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Sucker Punch SUCKS BALLS

Zack Snyder está longe de ser um gênio, mas é no mínimo competente. Watchmen e Dawn of the Dead são ótimos filmes cada um em seu termo, e embora 300 seja bem fraco, ele ainda tem algum sentido. Sucker Punch é seu primeiro filme totalmente original, o que é um passo importante para qualquer diretor.
E esse passo mostra-se um tropeço dos feios.
Sucker Punch parece o fruto de um pré-adolescente. Aquele que está descobrindo que as meninas podem ser interessantes, e ao mesmo tempo brinca de comandos em ação escondido. O filme é uma desculpa esfarrapada para Snyder embolar tudo aquilo que ele acha divertido, e o resultado chega a ser patético.
A trama trata de uma garota recém-internada em um manicômio. Que, graças a clichês, desde o começo percebemos ser um lugar terrível. A partir daí a história toda se desenrola na mente da protagonista, Babydoll; criando uma história paralela à realidade para conseguir lidar com a dor que sente e a vontade de escapar.
Histórias que se passam completamente na mente do protagonista raramente prestam. As exceções contamos nos dedos. E Sucker Punch não é exceção. Em alguns concursos literários esse tipo de premissa é inclusive proibida, pois geralmente é um golpe barato para uma reviravolta besta ou, como no caso de Sucker Punch, desculpa para misturar um sem número de elementos desconexos sem realmente ligar nenhum deles.
O propósito da ficção é nos apresentar um mundo diferente. Seja isso sutil como a história de duas pessoas, ou extremo como um universo repleto de alienígenas. E o desafio é tornar essas fantasias algo coeso e que nos prenda, por mais absurdo que possa parecer. Snyder usa a desculpa do “tudo está na cabeça dela” para se eximir dessa responsabilidade e simplesmente jogar na tela tudo que acha divertido. Imaginem o brainstorm:
Snyder: “Então a menina puxa uma espada e enfia no alienígena nazista. Em seguida, com a espada presa na cabeça dele, ela saca uma pistola e atira no dragão que aparece atrás dela. Antes que o fogo do outro dragão torre as mínimas roupas que ela usa na neve, surge uma outra gata pilotando um zepelim e a puxa pra cima com um raio trator.”
Amigo do Snyder: “Nossa, que loucura! Pode ser legal. Mas difícil de engolir. Como é esse mundo louco?”
Snyder: “É tudo na cabeça da menina.”
Amigo: “Hmmm. Certo, mas como esses elementos se ligam?”
Snyder: “Não precisa, pois é tudo imaginação.”
Amigo: “Como assim?”
Snyder: “A história toda se passa na cabeça dela”
Amigo: “Eu entendi, mas qual é a história?”
Snyder: “Isso que eu acabei de te contar.”
O filme só é minimamente interessante pois há gatas com roupas sensuais, boa música e um visual interessante. E o ritmo de video-game encontra videoclipe é descarado do começo ao fim. E como Snyder não é nada sutil, sua tentativa pífia de inserir alguma moral na “história” é risível.
Não é sequer possível perdoá-lo como ação boba e divertida, pois mesmo no caso de filmes assim, temos personagens interessantes e carismáticos. E não há nenhum aqui, só uma colagem de sotaques, curvas e figurinos. Pedaços ambulantes de carne colorida que não tínhamos a desgraça de conhecer desde Star Wars Episódio I.
Depois disso, Snyder precisa voltar a fazer adaptações. E é justamente o que vai acontecer, com Superman. Mas depois de Cluster Fuck, tenho medo. Sucker Punch is for Suckers.
projeta brasil: besouro
Numa platéia desprovida de qualquer negro, acabo de retornar de uma seção de Besouro. O filme, dirigido por um branco (João Daniel Tikhomiroff), se propõe a celebrar um dos maiores expoentes da cultura negra brasileira: A capoeira. É de fato um objetivo nobre, reminiscente talvez de Clint Eastwood, ao filmar “Cartas de Iwo Jima
” – mas dele só resta a motivação da culpa, pois da qualidade artística nada é.
Na verdade a inspiração óbvia de Besouro são os filmes de kung-fu, tendo inclusive como coreógrafo Huen Chiu Ku, responsável pelas lutas em “Tigre e o Dragão” e outros filmes de luta. Mas falha também aí por não terminar o serviço.
Uma produção grandiosa, Besouro tem ótimos aspectos técnicos, como fotografia, direção de arte e cenografia. Mas na trilha sonora, as coisas já tomam outro rumo. Apesar da música incidental e do toque dos berimbaus serem de qualidade, a música principal do filme distoa tanto do resto da produção, que consegue quebrar totalmente o clima. As atuações, com a exceção de alguns bons momentos dos vilões coadjuvantes, é rasa. Mas nada disso chega perto do principal problema do filme: O roteiro.
