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sons creative commons
Estava querendo gravar uns efeitos sonoros pra usar em um vídeo meu quando a Mi deu a sugestão de caçar na internet alguma coisa pronta e gratuíta. Meio cético, já que raramente encontro bons efeitos sonoros em sites, ou tenho que baixar coletâneas enoooooormes no BitTorrent ou Soulseek, resolvi procurar mesmo assim.
E não é que me deparei com um ótimo site? O Freesound Project. Encontrei os dois efeitos que precisava, apesar da lerdeza da minha conexão e de um deles ser tão peculiar que sequer sabia como descrevelo em texto.
O que um usuário comum pode achar chato é que é preciso se registrar (gratuitamente) para baixar os sons. Mas fiz de bom grado, ainda mais considerando que o Freesound é um projeto Creative Commons, uma iniciativa que apóio 100%.
E não sou só eu que estou tirando proveito desse recurso para um projeto audiovisual, o filme Children of Men (Filhos da Esperança – muito bom por sinal) usou um som do site, e deu o devido crédito (como podem ver na imagem abaixo).

30ª Mostra de Cinema SP – Dia 1
Agora trabalhando no Conjunto Nacional, uma das coisas que decidi foi comprar um passe de 20 filmes e assistir à mostra de cinema em peso. Agora, logo que voltei do primeiro dia tive a idéia de publicar minhas impressões no overmundo, e o farei simultaneamente aqui, lembrando que aqui a crítica permanecerá inalterada, e no Overmundo ela está sujeita a edição.
Filme 1 – A Scanner Darkly
Como um scanner vê? Claramente ou obscuramente? Esta é uma tentativa tosca de traduzir a frase que dá nome ao conto de Philip K. Dick e ao filme baseado nele. Quão imparcial é um observador? E quando seu objeto de estudo inclui ele mesmo? Quem controla os controladores? Afinal, estamos à serviço de quê? Essas são algumas das perguntas que o observador perspicaz terá ao final da sessão de “A Scanner Darkly” de Richard Linklater.
Nessa época em que temos cada vez menos privacidade (algumas vezes por vontade própria), em que entretenimento rápido é uma opção cada vez mais preferida à relações duradouras e existe uma busca incessante por imagens instantâneas e super-realistas, Linklater parece tomar a decisão certa quanto a maneira de “arte-finalizar” o seu filme.
Aos desavisados, o Scanner a utiliza a versão digital de uma técnica chamada Rotoscopia, em que desenha-se sobre imagens capturadas por uma filmadora ou camera fotográfica (muito utilizada em desenhos animados desde o tempo da Branca de Neve). O filme assim ganha mais uma etapa que parece uma ponte entre produção e pós-produção, quase que aproximando-o do processo de criação de uma história em quadrinhos, onde por mais habilidoso que seja o desenhista, o trabalho final não pertence apenas à ele, mas também ao arte-finalista.
Da mesma maneira, não basta confiar nos fotógrafos e atores do filme, no final, cabe aos animadores (por mais digital que seja o processo) interpretar e de fato nos apresentar com a versão final dos eventos.
E considerando as temáticas de drogas, voyeurismo, conspiração e paranóia embutidas no filme, é difícil pensar em um acabamento melhor. Linklater já havia usado a mesma técnica no etéreo “Waking Life” onde tudo se encaixa muito bem, mas por diferentes motivos.
Pode ser apenas uma questão de distanciamento, mas a técnica agora parece mais apurada, existem mais detalhes a ser notados, e a sensação de flutuação é menor (que em Waking Life pode muito bem ter sido intencionalmente exagerada).
O filme corre com muito bom humor, e confesso que analizar interpretações em rotoscopia não cabe a mim, especialmente em se tratando de Keanu Reeves, que sempre me lembra de uma tábua de passar roupa, e Winona Ryder, a menina chorona do bairro. Mas serei audaz em dizer que Robert Downey Jr., mesmo embutindo canastrices e exageros, pareceu se sair muito bem e é o personagem mais memorável.
Fred, o personagem principal entra e sai do filme da mesma maneira, como uma tela em branco, ou talvez multicolorida. E apesar de o filme encerrar uma grande dúvida que a trama deixa no ar logo no início, várias outras, interpretativas, que surgem ao longo da história permanecem lá, e resta ao observador perspicaz decifrá-las.
Filme 2 – El Laberinto del Fauno
Particularmente, quanto menos eu souber sobre um filme antes de assisti-lo, melhor. Meus amigos estão cansados de saber disso, e por isso fico atento à opiniões (não sinopses) de pessoas selecionadas. E é sempre um dilema, é preciso saber alguma coisa a respeito antes de entrar na sala de cinema.
Neste caso sabia que envolvia a Espanha, um Labirinto, e obviamente, um Fauno (criatura mitológica que conheci de fato em As Crônicas de Nárnia). Pois bem, logo imaginei algo como de Alice no País das Maravilhas, em que a Espanha seria brevemente mostrada no início do filme e em seguida entraríamos em um mundo mágico repleto de fantasia.
