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O vôo da Pegasus e a Queda de Bagdá
Venho dizendo há um tempo que Battlestar Galactica é a melhor série dramática da televisão, e o episódio transmitido pela TNT essa semana não só corrobora essa afirmação como eleva a qualidade da série a um patamar ainda mais alto.
Antes de tudo, digo aos desavisados que o nome indica o gênero da série: Trata-se de ficção científica. Mas não se deixe levar por isso, continue lendo ao menos. Entendo como isso pode ser um desestímulo para muitas pessoas, difícil de vencer. Mas também devemos lembrar que o trunfo do gênero é a capacidade de abstrair, extrapolar e intensificar questões muito palpáveis e apresenta-las sob um véu de fantasia um pouco mais fácil de engolir. Lembrando de filmes como 2001, Blade Runner, Alien, Gattaca e Exterminador do Futuro fica mais fácil entender o que quero dizer.
Nos idos anos 60, quem carregava a tocha da “ficção científica inteligente” era Jornada nas Estrelas. Pode parecer bastante ridículo para as platéias de hoje, e requerer um grau maior de suspensão de descrença aos vermos os fiozinhos segurando a Enterprise no espaço; mas a série detém muitos méritos por apresentar questões polêmicas, personagens instigadores e tecnologias inexistentes até então que hoje consideramos padrão (para não usar o inglês “take for granted”). E se você não tem um gosto especial pelo gênero ou pela história da cultura pop é perfeitamente compreensível que não se sinta atraído pelo Spock de pijamas.
O tempo passou, Star Trek continuou em outras encarnações mas não é mais um sucesso, diluiu-se e perdeu a graça até mesmo para fãs. Várias séries passaram pela telinha desde então, inclusive roubando o título de inovadora que Star Trek costumava ter.
Agora é a vez de Galactica. Relativamente desconhecida no Brasil, ela tem um sucesso respeitável nos EUA, lá, séries produzidas por canais não costumam vingar (o sistema de syndication reina, onde uma produtora faz tudo e vende para diversos canais), com nobres exceções, entre elas praticamente todas as séries da HBO. Galactica é uma delas, e não é à toa.
As séries que estão na boca do povo são Desperate Housewives, LOST e 24 horas. Um triunvirato massacrante e que tomou conta do Brasil também. Mas é uma pena que Galactica não esteja na grade da população.
Embora essas três séries tenham seus méritos e tenham momentos de brilhantismo que as tornem únicas, elas passam longe da nobreza de Galactica. E eis o porque: Galactica é uma série para adultos. Realmente o é. Não deixe seu filho de 10 anos vendo aquelas naves dando tirinhos umas nas outras, pois a cena seguinte pode marcá-lo para o resto da vida. Ficção Científica é um gênero que carrega um estigma semelhante ao de Histórias em Quadrinhos e Desenhos animados. E quando surge um representante que consegue romper as barreiras daquilo que é esperado, ao invés do público reconhecer a qualidade e o mérito, ataca, pois teme que aquilo irá fazer mal para as criancinhas. Sim, pode até fazer, mas não é para elas que é feito, é para você.
O que separa Galactica dessas Três (com T maiúsculo mesmo) está em uma simples palavra: Entretenimento. As Três não vão muito além disso. Entretenimento bem feito, como James Bond ou Piratas do Caribe, mas ainda sim puro entretenimento. Depois que você desliga a TV pode até continuar pensando, mas pensará dentro do universo da série, em Galactica, você pensa no mundo a sua volta.
Alguns podem dizer que LOST leva você a pensar em questões como destino e outras porcarias de nova era, e isso pra mim é papo de geração Matrix. Esse tipo de assunto até é coberto em Galactica, mas ele não é o fim, é apenas um meio para falar de algo maior. Quando falei que era uma séries de adulto, não estava falando de senas de sexo gratuito ou violência descomedida, estava falando de reflexão.
