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mulher: bicho inagradável
Hoje encontrei com uma amiga no escritório e comentei:
“Nossa, você está bonita hoje.”
“Obrigada…
Só hoje?”
“Deixe-me mudar a frase: Você é bonita, mas hoje está mais arrumada.”
“Eu costumo ser bagunçada?”
Quando uma mulher não quer um elogio, nada a fara aceitá-lo. Melhor eu ter dito que era um desastre completo e que nem plástica salvaria.
Existe a possibilidade de as pessoas estarem acostumadas comigo escrachando geral e simplesmente não acreditarem nos meus elogios. Quando na verdade justamente por isso elas deveriam ficar o dobro de lisonjeadas, meus elogios são raros, portanto, valiosos.
look(ing) sharp
Sabe quando você quer alguém, mas é meio que descontinuado da vida da pessoa sem grandes explicações e só fica com a pulga atrás da orelha? E então, num belo dia quando está bem largado, mal vestido, com o cabelo tosco e uma barba escrota, comprando presente em um shopping tosco, cruza com a dita pessoa. O que fazer? Fugir, claro! Porque apresentável é que você não está.
Só podemos ficar relaxados quando cercados de pessoas que temos intimidade, caso contrário passamos a imagem de tosco – a não ser que você seja tosco mesmo, caso for, que se dane. Isso foi só para lembrar que é sempre bom estar alinhado e limpo.
Se estivesse assim, com certeza teria cumprimentado, para lembrar-lhe que existo e que estou arrasando. Pois se estiver arrasando, no mínimo um de dois pensamentos irá passar pela cabeça do outro: “Merda, desperdicei um partidão.” ou “Putz, preciso desse sabor.”
Assim você deixa uma marca boa. Bem, espero ter aprendido a lição: Jamais sair de casa parecendo um bicho reçém saído do zoológico.
sugar, spice and everything nice…
Essa é a receita anglo-saxã para criar a garota perfeita. Mas eu discordo. Na minha opinião só tudo de bom não é o suficiente, é preciso um pouco de malvadeza.
Não digo malvadeza com relação à minha pessoa, à là Femme Fatale, mas uma dose de crueldade e descrença em relação ao mundo, aquele toque de sarcasmo. Da mesma maneira é preciso haver um mix entre realidade e fantasia: saber planejar um plano de aposentadoria (fantasia) e em seguida debater qual o melhor plano para sobreviver à iminente ascenção dos zumbis (realidade).
Basta pegarmos desenhos animados como exemplo: Com quem você se casaria, a Hello Kitty ou a Pucca?
Meninas que se prezem precisam de um pouco de Chemical X.
missão alias
Assisti o novo filme do Tom loucão essa semana. Achei bem legal. Boa ação, bom desenvolvimento de personagem e boa edição.
No entando, me senti assistindo uma versão anabolizada de Alias. Temos até um técnico nerd freak e mesmo o gorducho gente boa de todas as séries do JJ Abrams estava lá, pra nada, devo acrescentar. Se bem que ele desdenhou o Cruise, e isso é muito legal.
Pra quem tá por fora, o diretor é o criador de Felicity (aquela coisa mela cueca), Alias (aquela coisa doida que pode levar nerds a melarem a cueca) e co-criador de LOST (aquela coisa manía que levam alguns a mijarem na cueca).
O filme realmente lembra muito Alias, com seqüências de ação absurdas, disfarçes e mulheres em roupas reveladoras misturados com piadas, atenção a coadjuvantes e momentos melosos regados à música pop.
O que achei bem legal foi que finalmente temos uma equipe trabalhando nas missões, que é sobre o que a série missão impossível se tratava. No primeiro filme também tinha, mas durou pouco (como é do Brian De Palma eu perdôo), enquanto no segundo havia uma patética tentativa de tornar Ethan Hunt em um Bond americano com sorriso abobalhado.
Inclusive concluí que o único filme do John Woo que eu gosto é Face/Off, de resto, nada me agrada.
A boa atenção aos cadjuvantes é um trunfo, especialmente com atores que eu curto (Jonathan Rhys-Meyres, Lawrence Fishburne, Billy Crudup, Philip Seymour-Hoffman e Ving Rhames). Fora quer uma das personagens que quebra pau é nada menos que a própria Felicity. O ponto fraco fica por conta da namoradinha/mulher de Cruise no filme, que tem cara e aje como uma retardada.
Vale o ingresso pra quem gosta de ação.
uma linda surfistinha
Sim, eu acabo de ler o livro da Bruina Surfistinha. E não me arrependo de maneira alguma. É curioso notar que, ao falar-se do livro, logo pensamos apenas em literatura barata e/ou putaria desenfreada. Quando surfistinha é na verdade uma mistura de Christiane F. com Memórias de uma Gueixa dos pobres.
O livro não é ruim, mas também não é excepcionalmente bom. Sou longe de crítico literário, e demoro pacas pra ler um livro (surfistinha foi quase um recorde, dois dias, só perde pro “Menino do dedo verde”, um dia). Mas eu fiquei satisfatóriamente surpreendido com a história e a maneira como ela é contada, e a putaria também está lá para quem quer. Recomendo, acho uma leitura válida sim.
Eu sempre achei curiosíssimo o quanto algumas pessoas (especialmente mulheres) acham lindo o filme “Uma linda mulher”. Eu acho um porre. A idéia básica do filme tem potencial, mas só seria bom mesmo se fosse dirigido pelo Tarantino ou pelo Kubrick (por méritos diferentes, naturalmente)
A questão aqui é: enquanto todos torcem pela Vivian (sim, eu lembro o nome dela) no filme; muitos torcem o nariz para a Surfistinha. Na febre de reality shows em que vivemos, a fábula nesse caso prevalesce.
Realmente não podemos comparar os méritos de uma ficção holywoodiana contra as crônicas da alameda franca. Mas o que me deixa indignado é a hipocrisia do publico em lidar com duas peças que tratam de um mesmo assunto.
Mas a hipocrisia não é exclusiva do público, ela também cabe aos autores de ambos exemplos. Pois a mensagem que tiramos no final dos dois é: “Puta só é feliz quando deixa de ser puta.”
