Archive for the ‘meio-ambiente’ tag
lavando as mãos com o mármore quente do inferno
Mais uma boa dica do Pristina. Que me levou de novo a questionar meu lugar no mundo e meu posicionamento prático. Assistam e depois leiam meus dois centavinhos:
Vamos primeiro dizer que eu não concordo com todas as políticas e atitudes do Greenpeace. Mas em muitos casos eles acertam na mosca.
Eu lavo minhas mãos com Dove todos os dias. Quem me conhece sabe bem o motivo. E se as pessoas googlassem mais o meu nome provavelmente não teria meu emprego atual. Dito isso, acabei de repassar a campanha para alguém que talvez quem sabe possa passar pra outra pessoa que talvez quem sabe um dia se estiver muuuuuito afim pode fazer algo a respeito. A parte triste é que o “fazer algo a respeito” tem grandes chances de ser inventar uma campanha mentirosa.
Hoje um amigo disse que fez um post patrocinado não-declarado em seu blog, e que “sabe que alguns consideram anti-ético mas tem dois filhos pra sustentar.” Sinto muito, aliás, nem sinto, mas isso pra mim é desculpa de ladrão. Bem, eu não tenho filho algum pra sustentar, quem sabe um dia terei. E prefiro que eles vivam num mundo com mais florestas e todas essas coisas hippies-mas-que-são-boas.
Exemplos como esse me fazem ver sangue nas mãos. Fico angustiado tentando buscar uma saída que me permita viver bem financeiramente e com a conciência limpa. Meu único escape é saber naquilo que estou metido com a consciência de que não é bonito. Seria a ignorância uma bênção?
não somos nada
Estou atento às notícias quanto à confusão China/Tibete e pensando numa maneira de abordar isso relevantemente e responsavelmente no Orientalize.
Enquanto isso, esbarrei com esse vídeo no blog da Ginga.
Sagan morreu, Arthur Clarke morreu, tantas outras pessoas visionárias e inspiradoras morreram, e tantas outras continuam vivas e, espero, estão nascendo. Todas elas na verdade nada significa, imagine então eu e você.
O conteúdo do vídeo não é novidade, mas ele é bom pra nos relembrar. Ver esse vídeo dá vontade de mandar tudo à merda. Estou paralisado.
criação por subtração
Já falei por aqui a importância do grafitti nas cidades, como é uma expressão válida de pessoas comuns e aquela coisa toda. Mais especificamente falando do crime realizado pela administração Marta ao pintar por cima dos antológicos desenhos presentes no Buraco da Paulista. Isso foi mais ou menos remediado pelos novos grafites, agora inspirados na cultura japonesa.
Pois bem, no prisitina.org descobri o trabalho realizado pelo Alexandre Orion. Ele usou apenas um pano e a sujeira presente no túnel entre as Avenidas Europa e Cidade Jardim de SP para criar sua obra, intitulada Ossário (no site há vídeo e relatos do acontecimento) .
Claramente observado por câmeras da CET enquanto fazia seu trabalho, foi interrompido pela polícia diversas vezes, que nada podiam fazer pois limpar não é crime (ainda). Inicialmente a CET tentou impedir o progresso da obra limpando o túnel, mas preguiçosa como é, limpou só a parte desenhada, deixando o resto do túnel como tela. Da segunda, todo o túnel foi limpo.
E não só ele, como vários outros túneis da cidade foram subseqüentemente limpos. Na minha opinião: Ótimo. Grafitti (comum ou reverso) é de fato uma obra etérea, uma hora ou outra alguém irá pintar por cima, fazer outro desenho, ou mesmo demolir a “tela”. Orion estava justamente chamando a atenção para o problema da poluição e sujeira presentes em São Paulo que é negligenciada pela Prefeitura e mesmo pelos cidadãos.
A intervenção foi feita em 2006, e em 2007 lembro de passar pelo túnel Ayrton Senna e ver uma mensagem de protesto escrita na sujeira (infelizmente esqueci qual era o texto). O que obviamente significa que a limpeza de fato não foi feita para limpar em si, mas sim para inibir o trabalho de Orion. Como no caso do Buraco da Paulista, as autoridades acreditam que é melhor calar os que falam do que fazer seu trabalho devidamente.