Mas em se tratando de Guilhermo Del Toro (Espinha do Diabo e HellBoy), logo imaginei que haveria um toque dark, ou ao menos de humor negro. E eu estava afogado em razão. O Labirinto do Fauno não é o centro do filme, ele é o estopim que carrega uma trama bem escrita e conduzida.
É de fato um mundo mágico, mas ele não está além de uma porta pequenina no fundo de um buraco, ele corre lado a lado com a Espanha pós Guerra Civil. É difícil saber em que lado está o Fauno, mas o monstro mais importante da história logo nos é revelado em uma cena que me lembrou Irréversible (o polêmico filme do estupro de 12 minutos) – mas caso esse não seja o seu estilo de filme, por favor não se deixe levar por esse comentário.
Há bastante violência, e muita fantasia, e apesar de ser simples distinguir o real do mágico, em alguns pontos do filme eles se entrecruzam, e chegamos a ter três histórias paralelas igualmente fascinantes mas que parecem pertencer a três filmes totalmente distintos se não fosse Ofélia, a personagem-elo; mas mesmo com esse contraste tudo parece fluir de maneira bem planejada.
A ambientação é impecável, bem como a fotografia e a caracterização dos personagens. Não há falhas de caráter, todos agem de acordo com um histórico anterior que desconhecemos mas que somos capazes de deduzir facilmente.
Del Toro fascina com sua imaginação e crueldade. Ele parece uma mistura de Tolkien com David Cronenberg, injetando imagens fortes em uma fantasia intrigante. E mesmo ao final do filme, racionalizando os eventos, paira no ar qual é realmente a verdade a respeito do Fauno.
Definitivamente um conto de fadas para adultos.
but i don’t know
Desde que a gente foi no show do Cardigans a banda agora tem um outro sabor pra mim. Algumas músicas ficaram mais doces, outras mais agridoces.
For 27 years I’ve been trying to believe and confide in
Different people I’ve found.
Some of them got closer then others
Some wouldn’t even bother and then you came around
I didn’t really know what to call you, you didn’t know me at all
But I was happy to explain.
I never really knew how to move you
So I tried to intrude through the little holes in your vanes
And I saw you
But that’s not an invitation
That’s all I get
If this is communication
I disconnect
I’ve seen you, I know you
But I don’t know
How to connect, so I disconnect
You always seem to know where to find me and I’m still here behind you
In the corner of your eye.
I’ll never really learn how the love you
But I know that I love you through the hole in the sky.
Where I see you
And that’s not an invitation
That’s all I get
If this is communication
I disconnect
I’ve seen you, I know you
But I don’t know
How to connect, so I disconnect
Well this is an invitation
It’s not a thread
If you want communication
That’s what you get
I’m talking and talking
But I don’t know
How to connect
And I hold a record for being patient
With your kind of hesitation
sometimes i feel so lonely
Há tempos queria falar de amigos que se foram, ou que sequer o foram.
Hoje em dia se cruza com tanta gente todo dia, e tantas delas poderiam ser bons amigos, mas por algum motivo não o são. E todos passamos por um momento em que olhamos em volta com um ar de auto-questionamento e pensamos: “esses são os meus amigos?” e desejamos que aqueles estranhos entrem nas nossas vidas.
Temos aqueles de longa data, que jamais sairão de nossas vidas, por mais diferentes rumos que elas sigam, eles acham um jeito de estar do seu lado, mesmo sem fazer questão de se esforçar. Não adianta tentar distanciar-se, eles fazem parte de você, mesmo que hoje você seja o oposto de quando a amizade parecia inevitável.
E quando os perdemos? Os motivos para isso são tantos que listá-los seria um exercício de encheção de lingüiça. Tenho uma pequena lista mental, que pertence só à mim, de pessoas com as quais gostaria de ter partilhado um companheirismo maior, e que até cheguei a fazêr-lo, mas algo aconteceu no caminho.
Recentemente tenho feito um esforço maior para conectar, pois não adianta ter a mente aqui e o coração totalmente em outro lugar, é preciso misturar tudo num liquidificador. E mesmo antigas amizades distanciadas parecem estar voltando.
E agora, uma grande amiga acaba de partir. Um ano de sentença no mínimo. Não quero tentar prever as conseqüências disso, embora as vezes seja inevitável. Penso nas pessoas agregadas que posso perder, e ao mesmo tempo, relembro de outras pessoas que gostaria que estivessem mais presentes.
“Se um homem não faz novas amizades à medida que avança na vida, ficará logo sozinho. Um homem, senhor, deveria manter suas amizades em contínuo restauro.”
S. Johnson (1775)
ciclosombra
Ir de bicicleta pro escritório é ótimo, ainda mais agora que ela está toda calibrada e parece nova.
Outra diversão é checar as estatísticas do ciclocomputador. Ontem estabeleci outro recorde de tempo para chegar no trabalho: 12 minutos. E hoje, voltando as 22:00, marquei novo recorde de velocidade: 37km/h.
