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muito amor pra dar
Sou um espectador da série Big Love da HBO. Para quem não sabe ela trata de uma família suburbana mórmon norte-americana, que seria típica não fosse o fato de ser composta por um homem, três mulheres e uma renca de filhos.
A poligamia é ilegal nos Estados-Unidos e não é reconhecida como uma prática pela Igreja de Jesus-Cristo dos Santos dos Últimos Dias (ao menos não mais). Entretanto é de fato praticada por alguns indivíduos e em algumas instituições duvidosas como a Igreja Fundamentalista de Jesus-Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Eu honestamente não estou nem aí se o meu vizinho pratica poligamia ou não. Muitos homens sonham em ter mais de uma mulher. Mas para ser bem honesto, só um louco pra tentar isso pra valer. Se eu já apanho para entender uma só, ou quase uma, imagine então duas ou mais. Claro que instituições reclusas e duvidosas como a supra-mencionada não têm a minha simpatia.
Mas o que me intriga nessa história toda é Hugh Hefner, o conhecido e simpático fundador do império Playboy. Assistindo ao programa Girls of The Playboy Mansion, logo vemos que ele é adepto do princípio, algo que ele pratica há muito – aliás, monogamia é a exceção para ele. Entretanto o comportamento dele é bastante (amplamente seria uma palavra forte demais) aceito, tanto que o programa é um de destaque no canal E!.
A hipocrisia (em potencial?) me chama a atenção. E o pior de tudo é que no caso de Big Love, cada uma das esposas do personagem principal é uma mulher formada, com seus defeitos e qualidades. Já no caso de Hef, são um trio das estereotípicas bimbos, cujas únicos atributos são cabelos loiros e corpo em forma.
Quando é só putaria, até pode, mas se você quer ter uma pegada religiosa na questão, aí não…
kingdom
Um passeio no hospital Madre Teresa.
Atendente: Religião?
Mafra: ATEU
Confesso que não pretendia falar tão alto. Pobre moça ainda explicou o motivo de fazerem essa pergunta. Na verdade agnóstico, mas tinha medo que ela não entendesse.
run fay run
Eu acredito, e não sou o único, que uma obra é reflete o local e período de tempo em que foi feita. Isso é ÓBVIO. Por isso sou contra coisas como Edição “Especial” de Star Wars e de ET, em que ficam re-editando o filme pra acabar com o ritmo, acrescentando robos que passam na frente da câmera ou substituindo armas por walkie-talkies. Viva South Park por perceber e saber tirar sarro dessa situação que ao meu ver é ridícula. Imagine se Picasso, ao final de sua vida, olhasse para algumas de suas telas da fase azul e resolvesse que precisava dar mais umas pinceladas, torná-las “especiais”?
E daí que os realizadores de tais obras mudaram? A obra é conseqüência daquele ponto no tempo; é óbvio que ninguém faria a mesma coisa exatamente igual duas vezes. Todo dia vemos pessoas comentando como teriam feito algo diferente na vida, que tratariam tal pessoa melhor, ou que não teriam comprado tal coisa, etc. O mesmo vale para suas realizações. É uma ilusão você achar que suas criações vão refletir aquilo que você é em um sentido monolítico e imutável da coisa, as idéias e as influências estão em constante estado de fluxo.
Falo isso tudo por conta de um e-mail que recebi ontem, que comentava um texto meu pulicado no 6horas e meia]. O zine já acabou faz mais ou menos um ano, e vários dos números se perderam na putaria que o HPG aprontou, mas esse texto foi minha segunda colaboração, eu nem era colunista regular na época. E algumas coisas nele eu mudaria, apenas melhoraria algumas frases e corrigiria alguns erros (isso mesmo, encontrei erros de português); mas não o farei. A questão é que o e-mail, provavelmente de uma garota de 13 anos, me divertiu demais, portanto decidi re-publicar a crônica aqui, sem modificações e o e-mail da tal garota (que creio chamar Marina, embora estivesse usando o e-mail da Carlinha) em seguida.
enjoy…
vestir preto no reveillon
Quando uma criança cresce, e passa pela “aborrecência”, a necessidade de encontrar modelos de comportamento, grupos e crenças em que se apoiar se torna presente. Não que esse tipo de busca parta mais tarde na vida, ela continua lá, mas é nessa época da vida que as coisas começam, e é geralmente a época de maior fervor.
