia de que vivemos em um constante ciclo, e o grande desafio é desvencilhar-se dele. Durante a série existe o antagonismo de duas visões religiosas distintas (mais o ateísmo). A mensagem no episódio final é de que, independente de acreditarmos em uma força toda-poderosa, somos nós que temos que tomar a atitude para quebrar o ciclo. Não podemos puxar a cortina para ver se há alguém atrás puxando controles, apenas caminhar pela estrada de tijolos amarelos e escolhermos nosso próprio caminho – e viver com nossas escolhas.
inclusão britney potter
Por dica do Marco Gomes ví essa pérola:
Sim, é tosco, é bem gay e a música é ruim. Mas ao mesmo tempo mostra preocupação em fazer algo direito, principalmente no figurino e na edição. Claro que há mil maneiras de meter o pau nesse vídeo símbolo de inclusão digital.
Mas eu digo que é genial, pois mostra que existe muita gente lá fora querendo expressar seu lado criativo e se esforçando pra isso. Quantos de nós não fizemos besteiras homéricas achando que eram o máximo? Apenas para depois escondermos com vergonha. O clipe é uma merda, mas a iniciativa por trás é sensacional.
não somos nada
Estou atento às notícias quanto à confusão China/Tibete e pensando numa maneira de abordar isso relevantemente e responsavelmente no Orientalize.
Enquanto isso, esbarrei com esse vídeo no blog da Ginga.
Sagan morreu, Arthur Clarke morreu, tantas outras pessoas visionárias e inspiradoras morreram, e tantas outras continuam vivas e, espero, estão nascendo. Todas elas na verdade nada significa, imagine então eu e você.
O conteúdo do vídeo não é novidade, mas ele é bom pra nos relembrar. Ver esse vídeo dá vontade de mandar tudo à merda. Estou paralisado.
neutralize o inimigo

Recentemente tomei conhecimento de mais um assunto do meu interesse. Seria bom na verdade que acabassem os assuntos do meu interesse, ao menos os desse tipo. É a chamada Neutralidade na Rede, do original em Inglês “Net Neutrality”.
Resumindo bastante: As telefônicas estado-unidenses haviam prometido um novo cabeamento para os consumidores nos anos 90, e não entregaram. Agora eles estão prometendo de novo, mas a um preço. Um alto preço. A intenção de companhias como AT&T e Verizon é escalonar a velocidade de acesso a determinados conteúdos dependendo do valor pago por esses provedores de conteúdo.
O que isso significa? Você conecta na sua casa e tenta acessar o site 1 e o site 2 ao mesmo tempo. Mas o site 1 paga X para as telefônicas, e o site 2 paga X+2. Como o site 2 paga mais, ele vai chegar mais rápido aos seus olhos e assim você acaba desencanado de olhar o site 1. E adivinha quem tem grana para pagar taxas para as telefônicas? Blogs? Pequenas empresas? Não, corporações como VIACOM, Amazon, AOL TimeWarner e por ai vai. A voz do indivíduo será abafada em favor da voz das corporações.
Já vi gente falando que é o fim do mundo e outros dizendo que jamais vai acontecer, ou por razões técnicas ou simplesmente porque o Congresso dos EUA jamais permitiria. Independente disso, eu prefiro pensar no caso do fim do mundo. No futuro prefiro poder dar risada pensando “Como fui bobo de achar que uma coisa dessas podia acontecer” do que “Pois é meu netinho, a internet era muito diferente na minha época.”
Então você pensa: “Mas que merda eu tenho a ver com isso? Eu moro no Brasil.” Pra começar muito do conteúdo que nós acessamos vem dos EUA, inclusive este blog – não sei bem como seria afetado o conteúdo de lá acessado de fora. Essa idéia pode virar moda e se espalhar por outros países, e com gente como o Eduardo Azeredo por aqui, não duvide de nada. Especialmente porque as provedoras de acesso também possuem grandes portais: o Terra é da Telefonica e a NET é da Globo, por exemplo.
Neutralidade na Rede trata da neutralidade, ou igualdade, de acesso. Você paga para se conectar a uma determinada velocidade e apenas isso afetará seu acesso, ninguém tem o direito de bloquear ou retardar o que você quer ver.
Para entender melhor em que pé está essa situação, recomendo começar por este post do Alessandro Martins, que inclusive tem ótimos links, um deles para esse vídeo esclarecedor.
figure out how cool i am
Que clipe sensacional. Mostra como uma idéia simples pode ter uma execução complexa. Explora ao máximo a temática de “seqüências de títulos de filmes dos anos 80″ (embora tenha um typeface da SEGA). Adoraria ver um making of.





