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caché
O título pouco tem a ver com o conteúdo do Post. Mas acabo de assistir a esse filme com a Xú. E tão logo saímos do cinema fomos abordados por um sujeito perguntando se falávamos inglês.
Me esqueci o nome da figura, mas sua história é de que era um sul-africano que foi assaltado na Praça da República (nos mostrou o B.O. datado de 20 de Abril) e perdeu dinheiro e passaporte. Tendo ido ao consulado, eles só conseguiriam emitir os papéis na segunda feira, e sem os documentos não consegue tirar dinheiro no banco.
Então ele nos humildemente, como os garotos que fazem malabarismo nos sinais, pediu algum dinheiro pra comprar comida e arrumar um lugar pra dormir. Depois de trocarmos algumas impressões sobre o centro de SP, o Rio de Janeiro, cachaça e caipirinha, sermos interrompidos por um pedido de cigarro, uma distribuição de folhetos de teatro e um cara perguntando se ainda estava passando ônibus, acabei dando dois reais pro cara, a Xú não deu nada.
Segundo ela o inglês dele era muito limpo, ou muito certinho para engolir a história. Eu discordo, ele tinha sim um sotaque, um que eu não era capaz de identificar a origem (podendo muito bem ser sul-africano, afinal ouvi pouquíssimos sul-africanos falando na vida – devo acrescentar: Afrikander, pois ele era branco). A minha teoria é que ele foi na república comprar crack e levou a pior, e agora precisa de dinheiro pra comprar mais crack.
Todo esse movimento na Av. Paulista as 2 horas da manhã.
it’s my party
Vendo as fotos da minha festa Glam fui capaz de resumir a situação fraternal paulistana que vivo. Há alguns anos eu me sentia confortável para dar uma festa e saber que pessoas viriam e que seria legal, hoje não.
zé carioca
zé carioca
O leitor Claudio Luiz Rossini foi no mínimo infeliz ao mencionar que os cariocas apelam para a promiscuidade. Para muitos, uma cidade litorânea, com suas mulheres de biquínis, significa necessariamente um povo promíscuo, o que não é verdade, como qualquer pessoa inteligente sabe. Sou carioca e não tenho culpa se a praia está facilmente ao meu alcance e não preciso pagar pedágio para chegar à ela. Chega desse bairrismo tolo que não leva a lugar nenhum.
Edson Cláudio Lanzarini, 40, economista
Muito estranho o sujeito dizer “chega de bairrismo” logo depois de uma frase super pacífica, amenizadora e integradora como essa.
Eu sou bairrista no sentido de que amo SP. Amo mesmo, e não gosto quando as pessoas ficam xingando. Claro que a cidade está cheia de problemas, mas ainda gosto dela. A mesma coisa com BH. O Rio? Não conheço. Tenho amigos que moram lá que gostaria de visitar, mas pessoas que falam esse tipo de asneira são justamente o que tiram o tesão de fazer a viagem. Meu bairrismo é piada, só pra relxar e dar risada. Algumas pessoas ficam assustadas com minha capacidade de falar mal do Rio e dos cariocas, mas não prexia levar (tudo) à sério. Conheço cariocas legais e idiotas, e o mesmo vale para paulistas e mineiros.
Outro problema dessa frase infeliz é o que eu chamo de “cultura da praia”. Existe uma noção entre as pessoas de que estar na praia sempre é algo bom, de que todos os problemas vão embora se estivermos na praia. Chega a ser insuportável as vezes. Eu até gosto da praia, me divirto com as ondas, como uma criança. Mas o sal! O sol! O sol com o sal! O cheiro! As pessoas andando de roupa de banho o tempo inteiro! Até nos restaurantes!
Gosto de viajar em geral. Existem vários motivos para que eu vá para algum lugar: Visitar amigos; gastronomia; valor histórico; aventura; natureza; conforto; calma; frênese; coisas exóticas. E nada disso depende de ser uma praia. Para muitas pessoas férias=praia, não pra mim.
Uma vez eu disse e digo de novo: São Paulo está longe o suficiente da praia para que não sofra as conseqüências da maresia em seus carros e equipamentos eletrônicos e próximo o suficiente para que surfistas sejam uma classe em ascenção.
E eu garanto, cariocas, nosso problema não é “inveja de praia”, é “inveja de folga”. Eita povinho espaçoso….
cry myself blind
cry myself blind
Às vezes você acorda com uma tristeza que não sabe de onde vem. Ontem acordou com o mesmo sentimento, mas sabia muito bem de onde vinha. Então não se sente motivado. Pensa em não ir no treino logo cedo, que precisa dormir mais e que se for cansado não vai render de qualquer maneira e tenta se conformar com isso. Mas deita de novo, derrama uma lágrima e percebe que não vai mais conseguir pegar no sono.
É então que se lembra que a tristeza está relacionada com isso. Conformismo e desistência. E pensa “tenho que levar isso a sério, e até o fim”. Levanta, troca de roupa e sai de casa.
Mas a tristeza não foi embora. Hoje, na porta do banco, no meio da Avenida Paulista, perto da hora do rush, sentou e chorou.
grafitti
grafitti
na folha de hoje:
Guerra do grafite mancha túnel da Paulista
Eu digo: bem feito! Eu nem sabia que os desenhos anteriores, que eu vi tantas vezes passando por aquele tunel, apelidado apropriadamente de buraco da paulista haviam sido cobertos.
E cobertos pelo que? Reproduções de obras de pessoas mortas e chatas. Nada contra os modernistas. Mas quem sai ganhando com aquelas reproduções? São de artistas consagrados e que já integram os anais da História da Arte no Brasil e no mundo. E o que aconteceu com os tantos outros trabalhos, realizados coletivamente em um esforço cívico de tornar aquele buraco uma expressão artística honesta e interessante.
Provavelmente mais uma decisão tomada em comitê. Os antigos desenhos eram parte da cultura e contavam uma história. As reproduções modernistas são um ótimo exemplo de decisão arbitrária, sem fundamento, autoritária e repressora. Tais atitudes já têm se mostrado presentes no governo federal, e agora mostrou seu maior braço na administração da Marta.
Podem me chamar de exagerado. Mas eu acho isso mesmo. É o fim da picada. Pessoas comuns, daquelas que pegam os ônibus lotados, suam para pagar as contas ou conseguir um estudo decente; decidem dedicar tempo, esforço e recurso para se expressarem e deixarem uma marca interessante e válida na cidade. Então a prefeitura decide que seria melhor apagar isso tudo e colocar reproduções de obras. Reproduções! Ainda se fossem painéis originais, gentilmente doados, eu poderia perdoar. Mas isso é ridículo.
Posso estar sendo romântico demais, também. Bem possivelmente quem desenhou tudo aquilo só estava querendo se divertir. O que é ainda melhor.
Fora que existem tantos outros lugares na cidade que merecem atenção e embelezamento. O viaduto perto da minha casa é uma desgraça de feio. Ele costumava ter grafites há vários anos atras. Foram pintados de cinza. E agora existem uns canteiros esquisitos; com uma montanha de terra e algumas plantas feias. Como tenho saudades dos grafites.
Portanto, pichar as atuais reproduções é uma ação de protesto extremamente válida. E até digo que é leve. Eu sugiro que os grafiteiros se organizem para realizar uma grafitada intensa, feita toda em uma noite; recobrindo esses absurdos com algo mais divertido e interessante.