Archive for the ‘nerd’ tag
Campus Party 2010
Para não dizer que não falei das flores, vou registrar aqui que semana passada estive na CampusParty 2010.
Em parte pelo Overmundo e em parte pela boo-box. Sigam os links para os diferentes pontos de vista desta humilde personalidade múltipla.
Confira também o CampusBabes, projeto do qual participei por lá. E veja minhas fotos no Flickr.
o meme da da inclusão digital do meme
Este é meu post que irá acabar com a internet para sempre. Ele é pesadinho, tem muitos temas polêmicos, imagens bombásticas e vídeos reveladores. Sei que meus leitores são compostos pela nata da web, por isso não tenho dúvidas que irão entender o sarcasmo da primeira parte. Isso de lado, o post é bem sério, portanto preparem-se para:
A Inclusão Digital
A idéia de que a Inclusão Digital é uma praga que deve ser combatida está mais que presente. Ela é feia, mal feita e inconveniente. Afinal dá super-poderes aos pobres, basicamente. Gente que nem tem dinheiro pra comprar algo melhor que um Monza 85 pode comprar um computador, e um computador é muito mais perigoso que um monza 87. Todos sabemos que pobres não merecem super-poderes. Não é mesmo? Não fosse pela Inclusão, não estaríamos sujeitos a tais atrocidades:
Ah, me desculpem! LOLcats e pôsteres (des)motivacionais são geniais! São inteligeníssimos! Engraçadíssimos! E o sujeito que conseguiu juntar esses dois fênomenos eruditos da nossa era merece o Nobel da Internet.
Deixando os gringos geniais de lado e voltando aos pobres ignorantes. Além dos exemplos acima, somos obrigados a aturar interferências inomináveis em nosso dia-a-dia de alto invel intelectual, tais como:
- Comentários ingnorantes em nossos blogs
- E-mails de contato sem o menor sentido
- Powerpoints com imagens cretinas
- Vídeos enviados por email
- Fotologs
- Emos Chilenos
- Pedidos de suporte técnico pelo MSN
E o pior de todos de longe: A Orkutização do Twitter, também conhecida como o “Apocalipse da Era Pós-Moderna”.
Afinal, o Twitter é o ápice comunicativo do homo sapiens. Manipular essa fenomenal ferramenta não é para qualquer um. A carga intelectual contida em 140 caracteres é profunda demais para o proletariado. Eles vão estragar nossa amada ferramenta. Como habitantes de favelas irão compreender a profundidade de conceitos complexos como hashtags e memes? Jamais poderiam colaborar beneficamente para o twitter, é necessário nivel universitário para bolar algo genial assim:
O meme
Já cansei de ver em twitters, blogs e em conversas ao vivo declarações como: “estou lançando um novo meme” ou, “me mandaram este meme” e coisas do tipo. Obviamente quem fala esse tipo de baboseira não tem a menor idéia do que significa meme.
Um meme, termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller O Gene Egoísta
, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.
Como vejo sendo usado por ai o termo significa basicamente “corrente”. Acha que estou inventando? Veja este post da Elisa Mafra (tá, mencionei um nome, mas está tudo em família). Qual a diferença entre ele e aqueles longos e-mails questionários que corriam em listas de discussão há 8 anos? Ou os jogos cretinos de comunidades do Orkut e comentários do Youtube?
Memes não são joguinhos, correntes ou personagens, por mais divertidos que sejam. São conceitos, idéias, frases, melodias. Não são fenômenos exclusivos da internet ou de qualquer meio. Posso estar enganado, mas até o bom e velho “leite com manga faz mal” poderia ser considerado um meme. Não há como forçar um, ou dizer “estou te passando este meme”.
Claro que a internet facilita muito a disseminação de memes, um dos maiores exemplos confirmados está neste link. E um dos meus favoritos pessoais é All Your Base Are Belong to Us:
Os dias que não acabam
Ontem, que foi o Dia da Toalha, travei o seguinte e breve diálogo no MSN:
(amiga anonima)
parabéns pelo seu dia
Fernando Mafra
eu não sou toalha
Fiquei sabendo que era o tal do Geek Pride Day só ontem. Desde que me entendo por nerd, hoje é Dia da Toalha. E ainda emendei:
quem é nerd mesmo celebra o dia da toalha
nerd não se celebra, é humilde
Ou como @rafaelxy resumiu melhor em menos de brilhantíssimos 140 caracteres:
E já que é pra aloprar, ontem também foi Star Wars day. E deve ter sido inúmeros outros days. Toda semana tem um day novo na web.
De volta ao meme
E aí está a questão. Todos querem bolar um dia novo. Talk Like a Pirate Day, #cartoonday, #fakeday e sabe-se lá mais quantos. Todo mundo gritando e criando barulho tentando inventar um novo meme, pelo menos segundo sua definição própria de meme -- mesmo que não saiba disso.