Acreditar em um ideal é importante e realmente ajuda a nos moldar. Mas devo dizer que nunca tive um ideal, eu sou um convico não-idealista. Pra que? Não tenho nada que me apele tanto. Claro que alguns movimentos tem minha simpatia, com algumas reservas, mas não por isso vestiria a camisa. Pensei em ajudar o Greenpeace, mas eu sou totalmente a favor de clonagem, pesquisa em células tronco, transgênicos e provavelmente algumas outras coisas que eles não simpatizam muito.
Na verdade pode-se dizer que eu apoio a evolução. Não no sentido Darwin da coisa (não que eu seja criacionista também), mas o sentido amplo. Sou a favor de algo que nos leve à frente, que nunca foi feito antes, literalmente audaciosamente indo onde ninguém jamais esteve. Não vamos conseguir isso segurando a pesquisa pura e o progresso subseqüente, isso era feito na época da inquisição, e olha que maravilha que era o mundo: doenças, intolerância, execuções e progresso praticamente estagnado. Não me refiro apenas em larga escala, em tecnologia, em conquistas interplanetárias ou manipulações biológicas, também falo de comportamento, interação humana e cultura. A única instituição que tem meu total apoio é a ciência, existe algo mais nobre que a busca de conhecimento? Autoconhecimento? Auto-ajuda? Isso é muito egoísta. A ciência é pura e simplesmente a busca da verdade, por mais dura e dolorida que seja. Conhecimento é poder.
Claro que quem pratica o ócio também tem minha simpatia. Não fazer nada é melhor do que atrapalhar. E não tem nada melhor do que fazer algo porque simplesmente estamos a fim. Quando estava no colégio, realmente me sentia um protagonista e uma revolução da escola, algo inspirado no clipe “Another Brick in The Wall II”, e também me sentia muito especial e ao mesmo tempo alvo de muitas críticas por ser um fã de Star Trek e jogador de RPG (NERD alert!). Além disso, acho que nunca me senti muito como parte de um movimento.
Mas algumas pessoas, me parecem, têm a necessidade de se apegar a algum movimento ou causa, apenas pelo prazer de ser mala. Na Galeria do Rock eu vejo umas camisetas com a suástica cortada ao meio, como “proibido nazismo”. Puxa vida, que nobre causa, você é contra o nazismo! “Get a life” , como diria William Shatner, não deveria ser preciso uma camiseta para desprezar o nazismo, até onde eu saiba isso é uma obrigação natural de qualquer pessoa com encéfalo desenvolvido e polegar opositor.
Pior ainda são os maconheiros que não contentes em ficarem perdendo precioso tempo se drogando, ainda precisam ficar mostrando por aí que o fazem. Como se a liberação da maconha fosse uma causa muito importante, “free the hemp”, puxa vida isso realmente vai tornar o mundo muito melhor. Claro que sem o advento do tráfico de drogas o mundo realmente seria melhor, mas alguém honestamente acha que legalizar a maconha vai acabar com o tráfico? Amsterdã é uma das cidades mais escrotas no mundo, e não é como a de Nova Déli ou Rio de Janeiro, é por opção! Apoiar uma causa dessas é como assinar a declaração de que se é fraco, isso mesmo, um fraco, precisar de narcóticos pra aproveitar a vida, que lama; seria muito mais interessante, inclusive para o fim do tráfico, se ninguém consumisse drogas. Afinal, nenhuma empresa consegue seguir em frente sem que seus produtos sejam comprados. “Uma erva natural num pode te prejudicar?”, esse é o maior papo furado do planeta, grande parte dos venenos mais eficazes são ervas diretamente da mãe natureza. Esta frase costuma ser usada, em versões modificadas e variadas por naturalistas, macrobióticos, vegetarianos e outros chatos.
