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fly marcos to the moon
Numa tentativa de manter esse blog atualizado e antenado no que está acontecendo, vamos comentar a viagem de nosso ilustríssimo cosmonauta, Marcos Pontes.
Não estou empolgadíssimo nem achando a coisa mais sensacional que aconteceu à um brasileiro. Se fosse comigo ou com algum amigo/parente, aí pode apostar que eu estaria radiante.
Mas a questão é que tampouco sou contra essa viagem. Na verdade acho bastante importante. Ouvi um papo sobre o Lula ter feito questão de pagar a viagem com os russo só para que Pontes não fosse com a Nasa, mas ouvi na forma de boato, e não de notícia, mas se for verídico concordo que é uma grande palhaçada.
Analisando a situação apenas do ponto de vista de que o gasto dos 10 milhões não foi uma escolha, e sim algo totalmente necessário, creio que a palhaçada é da parte de quem critica esse tipo de atitude, que ao meu ver não é um gasto, e sim um investimento. Aliás, palhaçada não, ignorância.
Entra aquele caquético argumento de que “tem tanta gente passando fome no Brasil e gastam 10 milhões com isso”. Haja bonequinho pra ouvir a mesma coisa tantas vezes. Isso não é um argumento, é uma desculpa para a ignorância, falta de visão ampla, ou mesmo para a hipocrisia.
Uma missão astronáutica brasileira (mesmo que englobada por uma missão russa ou estadounidense) é sim algo de valor. Para aqueles que não sabem, existe um campo do conhecimento humano chamado ciência, em que o Brasil luta para achar e manter seu lugar. Ciência não é apenas pessoas indo pra lua ou catalogar espécies desconhecidas de animais, é o que possibilita termos toda essa tecnologia sensacional à nossa volta, e por mais que você se diga averso à ela, usa computadores, telefones, eletricidade, carros e o escambau a quatro, tecnologia não significa computadores de última geração, um monjolo é tecnologia. E na ciência existe uma parte dedicada à pesquisa pura. É sim um tiro no escuro, é um salto de fé, em que um assunto é estudado apenas por ser estudado, os frutos serão colhidos depois.
Assim o é com a missão de Pontes. É difícil justificar com números um gasto de 10 milhões de reais. Mas eu mesmo, em minha imensa ignorância já sou capaz de encontrar argumentos para tal. E o maior deles é a inspiração. Antigamente uma criança brasileira se contentava em comemorar o pouso de americanos na lua ou lamentar a perda de um ônibus espacial americano, as crianças da nova geração poderão se lembrar do nosso marco no espaço. Claro que comparando o histórico das outras nações ele é ridículo, mas só porque já foram lá primeiro não devemos nos preocupar mais em ir? O assunto gera debate e perguntas dentro da comunidade científica e dentro da sala de aula, causa interesse em um assunto morto na mente dos brasileiros e do mundo: conhecimento e conquista.
Acreditar que a viagem de Pontes é um desperdício de dinheiro é o mesmo tipo de mentalidade que povoa a mente das mulheres sem-terra que destruíram um laboratório de pesquisas. Está certo que o laboratório era de uma companhia privada que pode ter muitos podres, mas por que não destruir as casas dos donos que enriquecem com isso? Destruindo o laboratório dano maior é para o conhecimento. Raiva mal direcionada não dá resultados.
Vejo o assistencialismo e o sindicalismo lutando pela manutenção da servidão. Não há um interesse em mudar a situação, apenas em remenda-la. “Sou cobrador de ônibus e não quero catracas eletrônicas pois elas me tiram o emprego.” – Porra, a máquina é que não muda de função, o sujeito pode fazer qualquer outra coisa da vida, e pode contribuir realmente para o mundo, com criatividade e inventividade. Existe um medo da liberdade e da descoberta que agrilhoa a nação. É uma luta pela continuidade do marasmo. Eu sei que não é tão simples assim, mas ao menos eu percebo que o ser humano é uma entidade pensante e criativa, e não precisa ficar no mesmo emprego repetitivo, escravizante e enfadonho para o resto da vida.
