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além da linha vermelha
No último feriado de nove de julho fiz uma pequena viagem ao estado do Rio de Janeiro. Eu e Guilherme rachamos as despesas da ida e depois eu me virei na volta, tudo embalado por Katrina, meu automóvel. Foi um feriado super família, com praticamente nada de turismo, embora os lugares visitados, principalmente Petrópolis (que eu nunca tinha visitado – onde os pais dele moram) valessem a pena.
Mas a viagem não foi livre de curiosidades, e isso com certeza tem alguma relação com o fato d’eu ter ido visitar o Bruno, sua mulher e filho.
Primeiro que a decisão de ir pro Rio, e de carro, foi feita na sexta-feira. Visto que os pneus não estavam em condições de enfrentar 1000km de estrada, providenciei a troca, balanceamento, alinhamento e cambagem na sexta. Como a DPaschoal é uma rede arcaica que não aceita cartão de crédito e meu salário ainda não tinha caído, tive que pagar com dinheiro da poupança, e agora estou me devendo (mas me permito parcelar). Ainda na sexta à noite, em uma curva leve da 23 de maio uma das calotas foi perdida por falta de colocar direito no lugar.
Como gastamos um tanque inteiro para chegar a Petrópolis, e lá a gasolina vem misturada com ouro, na hora de descer pro Rio colocamos apenas a quantidade necessária para tal. O resultado disso é que na hora de voltar pra SP na segunda, a reserva apitou no meio do túnel Rebouças, então tive que sair da via expressa antes de cair na Linha Vermelha. Aí desandou mesmo.
O lugar onde fui parar era basicamente um gigantesco cruzamento de vias expressas, com viadutos, saídas, curvas e rotatórias que não acabavam mais. Por fim acabei perto da rodoviária, um lugar desgraçado de feio, e depois de dar umas voltas sem sucesso pedi informações pra um funcionário aleatório da prefeitura, que simpaticamente me apontou pra um posto azul. Mas ao chegar, a surpresa: Era apenas de gás natural. Perguntando a um dos inúmeros taxistas presentes consegui a indicação da tão querida gasolina. Enquanto enchia o tanque, consegui direções para voltar à Linha Vermelha.
Feliz e contente (e um pouco afobado) procurando as placas de Linha Vermelha, percebi uma tarde demais, e por pouco não pego a saída seguinte, que na verdade me levaria à ponte Rio-Niterói. Por fim uma indicação conflitante: São Paulo para um lado, e Linha Vermelha para o outro. Como eu queria mesmo era voltar pra casa, mandei a Linha Vermelha pro raio que o parta e finalmente cheguei na Via Dutra.
Sendo que já eram mais de 16 horas quando finalmente estava onde queria, e na saída estava um trânsito digno de greve de metrô em SP, decidi aproveitar o máximo do pouco tempo de Sol que me restava e só fiz minha primeira parada bem depois da Serra das Araras.
Por fim cheguei em casa, cansado, torto, mas inteiro. Seis horas e vinte minutos do Leblon à Vila Mariana. Aguardo ansiosamente uma próxima oportunidade, mas sozinho de carro de novo, jamais.
Além disso tudo a bateria da minha câmera acabou e estava sem o carregador. Então só tenho fotos do carro e uma com os pais do Guilherme. E fiquei com o cinto que ele comprou pra namorada – pretendo usar, é de couro com rebites super rocker-style.
Algo a se notar: Tanto na chegada ao Rio quanto a SP, há placas indicando uma saída para Bonsucesso.
bauer vs. beira-mar

O Rio causou uma impressão tão boa que esqueci da estréia de 24 enquanto estou tentando elaborar um texto sobre a experiência.
meu amigo playstation
Depois da Mi, que é minha namorada e portanto, au concour, meu melhor amigo chama-se PlayStation 2. Mesmo com ela morando longe, é a pessoa com quem mais interajo, converso e me divirto, e depois dela, vem o PS2 (com o qual obviamente não converso, apenas xingo esporadicamente).
Antes de julgarem-me, não pensem que troquei meus amigos pelo PS2, eu fiquei sem o anterior antes de adquirir o posterior.
Em BH tenho alguns grupos de amigos, mais notadamente dois: Os Canastras e o Pendragon. Duas pontas em uma linha do tempo de 10 anos. Uma linha com altos e baixos, participações especiais e protagonistas diversos, mas uma linha sem qualquer falha.
