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malinha magalhães e marcelo pentelho
Nunca gostei de Los Hermanos e muito menos do Marcelo Camelo. Olha a cara do sujeito:
Que merda.
Também não estou nem aí pra prodígio Mallu Magalhães e seu jeito de sonsa serelepe.
É bom finalmente ver as pessoas pararem de falar que eles são gênios da música. E sim um casal muito freak (pra dizer pouco). Saquem ela dando biziu o tempo todo:
iDork

Nos últimos dias de 2007 eu andei com minha fabulosa Katrina (um Ka, pra quem não decifrou esse nome super enigmático) paralelamente à uma Porsche a cinquenta quilômetros por hora em uma estrada. Sim, não estou mentindo, e estava a essa velocidade pois meu vidro estava estilhaçado e não queria que ele desmoronasse lançando cacos mortais sobre os ocupantes. Eventualmente a Porsche me deixou para trás em tremendos 70 mk/h. Tenho testemunhas.
Claro que não estou contando isso para me gabar, mas sim para ilustrar uma situação extrema em que uma incrível ferramenta é usada por um completo idiota que não sabe tirar proveito dela. Vemos isso o tempo inteiro: carros caros com motoristas terríveis; computadores velocíssimos nas mãos de operadores de Word ou, para as meninas, belas jóias enterradas em cabelos e maquiagem tenebrosos.
No mercado de trabalho isso também acontece muito. Claro que com o desenvolvimento tão rápido da tecnologia fica difícil explorar ao máximo todas as ferramentas disponíveis, mas ao menos uma ou duas devemos nos dedicar a compreender plenamente, mesmo que para descartar. Um bom profissional de qualquer área não depende de sua ferramenta, ele se vira com o que tem, e mesmo que o resultado saia cru, é possível ver nele a qualidade de alguém dedicado.
Boas ferramentas facilitam o bom trabalho, claro, todos sabemos. Mas se você é um fotógrafo porcaria, não adianta comprar uma câmera melhor. E se seu gosto musical é uma merda, ter um iPod não o deixará mais cool. E é por isso que estou escrevendo isso. Hoje no metrô havia um sujeito que era o típico analista de sistemas dos anos 80, daqueles que trabalha com mainframes em porões empoeirados e não têm discernimento suficiente para usar uma camisa não-xadrez ou colocar a cintura da calça em qualquer lugar que não acima do umbigo.
Ele possuia um iPod, ou ao menos o fone de um. E provavelmente estava ouvindo Enya, Mike Oldfield, Yanni, David Arkenstone ou qualquer coisa horrenda assim. Bom, só pra dizer isso mesmo: Não importa qual embalagem feita pelos outros você dê ao seu gosto ou seu trabalho, ele continuará sendo uma porcaria se você assim o fizer.
É como em Mateus 7:6 – “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas”
30ª Mostra de Cinema SP – Dia 1
Agora trabalhando no Conjunto Nacional, uma das coisas que decidi foi comprar um passe de 20 filmes e assistir à mostra de cinema em peso. Agora, logo que voltei do primeiro dia tive a idéia de publicar minhas impressões no overmundo, e o farei simultaneamente aqui, lembrando que aqui a crítica permanecerá inalterada, e no Overmundo ela está sujeita a edição.
Filme 1 – A Scanner Darkly
Como um scanner vê? Claramente ou obscuramente? Esta é uma tentativa tosca de traduzir a frase que dá nome ao conto de Philip K. Dick e ao filme baseado nele. Quão imparcial é um observador? E quando seu objeto de estudo inclui ele mesmo? Quem controla os controladores? Afinal, estamos à serviço de quê? Essas são algumas das perguntas que o observador perspicaz terá ao final da sessão de “A Scanner Darkly” de Richard Linklater.
Nessa época em que temos cada vez menos privacidade (algumas vezes por vontade própria), em que entretenimento rápido é uma opção cada vez mais preferida à relações duradouras e existe uma busca incessante por imagens instantâneas e super-realistas, Linklater parece tomar a decisão certa quanto a maneira de “arte-finalizar” o seu filme.
Aos desavisados, o Scanner a utiliza a versão digital de uma técnica chamada Rotoscopia, em que desenha-se sobre imagens capturadas por uma filmadora ou camera fotográfica (muito utilizada em desenhos animados desde o tempo da Branca de Neve). O filme assim ganha mais uma etapa que parece uma ponte entre produção e pós-produção, quase que aproximando-o do processo de criação de uma história em quadrinhos, onde por mais habilidoso que seja o desenhista, o trabalho final não pertence apenas à ele, mas também ao arte-finalista.
Da mesma maneira, não basta confiar nos fotógrafos e atores do filme, no final, cabe aos animadores (por mais digital que seja o processo) interpretar e de fato nos apresentar com a versão final dos eventos.
E considerando as temáticas de drogas, voyeurismo, conspiração e paranóia embutidas no filme, é difícil pensar em um acabamento melhor. Linklater já havia usado a mesma técnica no etéreo “Waking Life” onde tudo se encaixa muito bem, mas por diferentes motivos.
