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o dia seguinte
Bem, vendo a reação do Marcos (e nossa posterior discussão) gostaria de deixar algumas coisinhas claras para que não haja um maior número de desentendimentos:
Não acho a bomba uma coisa bonitinha, e também não acho que os EUA a lançaram por compaixão. Se exibir e amedrontar a URSS talvez seja conspiratório demais, embora bastante possível, mas de fato creio que, além de economizar vidas de soldados perdidas em uma eventual invasão, lançar a bomba foi uma real maneira de testá-la, e compreender todos os seus efeitos.
Como eu falei, era outra guerra, e outros tempos. E o peso da guerra no Japão pesava sobre uma população que pouco ou nada podia fazer, apenas sofrer. Claro que houve um sofrimento gigantesco por parte de quem teve contato com a bomba, e fico deprimido quase ao ponto de chorar de pensar no horror que deve ser passar por isso.
Naturalmente, a história é escrita pelos vencedores, e como o próprio Robert McNamara disse, ele muito bem podia ter sido julgado e condenado em um tribunal de guerra pelas decisões que tomou, só não foi pois estava do lado vencedor. Na guerra, algo terrível, até o seu final vem com um gosto amargo.
A bomba não é algo fofo e legal. Eu apenas quis colocar o acontecimento em perspectiva e ver o que aconteceu depois dele: Rendição japonesa; ocupação americana; reforma no sistema de governo japones; renúncia à guerra; renascimento nipônico. Outras decisões poderiam ter o mesmo resultado, claro, mas estou tentando olhar para o que de fato aconteceu.
Bom, não sou o único que pensa dessa maneira, e tem vários que discordam. Que venham os debates!
necessary evil
Este era o nome do avião, que junto com o Enola Gay e The Great Artiste partiu para a cidade de Horoshima em 6 de Agosto de 1945.
Não sei se foi intencional, mas é uma ironia do destino que tal avião, que foi o responsável por tirar as fotos da missão, tenha participado desse evento que, em minha opinião foi de fato um mal necessário.
Com as “comemorações” dos 60 anos da queda da bomba em Hiroshima, acabei pensando mais no assunto do que de costume. Todos são contra o uso de armas nucleares e tudo o mais, e eu me incluo entre eles. Mas a guerra no pacífico foi em uma outra época, e carregava outro peso.
É fácil apontar o dedo aos EUA e xingá-lo por resolver destruir duas cidades em um estalo de dedos (sendo que na verdade havia mais cidades na “lista negra”, embora Tokyo e Kyoto estivessem de fora). Mas não imagino que tenha sido uma decisão fácil.
Guerra é guerra, e independente do motivo pelo qual se está nela, queremos vencer. O fato é que o Japão realmente não estava lutando por uma causa justa; como a Alemanha, queria anexar novos territórios, e se livrar de pessoas indesejadas (como koreanos e chineses); e ele de fato começou a guerra (não vou começar outro papo polêmico incluindo Pearl Harbour aqui).
Mas o que sempre eu quis saber a respeito da segunda guerra é como o povo alemão vivia e pensava. Como será que eles lidavam com aquela idéia colocada pelos seus governantes? Eles concordavam de fato? Como era o dia a dia da guerra? E a mesma dúvida pairava sobre mim quanto ao Japão. O que ajudou a sanar isso foi justamante Gen (cuja segunda parte li recentemente). A guerra no Japão foi uma decisão arbitraria, militar e imperial, o povo pouco ou nada podia fazer a respeito. Na verdade, a guerra custou muito ao povo japones, que seguia e venerava cegamente seu imperador e quem ousava questioná-lo sofria graves conseqüências, um panorama que compreendi graças à primeira parte de Gen, que lida com os dias antecedentes à queda da bomba.
A segunda parte, que mostra o dia seguinte, é ainda mais triste do que a primeira. Vemos o desespero e desolação da cidade depois de um ataque mosntruoso sobre o qual não houve aviso e mal se entendia.