Quando voltei a morar em São Paulo, continuei com inúmeros amigos mineiros. Em contrapartida, em SP passei um longo inverno, digno de Nárnia, sem rumo fraternal. Tinha conhecidos com os quais interagia espóradicamente, e um colégio inteiro que me ignorava completamente.
Batalhei mas conseguiu arrebatar algumas amizades muito boas, e um grupo à moda mineira até surgiu. Não tinha nome, mas chamarei aqui de Daltonettes. Mas o tempo passou e o grupo se dissolveu, eu arrumei dois namoros e parei de investir o quanto deveria nas supramencionadas amizades.
Ainda tenho sim um grupo de pessoas que gosto muito e encontro bastante. Mas eles estão englobadas por um grupo maior com o qual falo pouco e encontro menos ainda, e sinto falta. Não por uma razão maior do que simplesmente me fazerem boa companhia.
Assim, perco os filmes que entram em cartaz, pois não quero ser o chato que liga sempre, mais uma vez retrocedendo aos 17 anos, e alimento uma tola esperança de que irão me ligar. Puxa, mal consigo lembrar da última vez que me ligaram para um programa, ou quando fui numa balada. Não gosto de ir ao cinema sozinho, logo, fico em casa jogando Grand Turismo.
e tudo que eu ganhei foi….
Um pacotinho de Doritos Bits twists Honey Barbecue
Uma garrafinha de Ouzo
Um isquerio da coffee shop Abraxas de Amsterdam
Tres embalagens de Marlboro Light (uma da Holanda, uma da Grécia e uma da Itália)
Duas latinhas de cigarrilhas (uma normal e outra “pipe flavoured)
Isso tudo da minha irmã, que chegou ontem de viagem, exceto as cigarrilhas que o Marcos me trouxe do FreeShop.
indiana
Talvez eu não tenha falado o suficiente sobre minha razão de estar em Minas. O projeto acabou demorando bem mais pra começar, mas depois de amanhã vou fazer um curso de primeiros socorros e então partirei direto pra Moeda, onde viverei metade da semana pelos próximos dois meses.
Aos que não sabem, a casa do André deixará de ser minha morada Belo Horizontina. Como ele está indo pro Estância Serrana, que é bem longe do centro e ruim demais de pegar onibus, terei que me realocar. Se tudo correr como planejado, em uma semana serei inquilino da Bianca e do Ícaro.
Mas voltando ao projeto. Será uma prospecção, repito, prospecção, e não uma escavação como muitos pensam. Como aprendi, arqueologia não é apenas cavar buracos (ou matar nazistas e lobos) é preciso saber onde cavar (como petróleo, apesar do Maluf não entender esse conceito). A prospecção serve justamente para cobrir uma determinada área onde, através de relatos históricos e achados em outros sítios, imagina-se que haja bons locais para sítios, e então localizar exatamente onde estão esses futuros sítios, para então escavar.
Eu acho que vai ser bem legal. Somos uma equipe com pessoas de diferentes formações e com diferentes funções. Uma listagem:
André, Arqueólogo. Diretor do projeto.
Alastair, Arqueólog. Co-Diretor do projeto e gringo de plantão.
Eu!, Designer. Acumulo as funções de fotógrafo, cinegrafista e designer.
Daniele “Dani”, Arquiteta. Responsável pelos Croquis.
Ricardo “Tala”, fotógrafo. Abandonou o posto da fotografia, que eu assumi, e é o Administrador. Cuida de toda a burocracia, gastos e supervisão geral.
Reginaldo “Regis”, Historiador. Responsável pela parte de historiografia.
“Gó”, Estudante de Turismo. Faz-tudo, será nossa mãe, faz o leva e traz, cuida dos equipamentos, suprimentos e alimentação.
Todos também irão observar e catalogar de acordo todas as ocorrências cabíveis. Eu achei bem interessante e promissora essa combinação. Parece até coisa de filme de ficção científica tipo Esfera, O Enigma de Andrômeda e aquela porcaria de Núcleo.
De qualquer jeito me parece que todos tem bastante liberdade e autonomia para contribuirem da maneira que for ao projeto. E eu particularmente terei bastante responsabilidades, talvez o máximo que já tenha tido em minha vida profissional, mas estranhamente não estou nem um pouco assustado, justamente porque o clima até agora foi muito amigável (afinal o André é um amigo de longa data) e de bastante confiança e cooperação.