Mas o que fazer? O mais fácil é continuar espalhando o trabalho de Orion por aí. Também podemos contactar nosso vereadores, sugiro em especial a vereadora Soninha e reclamar do estado das vias. E melhor ainda: Diminuir nosso uso de meios de transporte individual poluídores (i.e. carros) e até mesmo criar nossos próprios grafites reversos.

Claro que o que não se deve fazer, que publicitários já fizeram, é inverter o propósito dessa arte com o intuito de vender mais carros.
tecnologia a favor do desperdício
Desde pequeno fui ensinado a fechar a torneira enquanto escovo os dentes, e conforme cresci, lavar o rosto e fazer a barba. Ao mesmo tempo, aperto o botão do elevador apenas em uma direção: a que me interessa ir.
Aliás, isso é algo que poucas pessoas parecem compreender. O elevador sabe onde ele está, e sabe de onde o estão chamando. Não sabe apenas para onde você quer ir. E ele irá buscá-lo quando estiver indo na mesma direção para onde você vai, assim economizando energia. Ou seja, se você vai ao 5º andar, o elevador está no 20º, e você no primeiro; não precisa apertar para baixo para ele descer, ele sabe que o térreo é para baixo, aperte para cima, pois é pra onde vamos. Já até saí no tapa com minha irmã por isso.
Dito isso, recentemente meu prédio instalou displays de andar em todos os andares. Assim você sabe qual dos elevadores está mais próximo e pode chamar apenas o que está mais próximo, assim economizando energia. Entretanto, esse simples conceito ainda não foi captado por todos do meu condomínio, já que muitos continuam chamando dois elevadores, a ponto de papel ter que ser gasto pedindo para que não se faça mais isso.
Enquanto isso, em uma determinada agência em que estou temporariamente, o mictório possui detectores de pinto para dar descarga automaticamente, e a torneira é daquelas de botão. Mas hoje mesmo testemunhei um sujeito já possuidor de cabelos brancos, segurando o botão da torneira enquanto escovava os dentes.
Moral da história: Não há tecnologia que barre o desperdício por ignorância.
clean air
Agora que o MacBook Air saiu, todos estão debatendo se ele vale o preço abusivo que tem. Pessoalmente não tenho utilidade para um notebook que depende total e completamente de outro computador. Querendo ou não, ou você gasta ainda mais comprando acessórios que no fim das contas derrotam o propósito de ter algo pequeno e leve; ou regularmente precisará estar perto de outro computador para suprir a falta de um drive de DVD e a presença de uma única porta USB (e nenhuma porta de rede, apenas wi-fi).
Como regra, não acredito em pagar mais caro por algo apenas por ser pequeno (especialmente quando ele tem menos recursos que outros mais baratos). Talvez abra excessões no caso da pequeneza ser algo que de fato mude minha interação. Cabendo em um envelope ou não, o Air ainda é carregado e usado da mesma maneira que qualquer outro notebook, pode ser mesmo mais leve, mas eu não costumo sair em caminhadas com computadores à tira-colo. Se fosse algo absurdamente mágico, como um notebook que dobra todo e cabe no meu bolso, aí sim eu o consideraria mais.
Com tais recursos, o Air mais parece uma plataforma para executivos em salas de embarque ou um visualizador de slideshows em reunião. Claro, que numa roupagem ultra-chique. Na batalha entre os notebooks ultra-light, o vencedor, por incrível que pareça, é o Dell XPS.
Claro que admiro as conquistas do produto, a engenharia por trás é admirável. Em especial por um fato que as pessoas parecem não estar falando o suficiente. o MacBook Air é o computador mais amigável ao meio ambiente produzido pela Apple até hoje. Ano passado a Apple sofreu bastante no ranking de eletrônicos montado pelo Greenpeace (agora é a vez da Nintendo sofrer). O Air é uma boa reação à isso, com menos PVC e mercúrio e livre de bromo
Assim, a maior conquista do Air não é ser mais leve na sua mochila, mas mais leve na sua lata de lixo.