Pode ser apenas uma questão de distanciamento, mas a técnica agora parece mais apurada, existem mais detalhes a ser notados, e a sensação de flutuação é menor (que em Waking Life pode muito bem ter sido intencionalmente exagerada).
O filme corre com muito bom humor, e confesso que analizar interpretações em rotoscopia não cabe a mim, especialmente em se tratando de Keanu Reeves, que sempre me lembra de uma tábua de passar roupa, e Winona Ryder, a menina chorona do bairro. Mas serei audaz em dizer que Robert Downey Jr., mesmo embutindo canastrices e exageros, pareceu se sair muito bem e é o personagem mais memorável.
Fred, o personagem principal entra e sai do filme da mesma maneira, como uma tela em branco, ou talvez multicolorida. E apesar de o filme encerrar uma grande dúvida que a trama deixa no ar logo no início, várias outras, interpretativas, que surgem ao longo da história permanecem lá, e resta ao observador perspicaz decifrá-las.
Filme 2 – El Laberinto del Fauno
Particularmente, quanto menos eu souber sobre um filme antes de assisti-lo, melhor. Meus amigos estão cansados de saber disso, e por isso fico atento à opiniões (não sinopses) de pessoas selecionadas. E é sempre um dilema, é preciso saber alguma coisa a respeito antes de entrar na sala de cinema.
Neste caso sabia que envolvia a Espanha, um Labirinto, e obviamente, um Fauno (criatura mitológica que conheci de fato em As Crônicas de Nárnia). Pois bem, logo imaginei algo como de Alice no País das Maravilhas, em que a Espanha seria brevemente mostrada no início do filme e em seguida entraríamos em um mundo mágico repleto de fantasia.
Mas em se tratando de Guilhermo Del Toro (Espinha do Diabo e HellBoy), logo imaginei que haveria um toque dark, ou ao menos de humor negro. E eu estava afogado em razão. O Labirinto do Fauno não é o centro do filme, ele é o estopim que carrega uma trama bem escrita e conduzida.
É de fato um mundo mágico, mas ele não está além de uma porta pequenina no fundo de um buraco, ele corre lado a lado com a Espanha pós Guerra Civil. É difícil saber em que lado está o Fauno, mas o monstro mais importante da história logo nos é revelado em uma cena que me lembrou Irréversible (o polêmico filme do estupro de 12 minutos) – mas caso esse não seja o seu estilo de filme, por favor não se deixe levar por esse comentário.
Há bastante violência, e muita fantasia, e apesar de ser simples distinguir o real do mágico, em alguns pontos do filme eles se entrecruzam, e chegamos a ter três histórias paralelas igualmente fascinantes mas que parecem pertencer a três filmes totalmente distintos se não fosse Ofélia, a personagem-elo; mas mesmo com esse contraste tudo parece fluir de maneira bem planejada.
A ambientação é impecável, bem como a fotografia e a caracterização dos personagens. Não há falhas de caráter, todos agem de acordo com um histórico anterior que desconhecemos mas que somos capazes de deduzir facilmente.
Del Toro fascina com sua imaginação e crueldade. Ele parece uma mistura de Tolkien com David Cronenberg, injetando imagens fortes em uma fantasia intrigante. E mesmo ao final do filme, racionalizando os eventos, paira no ar qual é realmente a verdade a respeito do Fauno.
Definitivamente um conto de fadas para adultos.
vintage violence
vintage violence
Finalmente me caiu a ficha quanto ao real lado de negativo de algo se popularizar. Antes pra mim era apenas birra, coisa de gente que não suporta ver os outros fazendo aquilo o qual se acha o descobridor. Fora esse tipo chato; existe o verdadeiro problema da literal banalização. Um termo, um esporte, um jogo, qualquer coisa, é praticado por um sem número de pessoas que não fazem a menor idéia do que aquilo realmente é e por fim, a característica original é perdida. A massa é mesmo burra, tenho que admitir.
Bem, falo disso por conta de dois termos que já cansei de ver na internet nos ulitmos tempos: Vintage e Pin-Up.
Vamos lá, vintage é uma palavra inglesa. No dicionário Oxford Compact o significado da palavra mais tem a ver com vinhos e uvas do que com jaquetas transadas. O ítem do significado listado lá mais parecido com o que imaginamos é:
“of high quality, esp. from the past or characteristic of the best period of a person’s work”
Traduzindo e adaptando: “De alta qualidade, especialmente do passado ou característica do melhor período do trabalho de uma pessoa.”
Agora que parei para traduzir, me parece bastante preciso com relação à utilização que vemos em tantos filmes e séries de TV. Lembro-me que comecei a usar esse termo com Nisfer, meu companheiro de falar besteiras em qualquer língua. E mais a mais fui brincando de detectar o que seria ou não vintage.