Esses aliás não tem o menor senso de “timing”. Uma vez eu estava apreciando uma boa refeição quando uma amiga vegetariana me disse “isso que você está comendo é um animal em estado de putrefação”. Honestamente? Vai à merda! Isso é hora de ficar falando essas coisas? Tratando o assunto assim, a pessoa sai do campo da crítica e do debate e entra no campo da total falta de respeito; é como se eu entrar numa missa e arrotar na cara do padre ao invés de publicar uma crítica construtiva da religião católica. Agindo de maneira não educada você perde totalmente a razão e ninguém irá levar sua crítica a sério, por mais certo que você esteja. Você pode não querer comer carne por qual for o motivo, mas não tente me convencer de que eu vou morrer por isso, de que minha vida é menos saudável que a sua (ao contrário da crença geral dos naturebas, comer carne não significa comer EXCLUSIVAMENTE carne, eu como de tudo). Claro, eu também não preciso de carne pra viver. Mas eu também não preciso de chocolate, eu como porque eu gosto. E garanto que se a galinha tivesse os meios, me matava pra fazer um Mafra ao molho pardo. Se comer carne é tão ruim assim, porque eles continuam tentando imitiar os nossos pratos? “Feijoada Vegetariana”? “Torresmo de Soja”? Isso é como aquelas bonecas infláveis: algumas pessoas até tem prazer, mas a maioria tem vontade de rir. Ok, confesso que já comi uns quitutes naturebas, e não eram ruins, mas não abandonei o rosbife. Por mim podem
continuar divulgando o meio de vida deles, numa boa, só não quero que atrapalhem minhas refeições sangrentas.
Eu vi uma menina escrever para a revista Capricho dizendo que eles deviam “falar mais da realidade”. Que realidade? O que é a realidade? Ouvir “O Rappa” não a torna uma garota do morro, ela ainda é uma menina de classe média que tem medo de pegar ônibus da escola pra casa. Ainda por cima: Revista Capricho? A revista mais fútil do planeta. Com o agravante de não ser como uma Caras, que veste e admite sua futilidade; fica se mascarando sob pretextos pseudo-educativos e pseudo-intelectuais.
Como eu disse, procurar modelos de comportamento e ideologias para seguir é algo
importante na vida, é parte de um sistema de identificação na sociedade. Mas acho que antes de mais nada é preciso realmente entender aquilo que se está apoiando, se é algo realmente produtivo para você ou para o bem comum, e se você tem a capacidade, potencial e disposição necessários para tocar isso pra frente. Perder uma discussão por estar errado é mais nobre do que perder uma discussão por falta de argumento/conhecimento. Será que a falta de conhecimento não estaria na raiz da própria causa? Eu realmente não sei de tudo, nem de todas as causas. Defender uma causa pra mim me parece algo importante, que deve ser levado a sério, e provavelmente o problema atualmente está justamente nisso. As pessoas gostam de brincar, de fazer arruaça, e escolhem o primeiro símbolo “legalzinho” pelo qual fazer isso. Nessas manifestações anticapitalistas que vejo por aí, aposto que ao menos 80% dos atendentes não faz idéia do que está gritando. Eu também adoro confusão, possivelmente uma confusão global seja o único meio do mundo mudar de verdade, mas não me escondo atrás das idéias dos outros para causar tal confusão.