Vejo por aí pessoas falando na importância dos personagens nas mais diversas produções, como eles são a chave para o sucesso delas. E em boa parte é verdade. E a força de Galactica também está aí, em personagens críveis e em roteiros bem feitos. Roteiros muito bem feitos. E não se tratam de inúmeros heróis que são apenas caricaturas de si mesmo ou dos grupos que representam (como “o cara negro”, “o gordo bonachão”, “o cara árabe”, “a mulher mandona”, “o covarde”, “o nerd”, e por aí vai), são pessoas, como aquelas que encontramos em qualquer lugar. Apesar da história ser completamente mirabolante, os protagonistas dela são muito mais verossímeis do que qualquer personagem de novela ou de livro do Jorge Amado.
E chegamos ao episódio dessa semana, “Pegasus part I”, quem não viu vai ter que caçar na internet ou esperar a TNT reprisar. E esse episódio me deixou de queixo caído, literalmente. Eu costumo me empolgar diante da TV com as séries que gosto, confesso, vibro com Jack Bauer torturando alguém, mas durante Galactica essa semana, eu fiquei completamente silencioso. Não havia o que dizer, não havia reação, foi como se um punho saísse da tela e me desse um soco na cara.
Não irei dar Spoilers, se esse texto serviu de alguma coisa, você irá tentar ver essa maravilha da telinha. Mas tenho que comentar. A moral da história é: Abu Ghraib. Fazia muito tempo que eu não via uma peça de ficção (não necessariamente científica) tratar um tema atual de forma tão contundente e bem expressada, o filme V de Vingança tentou e falhou miseravelmente, Galactica saiu triunfante. E você pode ser perguntar: O que um seriado sobre naves espaciais tem em comum com o Iraque? Muito.
O que acontece quando você coloca sua gente em um lugar hostil e desconhecido, em que tudo que ela sabe ou pode fazer é lutar sem parar, sem saber exatamente o por que, nem com que propósito? O que virá depois da vitória? O que será construído? Sua gente sabe construir alguma coisa, ou apenas lutar? A luta acaba se tornando uma justificativa para si própria, luta-se para manter a mente ocupada, pois se parar para pensar no assunto, percebe que não há esperanças. Se um dia a guerra acabar, o que você vai fazer? Se o inimigo se rende, você demonstra misericórdia?
A cabeça fica tão condicionada, bitolada, que qualquer outro traço de humanidade vai pelos ares, e quando a oportunidade de se demonstrar maior que seu inimigo se apresenta, você sequer lembra que pode fazer isso, você aproveita para provar que o inimigo não é humano, não é digno de compaixão, e no processo perde sua própria humanidade.
Isso é uma ponta de Galactica, e até agora, o ápice, ao menos na minha opinião. O patamar acaba de ser elevado, e tenho firme esperança de que não serei decepcionado. Se você ficou curioso, vá atrás, o DVD da mini-série piloto e da primeira temporada está pra sair no Brasil, e a segunda temporada está rolando na TNT e na internet. Pegar a série andando será confuso no começo, especialmente se pegar este episódio, portanto corra e descubra você mesmo, mas aviso que “Pegasus Part I” não é para os de estômago fraco ou mente vazia, se você assistir passar batido você ou é insensível ou um burro.
missão alias
Assisti o novo filme do Tom loucão essa semana. Achei bem legal. Boa ação, bom desenvolvimento de personagem e boa edição.
No entando, me senti assistindo uma versão anabolizada de Alias. Temos até um técnico nerd freak e mesmo o gorducho gente boa de todas as séries do JJ Abrams estava lá, pra nada, devo acrescentar. Se bem que ele desdenhou o Cruise, e isso é muito legal.
Pra quem tá por fora, o diretor é o criador de Felicity (aquela coisa mela cueca), Alias (aquela coisa doida que pode levar nerds a melarem a cueca) e co-criador de LOST (aquela coisa manía que levam alguns a mijarem na cueca).