Mas o Japão já estava perdendo a guerra, e ia com certeza perdâ-la. Não havia maneiras de sobreviver na frente russa e americana simultaneamente, e uma invasão da ilha acabaria em mais derramamento de sangue. Os militares não estavam interessados em um Japão melhor ou no bem estar da população, eles seguiam cegamente o bushido (caminho do guerreiro) e não queriam entregar a guerra; colocando inclusive uma perspectiva otimista demais no caso de uma invasão.
O fato é que mesmo com algum movimento civil pedindo o fim da guerra, o Japão não iria recuar até que o último homem estivesse em pé. Então os EUA decidiu dar um chega pra lá atômico e mostrar que eles tinham a maneira definitiva de acabar com a guerra, e que ela não seria bonita.
Claro que podemos pensar “e se”, talves uma invasão não tivesse as mesmas conseqüências desastrosas que as bombas (sendo a mais visível dela os efeitos de envenenamento radioativo). Mas a vida, e a guerra não são feitas disso, são decisões absurdas e calculadas. Vendo um outro documentário, sobre Robert McNamara, vi sua participação em calculos de eficiência nos bombardeios sobre o Japão, a precisão dos números eram assustadoras, e na verdade os bombardeios convencionais e incendiários mataram muito mais gente que as duas bombas. A grande diferença é que sem as explosões, o conflito se arrastaria ainda mais, desgastando um povo já sofrido.
A bomba não é bonita, mas nem era a situação interna do Japão. E hoje ele é um exemplo, sendo o único país a sofrer esse tipo de ataque, ele deu a volta por cima, voltou o orgulho nacional para dentro de si para se reerguer e coloca em perspectiva os resultados da guerra como uma maneira de ver o futuro que não quer para si.
RESET
cheerleaders japonesas
Preciso dizer mais alguma coisa?É o Éden em forma de competição esportiva, sendo transmitido pela NHK em um sábado à tarde.
bolsa que é bom, nada…
bolsa que é bom, nada…
Hoje recebi meu primeiro spam do Consulado Geral do Japão.
a scanner darkly
Desde meados da década de 90 que o mercado de quadrinhos como um todo anda meio abalado. E tem tido problemas para se recuperar, mesmo com a onda de adaptações para filmes, as vendas de quadrinhos não retomaram o vigor que tinham na década de 70 e 80.
Eu estou falando mais do mercado norte-americano, de onde vem a maioria dos quadrinhos consumidos aqui no Brasil, mas até mesmo no Japão, onde quadrinhos é uma parte intrínsica da cultura, existe uma queda de vendas nos últimos anos (pequena, mas é uma queda).
O mercado de quadrinhos sempre foi meio esquisito no Brasil, mas me parece que nos últimos anos tem se mostrado mais promissor. O fim do monopólio da Abril, que começou quando a Globo lançou revistas da Image no fim dos anos 90; e que culminou com a Abril caindo fora do mercado de heróis, ficando só com quadrinhos Disney, e passando o bastão pra Panini, é um ótimo exemplo dessa onda positiva. As publicações da Panini são de uma qualidade infinitamente superior, onde você nota uma preocupação com a fidelidade ao material original de publicação, e em alguns casos, até uma memória. A realidade do leitor brasileiro é levado em conta, já que várias revistas são compilações do que é publicado em mais de uma revista nos EUA (já era uma prática da Abril a milênios, mas ou a edição era uma porcaria, ou era cara pra dedéu). Claro que os preços tem subido, o dia que os preços abaixarem em alguma coisa por aqui, me avisem!
Outras editoras, como Conrad, Opera Gráphica e Brain Store tem nos trazido mais materiais “paralelos” das majors (é um termo mais fonográfico, mas pra mim vale pra Marvel/DC/Image) além de preencher anos de vazio do mercado de quadrinhos alternativos e orientais.
Na minha opinião, algo que simboliza que o mercado de quadrinhos no Brasil é algo viável e lucrativo é a notícia de que o primeiro número da mini-série 1602 está se esgotando e será re-impresso em breve. E pra quem não sabe, 1602 conta a história do universo Marvel 400 anos no passado, e é escrito por Neil Gaiman (Sandman); e parece ser muito bom, é como quando Frank Miller e Alan Moore deram seus respectivos pitacos em Batman, pegando um herói consagrado e dizendo o que eles achavam do assunto.

mais uma bem sucedida parceria de autoral e super-heróis