É fácil para alguém como seu, sem causa, falar mal, mas pelo menos o mínimo para não tornar o mundo pior eu faço. E como parte do mínimo, eu não me engajo em causas em que não acredito. Cinicismo e sarcasmo são meus meios de vida, ser politicamente correto não funciona mais pra mim, quero comprar uma camiseta “morte ao mccancer” e ir ao Mc pedir um número 1. Quero comer picanha na sexta-feira santa. Quero vestir preto no reveillón. Posso ter cometido erros crassos em algumas das minhas críticas, mas paciência, entendam que não sou um cara malvado, apenas desiludido, se alguém se sentiu ofendido com algo que escrevi, use isso para evoluir, pois a minha crítica postada aqui não é nada comparada
E agora o tal e-mail da garota:
Olá senhor Fernando Mafra,
eu li um coméntário seu e estou chocada…você diz que nunca fez parate de um movimento onde por exemplo, as pessoas utilizam camisetas com suásticas coratadas…e aí?! por isso nós devemos deixar de nos revoltar com um mundo que parece năo ter concerto?! que os adultos de hoje o destroem achando que ISSO é evoluçăo…francamente…! Preste atençăo no que acontece a sua volta…pessoas nacionalistas exageradas e homofobicas matam e torturam as pessoas que resolvem ter uma outra opçăo sexual ou porque SIMPLESMENTE POSSUEM UMA COR QUE NĂO O AGRADAM E ATÉ OS ENOJAM!!!! eu conheço isso de perto…tenho muitos amigos racistas…mas nem por isso aceito o que eles acham certo…você nos chama de ABORRECENTES o que você tem na cabeça?!?!?! se nós aborrecemos os adultos é porque vocês estăo longe MUITO longe de nos entender… entender que se somos aborrecidos temos nossos motivos…mas também…năo é para menos se é que você me entende… o mundo está um PORRE!!! TODO MUNDO SE MATA SEM QUALQUER RAZĂO!!! VIVEMOS NUM MUNDO EM QUE SOMOS ABANDONADOS QUANDO PEQUENOS…POR QUEM??!! ADULTOS IRRESPONSAVEIS!! colocar a culpa na gente é muito facil cara…dificil é assumir que a culpa é toda de vocês…e que nós apenas refletimos o que vocês săo e fazem com o NOSSO MUNDO!! você zuou daquela garota que pediu que a revista escrevesse sobre a realidade…por algum acaso você sabia de que realidade ela estava falando?? DA DELA!!
NĂO DA SUA OU DE QUALQUER UM…E SIM DA DELA… VOCÊS QUEREM QUE AGENTE SE ENCAIXE NO MUNDO DE VOCÊS SEM QUESTIONAR…QUE O SINONIMO DE FELICIDADE É CASAR E TER FILHOS…HÁHÁHÁHÁ!!! SINCERAMENTE A FELICIDADE NĂO É ISSU CARA…FELICIDADE É TER A LIBERDADE DE PODER FAZER O QUE ENTENDE DENTRO DE UMA RESPONSABILIDADE SEM TER QUE LEVAR UM TAPA QUANDO ERRAR…POIS É ERRANDO QUE SE APRENDE…agora vocês năo nos deixam evoluir…temos de ser miniaturas de vocês sem questionar…e vocês ainda se perguntam PORQUE ESSE MUNDO NĂO ANDA!!! C VOCÊS ERRAM NÓS ERRAMOS TAMBÉM POIS TEMOS DE EXATAMENTE COMO VOCÊS…eu năo axo isso certo!! você deveria repensar seus conceitos porque sinceramente eles săo muito superficiais…você năo sabe absolutamente NADA sobre adolescentes…soh o suficiente que você viveu…e acha que o que você acha é o certo…sinto muito…mas essa năo é a verdade!!!
Valeu ae pela atençăo…é legal quando somos escutados de vez em quando!