Na verdade achei bastante irônico que essa missão tenha sido financiada pelo partido do assistencialismo. Um conhecido resumiu bem nossa situação: “Plantamos laranja e importamos suco de caixinha”. Nesse bate e boca sobre padrões de televisão digital a adotar, eu acho triste que não exista o padrão brasileiro, e não para que ele fosse eleito apenas por esse critério, mas porque ele seria de fato o melhor de todos. Mas não, tecnologia não é com a gente, temos que importar. Pesquisa não é com a gente, temos que sentar e ver os outros fazerem.
Marcos Pontes ir ao espaço não vai ajudar em nada a vida de Juvenal, o cobrador, isso é óbvio. Mas é uma semente plantada para que no futuro não sejam mais necessários cobradores. Os Juvenais ainda o serão necessário, mas em ramos em que eles serão conhecidos como Juvenal, não como “o cobrador”. A função não dita o homem, o homem dita a função.
A humanidade tem uma vasta gama de exemplos em que fizemos algo apenas para provar que podemos faze-lo. A presença de Marcos é isso. È mostrar que não somos um país de plantadores de laranja, mas de pilotos, engenheiros, cientistas e muito mais.
mostra mafra de cinema – filme 1: Dumplings
Hoje vi meu primeiro filme da mostra esse ano: Dumplings. Aqui vão algumas palavras sobre ele…
Uma mulher chinesa madura, entre 40 e 50 anos, com cabeilo e pele impecáveis, roupas de grife novíssimas, unhas perfeitas e uma bela bolsa entra em um cortiço. Ela chege de táxi, obviamente, e após pedir informações em uma barbearia fétida chega ao seu destino: Uma pequena loja de bolinhos (os dumplings do título).
Uma jovem sexy com roupas de mal gosto responde e rapidamente a recebe. Ela desafia a visitante a adivinhar sua idade, o que não consegue.
Então ela começa a preparar os bolinhos, nada sutilmente, com um cutelo e mãos rápidas.
Após serví-los, a freguesa hesita e acaba por derrubar um dos bolinhos. Ela exita pois ainda pensa no recheio dos bolinhos, e não no resultado que irá adquirir com seu consumo: Fetos humanos.
O filme é sensacional, tem uma edição boa e algumas tomadas muito bem pensadas. Os efeitos especiais são excelentes e totalmente convincentes. A trilha sonora é boa, embora algumas deixas sejam um pouco bestas, e a sonoplastia é totalmente perfeita. O roteiro pode ser meio estranho, mas eu gostei. Ele não faz sensacionalismo imbecil sobre o conteúdo dos bolinhos, as personagens têm reações verossímeis e condizentes com suas personalidades; a única tentativa de susto besta é manifestada na forma de um pintinho.
Há uma mistura de cenas fortes (especialmente para mulheres – não digo isso por machismo, mas pela natureza das cenas), momentos de humor negro, frieza e humor incidental.
Valeu a pena, é bem o tipo de filme que estava afim de ver (em termos de temática) e uma das razões para se ir a mostra (em termos de inusitado). Recomendo. E que venham outros!

crunch, crunch, crunch
OBS: Foi legal também a companhia, depois de reencontrar Paulinha e Praia no Orkut, fomos juntos ao cinema depois de muito tempo, e ainda encontrei a Prof. Lucilene na fila!
queimando sutiãs para jogar video-game
queimando sutiãs para jogar video-game
Hoje é o dia da mulherada. E que belo dia para ficar sabendo que a SEGA desenvolveu uma maneira fantástica de atrair mais mulheres para o fabuloso mundo dos video-games. Trata-se de Rez, um jogo que não entendi bem do que se trata, só percebi que é bastante frenético. Mas o que isso tem a ver com mulheres? Bem, se você comprar a edição especial dele, ele vem com um trance vibrator. Se você não imagina pra que isso sirva, eu não vou me desgastar aqui explicando, mas alguém já fez isso pra mim aqui.