Infelizmente, graças a um fotolog, o termo foi pro beleléu aqui no Brasil. As pessoas colocam fotos de discos da Xuxa, um screen capture dos transformes ou do changeman e por aí vai. Transformaram vintage em sinônimo de infância, ou pior, da já passada modinha “anos 80 vamos relembrar”. E vou dizer aqui e agora: Vintage não é nada disso, porra! Façam o favor de observar as origens das palavras, bando de ignorantes! É complicadinho detectar o que é vintage, eu não sou um especialista, afinal não sou dono de antiquário nem de brechó (que em termos de Vintage não quer dizer muito também). Mas elaborei uma simples listinha para detectar a vintagedade de um objeto:
1 – Tem que ser um objeto! – Um seriado de TV, uma pessoa ou um filme não podem ser vintage. Uma fita do tal seriado, talvez, se a embalagem for interessante. Portanto a Vera Fischer, ou uma fita de De Volta Para o Futuro gravada de uma sessão da tarde quando você tinha 8 anos nunca será vintage. É velharia mesmo, jogue fora ou grave um pornô por cima, crie vergonha na cara e compre um DVD.
2 – Tem que ser usado! – Nada novo jamais será vintage. Digo, será no futuro.
2.a – Usado por outra pessoa! – Isso não é obrigatório (naturalmente estou falando de pessoas mais velhas, também). Algo que era seu desde sempre pode se tornar vintage com o tempo, mas dependendo do ítem pode demorar, e se você é um jovem antenadinho não vai poder esperar. Portanto, largue a mão de ser fresco e procure sim no armário do seu pai e da sua mãe. Pode ser uma mina de ouro!
3 – 20 anos no mínimo. – Se você tem belos 16 anos e acha que aquele seu chocalho é vintage, esqueça! Mas fique atento, isso não se aplica a todos os objetos, tem muita tralha de 20 anos que você ainda tem que guardar mais um tempinho até seus amigos quererem te dar dinheiro por ela.
3.a – Tem que ser relativamente raro! – Não pode estar mais em produção. Portanto, uma embalagem de dadinho não é vintage, já que até hoje ela está sendo produzida em escala industrial. Um pogobol pode vir a ser vintage (embora ainda não o considere) já que não vemos mais com tanta facilidade por aí.
4 – Tem que estar em estado de uso! – Claro. Ninguém quer nada quebrado. Se estiver estragado, conserte, coisas quebradas não são vintage; são no máximo peças decorativas, e dependendo do que for, de péssimo gosto. Mais um motivo pelo qual a Vera Fischer não é vintage, ê bagulho!
5 – Tem que ter naipe! – Uma jaqueta do Nelson Ned também jamais será vintage. É tosco e só serve de piada.
6 – Estado original e bem conservado! - É o que se chama de “mint condition” em inglês. Pode ter alguns sinais de uso, como um couro mais batido, mas nada bizarro. Portanto, se você acha muito massa colocar insul-film e vidros elétricos na sua variant pode esquecer. Fusca tunado é Hot Rod de pobre.
E acho que está bom, né? Se o ítem preencher esses requisitos, pode falar que é vintage. Não tenho muitas coisas vintage, eu oficialmente contabilizo uma vitrolinha portátil, duas latas de biscoito e uma jaqueta da goodyear muito style.
Mas acho que com o ralo público deste blog, minha lista não irá alcançar muitas mentes, só a dos meus amigos mesmo que já meio que sabem disso tudo, senão não seriam meus amigos (se você é meu amigo e achava que o Fofão era vintage, por favor não me fale!). Então, por via das dúvidas, vou usar outro termo para substituir vintage, um termo que está na raiz do vintage, de acordo com o mesmo dicionário Oxford, a palavra do franc6es antigo: vendage.
Quanto ao pin-up, quem sabe em outro post…
satan
Spam em si já é algo desagradável. Mais desagradável ainda é receber nele, propaganda de uma empresa fétida que destrói tudo aquilo pelo qual você estudou. A Magia Programação Visual, uma tal de uma empresa que faz sites e “logomarcas” (que aviso-lhe é uma terminologia incorreta e na verdade não significa poronga nenhuma) conseguiu estragar o meu dia emporcalhando minha caixa de entrada.
Uma empresa que usa SPAM para anunciar seus serviços já não merece muito crédito. Especialmente quanto completamente banaliza o processo de criação de uma marca com frases assustadoras do tipo “Logomarca por R$300,00 e moderenização por R$ 200,00″. Ah, se Walter Gropius visse isso, sorte dele estar mortinho da silva. Conceitos ridiculamente básicos como pesquisa e orçamento não passam pela cabeça de individuos que vendem seus serviços nessas condições.
E todos saem perdendo. Os profissionais sérios, que realmente buscam realizar o melhor para seus clientes e para os usuários, os clientes e os usuários. O mundo continua cheio de trabalhos toscos realizados por pessoas sem o menor tino e muitas vezes sem o menor escrúpulo.
Isso acaba por desanimar pessoas que tentam fazer um trabalho sério. Pois mais e mais elas perdem espaços para vigaristas como esses, que não tem a menor noção do que estão fazendo. São Gérsons do século XXI. É coisa do capeta mesmo.