Se quiser falar comigo ou tirar satisfaçơes por esse e-mail pode entrar em contato que terei muito prazer em falar com o senhor…ma_rina6@zipmail.com.br….Tchau…
Vou reter meus comentários, por favor façam os seus….
misato
Vamos falar agora de filmes. E de animes. Pra ser mais preciso, de um filme baseado em um anime. E não é qualquer anime. É meu anime preferido de longe. Não, não sou um otaku (fanático por animes), mas tenho um relativo contato com esse universo, mesmo não tendo assistido tanta coisa assim.
Estou falando de Neon Genesis Evangelion, um anime que eu simplesmente amo. Ele não é tão difícil de acompanhar como outros animes, já que é composto de apenas uma temporada e “um filme e meio”.
Acontece que um filme live-action (com pessoinhas) está atualmente em estágio de pré-produção, e os responsáveis pelos efeitos especiais são os caras da WETA, a mesma companhia Neo-Zelandesa que fez os efeitos do Senhor dos Anéis. Vou colocar aqui algumas imagens do Aint it Cool News pra vocês sentirem a epicidade (o grau épico
e o drama da bagaça.

Tokyo 3 ou New City
É aqui que a ação acontece. Note que em primeiro plano tem uns prédios detonados no meio da água. Isso é por conta de uma catástrofe global que aconteceu em 2000 (EVA se passa em 2015) e Tokyo 3/New City é uma cidade novinha em folha e está no fundo da imagem.

Asuka Langley Soryu ou Kate Ross
Essa é uma das personagem principais e minha preferida. Ela tem 14 anos e é uma das três combatentes. Você pode se perguntar por que uma criança estaria lutando. Bem, em Eva há uma razão para tudo. Inclusive essa é sua roupa especial para a treta.

Sala de controle da NERV
NERV é a responsável por proteger toda a humanidade. E aqui é a sala de controle principal e onde se operam os mega-computadores MAGI e se coordena as tretas.

Depósito de armas
Essas são algumas das armas usadas nas lutas. Por favor repare que aqueles risquinhos ali embaixo são pessoas.

EVA-02. Pilotado pela Asuka

Os três EVAs em strand-by
Antes que você diga: Mas outro anime de robos gigantes! Que bosta! Vou dizendo já que EVAs não são robôs, pra saber o que eles são, tem que assistir, e mesmo os que assistem nem descobrem o que eles realmente são.
O grande trunfo de EVA é seu final. Seus dois finais, aliás. Ambos são excelentes (o filme animado do EVA foi feito para substituir o final da série, mal recebido pelos fãs japoneses; mas eu gostei dos dois). E a série toda é a preparação para esse final. Relações humanas complicadas, mistério, conspirações, religião, profecias, joguetes políticos, ação e sangue, muito sangue. Se vocês acham que Evil Dead e Fome Animal eram filmes com muito sangue é porque ainda não viram Evangelion realmente. E é bastante complicado realmente entender EVA, muita gente que já viu tudo ainda não entende nada. Não que seja chato, você consegue ver numa boa e se divertir, mas não necessariamente absorver.
Claro que tudo que estou falando se refere à série. Eu vou chutar que o filme irá se concentrar na ação, já que EVA é um universo realmente muito complexo.
Vocês devem ter reparado que algumas coisas tem dois nomes. Bem, os nomes japas são do anime, e os em inglês são os nomes que aparecem nas legendas dos desenhos, bem pequeno no canto, meio ruim de ler. E com certeza são os nomes que serão usado no filme.
O Marcos reclamou disso, falando que a alopração já começou. Bem, eu não iria tão longe. Claro que eu, como fã da parada, fico um pouco triste de ver os nomes sendo estuprados, e provavelmente algumas outras características também serão. Mas isso não significa que será uma adaptação ruim, existem muitos outros fatores a serem considerados.
Basta pensarem em Alta Fidelidade. O filme ficou uma bosta por se passar em Chicago e não em Londres? Ou pelo nome do personagem ter sido trocado de Rob Flemming para Rob Gordon? Eu acho o filme excelente!