O conceito de meme é um ótimo exemplo para derrubar essa noção de que a Inclusão Digital é algo ruim. Claro que muitos, como eu fiz acima, estão tirando um sarro quando esculacham a Inclusão -- sinceramente não creio que ninguém que eu conheça sinceramente sinta que a Inclusão Digital é de fato algo ruim. Mas as piadinhas cansam, e como no caso do racismo e da homofobia creio que para outros tantos a piada tem uma pitada de verdade.
Não que eu seja contra as piadas, pseudo-memes eventos ou jogos internéticos. Alguns são de fato divertidos, e participo. Outros nem tanto. E alguns são simplesmente imbecis e com um alto potencial de dar merda. O que me incomoda é o auto-posicionamento como “elite” em detrimento dos “pobres ignorantes” que habitam o Orkut. Como disse bem @marcogomes:
Lembro-me de uma conversa com uma professora do Ensino Fundamental. Ela lecionava em uma escola pública da periferia e uma privada de alto-padrão, daquelas que a Veja São Paulo gosta de mostrar na capa. Um dia, curiosos, os alunos particulares lhe perguntaram o que seus equivalentes da periferia faziam em seu dia-a-dia. Algo nobre, não fosse o tom de deboche embutido na pergunta -- como quando você pergunta para um fã de Naruto porque ele tem aquela faixa cretina na testa. A resposta da professora foi simples: “O mesmo que vocês. Assistem novela, faustão, vão a festinhas e ouvem pagode.”
Antes de nos colocarmos por cima da carne seca, melhor pensar um pouco, não? Afinal, podemos estar por cima da merda, isso sim:
O problema na Inclusão digital não está na parte inclusiva, e sim na parte excludente. Pessoas que desmerecem ou excluem algo simplesmente por ser fruto daquilo que elas consideram ser a tal inclusão. A falta de educação apropriada, nas duas pontas do espectro.
Problemas “da internet” geralmente são problemas pré-existentes. Mas como todo tipo de informação eles apenas são mais visíveias agora. E confrontada com eles, a elite pseudo-intelectual fica enojada ao invés de tomar qualquer atitude para reverter. E nisso incluo todos os fenômenos colaborativos/sociais dos quais ouço reclamações mesquinhas: Wikipedia, Twitter, Orkut, Youtube, Blogs, etc e tal.
Twitteiros elitistas torcem o nariz para usuários de Orkut enquanto se esbaldam na Wikipedia. Mas se esquecem que acadêmicos torcem o nariz e muito mais para eles. Não que os acadêmicos estejam certos, muito pelo contrário.
Mas os web-elitistas se comportam de maneira cretina e inconsistente, enfraquecendo o poder das ferramentas, desmerecendo o comportamento de uns enquanto consideram o seu indispensável -- na mesma linha da classe média paulistana: Para o web-elitista, o Orkut é como um ônibus e o Twitter como um carro. O ônibus é algo feio, pesado e nojento que pode até ser útil para muita gente, mas como não é útil para ele só está atrapalhando sua experiência na web. E ai de seus usuários se resolverem comprar um carrinho ou uma moto, quanto mais criar uma conta no Twitter!
A desculpa é que os web-elitistas “sabem” como usar a ferramenta propriamente. E quem disse que a escurraçada @vinhaa não sabe usar o Twitter? Ela não pode aprender? Ninguém pode mostrar? Imaginem se ao cometer um erro em uma prova o aluno ouvisse de seu professor: “Você não sabe porra nenhuma. Fora da minha sala” -- grande progresso para todos, não é mesmo?
Mas nem tudo é má notícia. Afinal, todos os que odeiam Orkut mas adoram #days podem celebrar pois de fato estão exercitando e alimentando um meme: O de que a Inclusão Digital é uma merda. Parabéns, vocês não ensinaram nada para a @vinhaa mas estou aqui demonstranto pra vocês como contribuiram para um meme.
Claro que posso estar completamente errado em minhas críticas. Por isso vou me proteger com um vídeo de Richard Dawkings, totalmente fora de contexto:
v – a série
Já que hoje o twitter não para de falar de “dia do orgulho nerd“, que nada mais é que uma apropriação canhestra do Towel Day adaptada para fãs de Matrix, vou entrar no bonde e falar de Ficção Científica. Na verdade, continuar falando, como os arquivos do blog podem mostrar. Quem tem mais de 26 anos e se diz nerd tem que lembrar de V, aquela série de TV sobre os Visitantes com “V” maiúsculo.
Na onda dos remakes, reboots, re-imaginações e ressacas de seriados e filmes antigos, V acaba de ser agraciado com um trailer – estrelando a gatinha brasileira do Firefly e o carinha do Party of Five que sonhava em ser o Tom Cruise do novo milênio:
Para os que não lembram ou não conheceram, V foram duas mini-séries e uma série de uma temporada dos anos 80. Com Michael Ironside e o cara que faz o Freddy, V contava a opressão e distopia trazida pelos Visitantes à Terra, numa óbvia alegora do nazismo. Pelo trailer, a pegada do remake parece ser a de manter o aspecto nazista, embora mais sutil, e injetar elementos religiosos, seguindo a onda de Battlestar Galactica.
Para ser sincero, eu era muito pequeno quando assistia ao seriado no SBT, em uma televisão pretro e branca de 4 polegadas, o que me impedia de ver o vermelho dos uniformes.