O filme realmente lembra muito Alias, com seqüências de ação absurdas, disfarçes e mulheres em roupas reveladoras misturados com piadas, atenção a coadjuvantes e momentos melosos regados à música pop.
O que achei bem legal foi que finalmente temos uma equipe trabalhando nas missões, que é sobre o que a série missão impossível se tratava. No primeiro filme também tinha, mas durou pouco (como é do Brian De Palma eu perdôo), enquanto no segundo havia uma patética tentativa de tornar Ethan Hunt em um Bond americano com sorriso abobalhado.
Inclusive concluí que o único filme do John Woo que eu gosto é Face/Off, de resto, nada me agrada.
A boa atenção aos cadjuvantes é um trunfo, especialmente com atores que eu curto (Jonathan Rhys-Meyres, Lawrence Fishburne, Billy Crudup, Philip Seymour-Hoffman e Ving Rhames). Fora quer uma das personagens que quebra pau é nada menos que a própria Felicity. O ponto fraco fica por conta da namoradinha/mulher de Cruise no filme, que tem cara e aje como uma retardada.
Vale o ingresso pra quem gosta de ação.
pac mac
Eu gosto de macintosh, e gostaria ainda mais de ter um. De maneira alguma eu questiono a qualidade de um produto Apple, de maneira geral. Claro que eles já pisaram na bola, mas isso faz parte. Não duvido que em termos gerais um computador Apple seja melhor que um PC em termos de performance.
Entretanto, eles são muito caros. Principalmente os que fazem a maior diferença no desepenho. O único apple com boa relação custo benefício, na minha opinião, é o iBook (acho inclusive que é o notebook com a melhor relação custo benefício de todos). E um notebook é justamente o tipo de produto onde uma plataforma fechada dá a confiabilidade necessária. Talvez o macmini também seja uma boa, embora não conheça bem a máquina.
O que realmente me tira o tesão em Macintosh’s são os macmaníacos. Haja paciência pra ficar ouvindo buzinação na orelha. Um professor meu disse uma vez que o pior tipo de público que se identifica com um produto são os macmaníacos, e concordo plenamente. Há raras exceções. Mas mesmo pessoas que gosto muito conseguem ser muito chatas quando o assunto é Macintosh.
Dito isso vou elocubrar aqui o motivo pelo qual tenho um lugar no meu coração para os PC’s: Anarquia.
PC é uma plataforma aberta. Você pode montar o seu da maneira que quiser. Qualquer empresa pode desenvolver software e hardware diferenciado para ele. Isso gera competitividade, o que sempre traz produtos cada vez melhores e/ou mais baratos. O desempenho, claro, sofre com isso, pois a falta de padrões em alguns aspectos não permite o total aproveitamento do hardware, mas é um dos preços que você acaba pagando pela “liberdade”.
Enquanto a Apple é uma ditadura. Ou você paga o preço da etiqueta, ou não tem um. Um ótimo exemplo disso é o iPod, cujo preço é um assalto.
Quando a Microsoft fez uma parceria com a Apple alguns applemaníacos disseram algo como “Jobbs fez um pacto com Darth Vader.” Acho o oposto, claro que Bill Gates não é flor que se cheire, mas ele não é dono da PClândia, você pode ter um PC sem windows, embora isso signifique que você estará de fora do maior círculo de usuários e de compatibilidade de programas e jogos, mas isso não é inerente ao PC; já com Macs, você estará sempre sujeito à Apple. Ou a apple faz, ou autoriza, ou você não tem.
Se todos tivessem Mac, como os macmaníacos teoricamente gostariam (mas no fundo não, pois assim não seriam pessoas tão superiores) teríamos um belo monopólio.
É como diz aquela comunidade do orkut: Designer macho usa PC.
meu amigo playstation
Depois da Mi, que é minha namorada e portanto, au concour, meu melhor amigo chama-se PlayStation 2. Mesmo com ela morando longe, é a pessoa com quem mais interajo, converso e me divirto, e depois dela, vem o PS2 (com o qual obviamente não converso, apenas xingo esporadicamente).