Adaptação não é algo simples, e não se resume a transcrever literalmente os eventos de um meio para outro. De longe é isso. Recomendo que dêem uma espiada no meu trabalho do Batman, pois é disso que ele trata realmente; e o assunto pode ser expandido ainda mais.
battlefield earth – parte II: sci-fi
Bom, resolvi incluir outra parte na minha saga sobre Cientologia. Creio que será a mais curta de todas.
Só quero explicar um pouco mais sobre a Ficção Científica de L. Ron Hubbard. Como disse ela é bem estranha e ingênua, ele trabalhou como escritor principalmente durante a década de 30, se não em engano. Mas o estilo das histórias dele é realmente única: Bela porcaria.
Dentre os entusiastas da Ficção Científica, existem várias maneiras de sub-classificar o gênero. Inclusive existe uma noção de que coisas como Star Trek e Star Wars não poderiam nem ser chamadas de ficção científica pois são tão distantes do lado científico da coisa que não lhes caberia essa honra (embora vários trekkers hardcore discordem), mas creio que isso é um pouco demais.
Como um mero apreciador do gênero (do qual estou meio afastado faz um tempo, especialmente em termos literários), posso fazer umas divisões mais simplistas. Existe uma ficção-científica ingênua, mas que ainda entretém, que usa elementos de sci-fi apenas como pano de fundo para uma divertida história famíliar como Perdidos no Espaço. Ou Ficção-Científica bem distante do lado científico, mas bem próximo do lado de heroísmo e aventura, como Star Wars (antigo, per favore). Há também aquela que tenta usar de metáforas para explorar questões presentes hoje, extrapolando situações e substituindo negros por robôs e russos por alienígenas e coisas do tipo como Star Trek fez. E existe aquela ficção científica mais hardcore, que tenta realmente criar e explorar diferentes teorias envolvendo tecnologias inexistentes, como Asimov.
Isso dito, direi agora que Hubbard é algo ingênuo, com grandes toques de aventura e heroísmo, que usa metáforas pobres e acha que está fazendo algo hardcore.
O mais famoso de seus livros é justamente Battlefield Earth. Publicado no Brasil como A Reconquista – Campo de Batalha: Terra. Que na verdade foi escrito em 1980, décadas depois da chamada Era de Ouro da Ficção Cientifica (que clamam Hubbard ser um grande representante).
Nesse livro, a Terra foi dominada por alienígenas possuidores de altíssima tecnologia chamados Psychlos; que mineram todo o ouro possível do planeta, e escravizam os humanos que encontram. Os que não foram escravizados vivem como homens das cavernas, com medo e tudo mais. É então que o herói, com o ridículo nome de Jonnie Goodboy Tyler, decide sair das cavernas em busca de algo melhor. Ele acaba se deparando com um Psychlo com um plano egoísta e diabólico, mas que é na verdade tão burro como uma porta e dá a Jonnie tudo que ele precisa para libertar a humanidade.
Não vou dar muitos detalhes porque cansa e se alguém quiser ler essa meleca, vá em frente. Vale lembrar que a ciência mencionada no livro é altamente inverossímil, o livro é extremamente machista, um tanto quanto fascista e usa sim conceitos Cientológicos em sua trama (a começar com o nome dos vilões: Psychlos).
Talvez vocês se lembrem que John Travolta estreou um filme baseado nesse livro. Pois é, e o filme já dá pano pra manga de tão ruim que é. Na verdade, o que ele faz é destacar absurdamente tudo que o livro tem de pior, e o final do filme (que é a metade do livro) não ajuda nem um pouco.
links interessantes:
amazon[inglês]: Compre o livro e confira por si próprio. Ou apenas confira os reviews conflitantes dos leitores.
imdb [inglês]: Informações e fórum sobre o mair desperdício de dinheiro da história do cinema.
imdb [inglês]: Informações sobre a cancelada série animada.