Mal-construído, ele não consegue tecer um fio coeso que una os personagens e a trama em algo convincente. A história baseia-se numa lenda bahiana, rica em detalhes e bastante complexa. Mas o roteiro não consegue extrair desse material uma narrativa coesa. Sua proposta é mostrar como a lenda de besouro nasceu, mas pouco faz para realizar isso.
No filme, após a morte de seu mestre, Besouro se contenta em fazer pirraças típicas de um saci pererê enquanto seus companheiros continuam comendo o pão que o diabo amassou nas mãos do famigerado coronel e seus capatazes. Em diversos momentos há a oportunidade de explorar elementos dramáticos e de ação para conduzir a história, mas nenhum deles é aproveitado. Um exemplo é o momento em que o personagem Quero-Quero sente-se traído por seu amigo, ao mesmo tempo em que é manipulado pelo coronel – uma batalha épica parece estar sendo elaborada, mas não é o caso. As maquinações do coronel se resumem a satisfazer seu desejo por mulheres negras enquanto todos os outros personagens são apenas cenário. Besouro continua tão distante dos seus quanto a platéia dele.
Somos obrigados a engolir que, do nada, Besouro tornou-se uma lenda maior que a vida. E descobrimos que o filme não era sobre a aceitação dos negros como cidadãos, mas apenas a aceitação da capoeira.
E é nesse ponto em que ele se difere profundamente de sua inspiração em cinema de luta. Nos grandes filmes do gênero, a luta é mostrada como uma arte inigualável e uma ferramenta para a superação pessoal. Superação que na proposta de Besouro poderia ser de todo um povo, mas acaba por não ser de ninguém, apenas da arte pela arte.
É difícil não comparar Besouro a outros filmes como Tropa de Elite e Cidade de Deus
. Que da mesma maneira aplicaram uma estética moderna e dinâmica, quase globalizada, a histórias brasileiras com certa ligação com a vida real. A diferença é que esses filmes possuiam roteiros muito mais sólidos e não estavam preocupados apenas, embora também, em criar uma experiência plástica. Besouro foca demais nas lutas (que são muito boas) e em filosofia rala. Buscando inspiração em Ang Lee, Quentin Tarantino
e Paul Thomas Anderson, Tikhomiroff acaba se saindo um belo Michael Bay
tupiniquim.
É uma pena que um material tão rico, e com uma embalagem tão bonita, tenha sido mal aproveitado. Aqui fica a torcida para que seja apenas a primeira tentativa em resgatar mais da história brasileira e negra. E também que ao menos inspire a busca por uma compreensão maior da nossa História.
Site Oficial
Blog
A Lenda do Besouro Mangagá – CapoWiki
OBS: A afirmação que abre o texto foi feita em conjunto com Lúcia Freitas logo após sairmos da seção.
aprendendo a falar com wall-e

Nem preciso dizer o quanto Wall-E é sensacional. Se estiver buscando uma crítica detalhada, existe um site novo, chamado Google, onde é possível procurar isso. Mas com certeza é o melhor filme da Pixar e tem grandes chances de ser o filme do ano.
Alguns pontos fortes estão a fotografia sensacional e a animação impecável que já estamos acostumados a receber da Pixar. É também o primeiro filme do estúdio a utilizar atores reais mesclados à animação. Além disso tem o mérito de ser um filme de grande orçamento com pouquíssimas falas, e as que existem são de pequena relevância para a história principal (algo que eu sonhei seria o ideal para um verdadeiro filme de Alien vs Predador).
O curioso é que muitas pessoas saem do cinema direto para a loja de brinquedos comprar logo um bonequinho ou qualquer outra bugiganga ligada ao filme. E embora eu confesse que sejam muito legais, acredito que como já falei no caso de Clube da Luta, tal atitude vá de encontro ao que vemos na tela.
Mas o que eu queria realmente falar nesse post é o equívoco pronuncial que ouvi quase todas as vezes em que alguém me recriminou por ainda não ter visto o filme. O próprio nome dele – inúmeras vezes Wall-E é pronunciado como “wauy”, quando na verdade é “wally”. Vamos a uma tosca, mas importante, aulinha de pronuncia em inglês e português.
Em ambas as línguas, palavras terminadas em “l” ainda têm som de “l”. O “l” não está dublando um “u” por pura frescura ou motivos estéticos. O “l” fica mesmo um pouco dissolvido e muitas vezes difícil de distinguir, e embora de fato atropelemos esse detalhe no dia a dia, em algumas palavras ela faz grande diferença.
Por exemplo: No inglês, “fell” tem pronuncia e significado completamente diferentes de “few”. Assim como no português, “tel” (que embora seja uma abreviação, acabou caindo na boca do povo) e “teu”. Wall-E é assim também. Antes que alguém sem imaginação diga: “então porque não deram o nome de Wally pro robô de uma vez?” – eu digo, pra dar uma apimentadinha.