E uma curiosidade: A autora do texto é a vocalista da banda Dealership.
zé carioca
zé carioca
O leitor Claudio Luiz Rossini foi no mínimo infeliz ao mencionar que os cariocas apelam para a promiscuidade. Para muitos, uma cidade litorânea, com suas mulheres de biquínis, significa necessariamente um povo promíscuo, o que não é verdade, como qualquer pessoa inteligente sabe. Sou carioca e não tenho culpa se a praia está facilmente ao meu alcance e não preciso pagar pedágio para chegar à ela. Chega desse bairrismo tolo que não leva a lugar nenhum.
Edson Cláudio Lanzarini, 40, economista
Muito estranho o sujeito dizer “chega de bairrismo” logo depois de uma frase super pacífica, amenizadora e integradora como essa.
Eu sou bairrista no sentido de que amo SP. Amo mesmo, e não gosto quando as pessoas ficam xingando. Claro que a cidade está cheia de problemas, mas ainda gosto dela. A mesma coisa com BH. O Rio? Não conheço. Tenho amigos que moram lá que gostaria de visitar, mas pessoas que falam esse tipo de asneira são justamente o que tiram o tesão de fazer a viagem. Meu bairrismo é piada, só pra relxar e dar risada. Algumas pessoas ficam assustadas com minha capacidade de falar mal do Rio e dos cariocas, mas não prexia levar (tudo) à sério. Conheço cariocas legais e idiotas, e o mesmo vale para paulistas e mineiros.
Outro problema dessa frase infeliz é o que eu chamo de “cultura da praia”. Existe uma noção entre as pessoas de que estar na praia sempre é algo bom, de que todos os problemas vão embora se estivermos na praia. Chega a ser insuportável as vezes. Eu até gosto da praia, me divirto com as ondas, como uma criança. Mas o sal! O sol! O sol com o sal! O cheiro! As pessoas andando de roupa de banho o tempo inteiro! Até nos restaurantes!
Gosto de viajar em geral. Existem vários motivos para que eu vá para algum lugar: Visitar amigos; gastronomia; valor histórico; aventura; natureza; conforto; calma; frênese; coisas exóticas. E nada disso depende de ser uma praia. Para muitas pessoas férias=praia, não pra mim.
Uma vez eu disse e digo de novo: São Paulo está longe o suficiente da praia para que não sofra as conseqüências da maresia em seus carros e equipamentos eletrônicos e próximo o suficiente para que surfistas sejam uma classe em ascenção.
E eu garanto, cariocas, nosso problema não é “inveja de praia”, é “inveja de folga”. Eita povinho espaçoso….
pérolas
pérolas
Eu fico impressionado com a pacidade de algumas pessoas de falar asneira. Asneira da mais pura, não destilada. Algo interessante é que algumas delas, pegam a ponta de fio de um assunto, tomam-o para si, piram na batatinha e acham estar falando das coisas mais sábias do mundo.
E acabo de me deparar com exemplos fantásticos concentrados em uma só pessoa, em uma só entrevista. Irei colar abaixo uma seleção maravilhosa para o deleite dos meus poucos leitores:
Fiz balé clássico até os 19 anos e ioga por mais dezessete. Sempre me preocupei mais com o corpo do que com o espírito. Agora, quero encontrar o caminho da verdade. Comecei a fazer aikidô. Um sensei me dá aula particular. Ele tem uma energia fortíssima. Para você ter uma idéia, o sensei arremessa os alunos faixa preta ao chão com seus golpes. Depois, estende o braço e lhes mostra a palma da mão. Os alunos ficam congelados no lugar onde caíram só pela energia que sai da sua mão. É igual ao filme O Último Samurai. Aprendi coisas incríveis com o aikidô.
Veja – Que coisas?
Yara – A dar cambalhota, por exemplo. É mais ou menos a representação da vida. Nascemos com a possibilidade de fazer uma infinidade de coisas, mas, com o tempo, criamos arestas. O aikidô nos ajuda a aparar essas arestas e ficar mais redondos. Veja bem: redondo no contexto energético. Fisicamente, é o contrário. Aikidô emagrece e afina a cintura.
Veja – O que mais o aikidô lhe ensinou?