Antes de julgarem-me, não pensem que troquei meus amigos pelo PS2, eu fiquei sem o anterior antes de adquirir o posterior.
Em BH tenho alguns grupos de amigos, mais notadamente dois: Os Canastras e o Pendragon. Duas pontas em uma linha do tempo de 10 anos. Uma linha com altos e baixos, participações especiais e protagonistas diversos, mas uma linha sem qualquer falha.
Quando voltei a morar em São Paulo, continuei com inúmeros amigos mineiros. Em contrapartida, em SP passei um longo inverno, digno de Nárnia, sem rumo fraternal. Tinha conhecidos com os quais interagia espóradicamente, e um colégio inteiro que me ignorava completamente.
Batalhei mas conseguiu arrebatar algumas amizades muito boas, e um grupo à moda mineira até surgiu. Não tinha nome, mas chamarei aqui de Daltonettes. Mas o tempo passou e o grupo se dissolveu, eu arrumei dois namoros e parei de investir o quanto deveria nas supramencionadas amizades.
Ainda tenho sim um grupo de pessoas que gosto muito e encontro bastante. Mas eles estão englobadas por um grupo maior com o qual falo pouco e encontro menos ainda, e sinto falta. Não por uma razão maior do que simplesmente me fazerem boa companhia.
Assim, perco os filmes que entram em cartaz, pois não quero ser o chato que liga sempre, mais uma vez retrocedendo aos 17 anos, e alimento uma tola esperança de que irão me ligar. Puxa, mal consigo lembrar da última vez que me ligaram para um programa, ou quando fui numa balada. Não gosto de ir ao cinema sozinho, logo, fico em casa jogando Grand Turismo.
mostra mafra de cinema – filme 1: Dumplings
Hoje vi meu primeiro filme da mostra esse ano: Dumplings. Aqui vão algumas palavras sobre ele…
Uma mulher chinesa madura, entre 40 e 50 anos, com cabeilo e pele impecáveis, roupas de grife novíssimas, unhas perfeitas e uma bela bolsa entra em um cortiço. Ela chege de táxi, obviamente, e após pedir informações em uma barbearia fétida chega ao seu destino: Uma pequena loja de bolinhos (os dumplings do título).
Uma jovem sexy com roupas de mal gosto responde e rapidamente a recebe. Ela desafia a visitante a adivinhar sua idade, o que não consegue.
Então ela começa a preparar os bolinhos, nada sutilmente, com um cutelo e mãos rápidas.
Após serví-los, a freguesa hesita e acaba por derrubar um dos bolinhos. Ela exita pois ainda pensa no recheio dos bolinhos, e não no resultado que irá adquirir com seu consumo: Fetos humanos.
O filme é sensacional, tem uma edição boa e algumas tomadas muito bem pensadas. Os efeitos especiais são excelentes e totalmente convincentes. A trilha sonora é boa, embora algumas deixas sejam um pouco bestas, e a sonoplastia é totalmente perfeita. O roteiro pode ser meio estranho, mas eu gostei. Ele não faz sensacionalismo imbecil sobre o conteúdo dos bolinhos, as personagens têm reações verossímeis e condizentes com suas personalidades; a única tentativa de susto besta é manifestada na forma de um pintinho.
Há uma mistura de cenas fortes (especialmente para mulheres – não digo isso por machismo, mas pela natureza das cenas), momentos de humor negro, frieza e humor incidental.
Valeu a pena, é bem o tipo de filme que estava afim de ver (em termos de temática) e uma das razões para se ir a mostra (em termos de inusitado). Recomendo. E que venham outros!

crunch, crunch, crunch
OBS: Foi legal também a companhia, depois de reencontrar Paulinha e Praia no Orkut, fomos juntos ao cinema depois de muito tempo, e ainda encontrei a Prof. Lucilene na fila!