Mas era bastante impressionado pelo fato dos alienígenas serem na verdade lagartos gigantes com máscaras que comiam besouros e ratos – fato que algumas pessoas levaram a sério.
Sobre o trailer, o conceito tem potencial embora os atores não me empolguem e os efeitos pareçam pobres. Mas se parar para pensar, o original não estabeleceu padrões muito altos também:
the nerd is dead
NOTA: Comecei esse texto como uma reflexão sobre minha relação com Star Trek. Mas ele acabou tomando outra forma, embora ainda bastante relacionada. O texto sobre Star Trek e eu virá em breve. Mas por enquanto fiquem com essa elocubração que venho mastigando a algum tempo, sobre como creio que o sentido da palavra nerd se perdeu nos dias de hoje.

Creio firmemente que nerds e geeks são conceitos completamente perdidos nos dias de hoje. Por questões práticas usarei apenas o termo nerd para significar ambos e dispensar o longo e estúpido debate de qual é a diferença. Hoje em dia não se passa um dia sem que alguém bata no peito declarando ser nerd, ou uma semana sem que algum veículo grande de mídia mencione o assunto de uma forma ou de outra. Basicamente, para ser nerd hoje basta gostar qualquer seriado que tenha algo de sobrenatural/tecnologico e passar muito tempo conversando com pessoas no computador. Convenhamos, todos que trabalha em um escritório passa a maior parte do tempo conversando com pessoas por um computador, a partir daí basta chegar em casa e ligar no Sony ou Warner. Pronto, temos um “nerd”.
Não ao meu ver. Creio em outra definição, alinhada ao significado original de Otaku: Alguém extremamente dedicado, muitas vezes cegamente, a um punhado de atividades. Sejam elas envolvidas com seu trabalho, seu gosto em cultura popular ou hobby – de empilhadeiras a cantoras pop pré-fabricadas tipo Britney Spears. Exemplos clássicos de figuras assim seriam Leonardo da Vinci
, Isaac Newton, Steve Wozniak e um punhado serial killers. E hoje em dia, com uma pessoa famosa por semana, são poucos aqueles que realmente se dedicam a algo.
O final dos anos 90 marcou um grande declinio na população nerd clássica. A proliferação da tecnologia e facilidade de acesso a informação fez com que o conceito abrisse as pernas e passasse a incluir toda a gama de nerdices que temos hoje. Ao ponto de que declarar-se nerd chega a ser cool. Bem, se é cool, não pode ser nerd. Ainda existem true nerds por aí, mas raramente ouvimos falar deles. E porquê? Eles não gostam de atenção. Nerds gostam de sua dedicação e dos universos que criam em volta delas, são aversos a interferências externas. Não gostam da mídia fazendo circo em volta deles.
Como parte desse novo formato do conceito de nerd, os frutos da cultura pop considerados extremamente nerds passaram a tomar uma nova faceta também. Como declarar-se nerd, elas também passaram a ser cool. Seriados de dedicação extrema e trama intrincada como Lost, Star Wars
, Senhor dos Anéis
e Super-heróis; todos se tornaram mega super sucessos e verdadeiras manias sem fim. Jogos de RPG deixaram de significar um bando de adolescentes espinhudos reunidos em uma mesa na madrugada para ser um gênero de video-game altamente lucrativo. Antigas franquias de ficção-científica ganharam nova roupagem, como Speed Racer
, o já mencionado Star Wars, Terminator
, Battlestar Galactica
, Super Máquina, Mulher Biônica
e vários outros – independente do grau de sucesso original.
Claro que muitos dos exemplos que dei foram de fato bem sucedidos no passado, caso contrário não teriam durado tanto no imaginário popular. Mas não havia a opinião generalizada de que Obi-Wan Kenobi, além de assunto nerd, era um cara super cool. Muitas pessoas admitiam que gostavam de “coisas de nerd” apenas em lugares fechados e de pouco acesso, jamais batendo no peito e gritando por aí. Os nerds se guardavam para si.
De maneira nenhuma eu acho que tudo tenha que parar e precisamos dar uma freada. Embora aquele cara gorducho de camisa-azul clara e protetor de bolso, que trabalha com mainframes em um porão e tem uma coleção de bonecos do Optimus Prime, deve ter tido um enfarto ao ver o filme dos Transformers. Que venha mais e mais, mas com qualidade, por favor, não me façam assistir Elektra. Eu só enxergo que tudo isso, simplesmente deixou de ser nerd.
Me parece que estou me comportando como uma metalinguagem humana. Sendo um nerd a respeito do termo nerd. Mas isso está além do meu controle. Está na hora de aceitar que o termo se perdeu, e nada mais será como antes. O futuro já chegou. Como disse uma vez, a realidade atual é cyberpunk. Por isso, passarei a usar o termo Otaku, que apesar de distorcido no ocidente para significar o “nerd de anime”, ainda não é tão difundido – pelo menos até eu bolar um nome melhor, e bem obscuro – coisa de nerd.