Yara – Aguçou meu feeling. Tenho boa intuição, mas só dei atenção a ela depois de uma experiência aterrorizante no aeroporto em Paris. Senti um frio na barriga na hora em que peguei na esteira de bagagem uma maleta Louis Vuitton, que tinha umas bobeirinhas dentro, como meu passaporte – o brasileiro, porque o italiano estava na bolsa –, um reloginho Cartier, uma maquininha digital e uns creminhos. Não dei bola para essa sensação e fui para o carro que me esperava no terminal. Você acredita que roubaram a maleta? O aikidô me fez enxergar minha parte de culpa nisso. Pressenti que iam levar a maleta e não fiz nada.
Percebam como ao mesmo tempo que desfere asneiras de pedigree, é possivel perceber a absoluta futilidade e falta de noção da realidade mundial impressas nessa mulher.
Essas declarações ridículas diminuem o Aikido à uma crendice qualquer do novo milênio. Eu pratico e não tem nada de ficar segurando os outros com a palma da mão. Com ela você empurra depois de dar uns belos chacoalhões no sujeito. E acrescento: Eu também jogo faixas-pretas longe, inclusive o Sensei. Isso não é para me gabar. Isso é o Aikido. Não existem melhores ou piores, vencedores ou perdedores. Você se supera e assim supera os obstáculos que aparecem. Não tem nada a ver com pressentir roubos de bolsas de dondoca.
Mas ela não termina no Aikido. Ela se aventura por outros terrenos da experiência humana, que tornam-a uma figura ainda mais imbecil:
Veja – Que mulheres a senhora mais admira?
Yara – Uma é a Marilyn Monroe. Ela adorava o glamour. Também me identifico com Diane de Poitiers e Aspásia. Diane viveu no século XVI e ampliou a cultura na França. Sua família tinha títulos de nobreza, como a minha. Aos 60 anos todo mundo lhe dava 30. Além disso, protegia pintores e divulgava encontros culturais. Já Aspásia foi a professora de Sócrates.
Marilyn Monroe era uma porta de tão burra. Era a típica Bimbo, não há mais nada a dizer. Notem como ela achou importante destacar os títulos de nobreza que possui. E sua humildade parece infinita, ao comparar-se com a professora de Sócrates.
Veja – A senhora é religiosa?
Yara – Fui católica até os 14 anos. Um dia, quando estava me confessando, o padre me deu uma bronca porque não havia ido à missa. Na hora, tive certeza de que o catolicismo não era o meu caminho. Quem era aquele homem para me criticar? Passei a acreditar na natureza. Creio nas árvores, nos bichos e na água. O canto do passarinho é a representação pura da energia que existe no cosmo. Daí o meu cuidado com o meio ambiente. Só uso spray de cabelo que não prejudica a camada de ozônio. Ando tendo muitas preocupações com o mundo.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAH.
Logo nota-se que ela é uma pessoa muito engajada com os problemas do planeta, afinal, o spray sem CFC para o cabelo dela balanceia bem a gasolina que o carro de 300 cavalos que ela anda queima. Isso sem mencionar as fábricas que ela e o maridão possuem.
A propósito, eu atambém acredito em água e em bichinhos. Acho que eles com certeza existem.
Veja – Quais?
Yara – A maior é com a água. Se não economizarmos, vai faltar no próximo século. Também estou apreensiva com o tempo. Li que o dia passou a ter só dezesseis horas, segundo a física quântica. É incrível como não conseguimos mais cumprir com nossos compromissos…
Veja – Como a senhora definiria a física quântica?Yara – Não sei explicar direito, mas posso dar um exemplo. Quando vou contratar alguém, além de avaliar seu currículo, procuro sentir sua energia. Se é boa, houve um encontro dos nossos campos energéticos, entendeu?
Eu realmente acredito que ela deveria presidir o próximo encontro internacional de física quântica e que Stephen Hawking deveria ceder sua cadeira e rastejar no chão em humildade por partilhar o mundo com uma mente tão brilhante no campo.
Isso foi só um gostinho. Quem quiser na íntegra, entre aqui. Tem muitos outros momentos fantásticos.
Esse tipo de merda me faz pensar em como o mundo é injusto. Não só o poder e o dinheiro está concentrado na mão de poucos, mas desses poucos, tantos são completos imbecis.