É como “mal”. Se acrescermos um “a” ao final, teremos “mal-a”, ou simplesmente “mala”
indy gets whipped
Há quase 20 fui em um dia friorento ao cinema com meu pai e minha irmã mais velha assistir a Indiana Jones e a Última Cruzada. Depois da seção no extinto Cine Chaplin (na Av. Sto. Amaro) fomos para casa tomar um choconhaque.
Acabo de voltar de uma seção de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Algumas horas antes minha irmã mais nova havia ido com minha mãe (provavelmente por inveja de ser excluída do programa), e a mais velha ficou trabalhando – afinal, alguém precisa ganhar dinheiro nessa casa. Antes da seção, um choppinho. Trocando Chaplin pelo Kinoplex; ao qual nunca havia ido – só chegando lá me lembrei que tem THX, boa escolha, ou assim pensei.
Assim como as vinhetas da Dolby, a do THX está toda arranhada e precisa ser renovada. Pra mim era nova e divertida, mas quem vai muito ao Kinoplex deve sofrer. Já o filme, bem, é mezzo mezzo.
Por muito tempo O Templo da Perdição era em minha memória o preferido. Depois de rever uma vez, comecei a ficar na dúvida. E antes de ir ao filme agora revi os outros (sendo Cruzada uma cortesia da Temperatura Máxima regada à SAP). E de fato, Templo fica pau a pau com Caveira, difícil saber qual o mais bobo. Não que Caveira seja um desperdício. Mas não é indispensável. Há boas idéias na trama, como o uso dos russos (apesar de Cate Blanchet parecer uma boneca que fala esquisito); a paranóia anti-comunista na dose certa (traçando sutis paralelos com a paranóia anti-terrorista atual – parece que Lucas aprendeu depois de Sith, ou foi corrigido por David Koepp). A seqüência inicial já puxando o link com o primeiro filme foi feliz, mas já entregou a natureza da Caveira. Um pouco mais de suspense sobre o passado da caveira teria sido interessante – Indy demora muito mais para entender do que se trata do que o público. Apreciei a origem da caveira, e é algo que funciona bem no filme; só fico com o pé atrás em quem pensa que esse tipo de coisa aconteceu no mundo real, me faz questionar se há vida inteligente na Terra. Em termos negativos há os exageros. A “cena da geladeira” é completamente desnecessária, embora engracadinha inicialmente e com um desfecho bombástico. Diversas seqüências sem importância podiam ter sido cortadas ou simplificadas, e há algumas falas completamente perdidas que não fazem sentido algum. E o final, apesar de ter uma ligação narrativa com de outros filmes de Indy, é também exagerado, nova era e um pouco ingênuo. Faltou a acidez que havia em Caçadores da Arca Perdida
.
A trama familiar tem um potencial enorme que é desperdiçado. Ao contrário de Cruzada, onde até o final temos um bom humor apimentado, mesmo com coisas mela-cueca. Aqui a pimentinha fica só no começo e vai ficando cada vez mais mela-cueca. Até descambar para um Indy totalmente whipped.
nome próprio: uma porno-digitada

Começo declarando que não sou leitor de Clarah Averbuck, portanto não posso contrapor o filme Nome Próprio com suas obras, sejam os livros ou andanças digitais. Dito isso posso declarar com sinceridade que o filme é ruim.
Depois de uma seção cheia de carinhas conhecidas (pelo público e por mim) e desconhecidas (só por mim) nos dirigimos a um bar e o filme causou tão pouco impacto que demorou a surgir como assunto. É de minha opinião que um filme de impacto não pode esperar tanto tempo, seja ele sensacional ou uma grande porcaria. Nome próprio não é uma grande porcaria, mas que é ruim, isso é.
Em primeiro lugar, a personagem principal, Camila Lopes, é um saco. Não estou falando daquela conversa fiada de “não me identifiquei”, não preciso me identificar com um personagem para gostar dele. Camila é o tipo de personagem, que obviamente existe no mundo real, já encontrei alguns clones, que não me apetece. Concordo que isso pode ser um problema meu, e não do filme, mas considerando que o filme gira total e completamente em torno dela, fica difícil fazer uma análise objetiva.
Camila pertence à safra de adoradores de Bukowski. Filhinhos de papai que acham que a vida tem que ser muito muito louca; no melhor estilo Hunter Thompson estereotipado. Viajar muito, beber muito, transar muito e usar drogas muito. Tudo é muito, inclusive ser mala. Camila é uma mala sem alça e não posso deixar de simpatizar com todos os homens que a usam durante o filme; o triste é que no fundo mesmo é isso que ela quer.
Sua ânsia de escrever me parece sempre em segundo plano de suas loucurinhas. É uma desculpa esfarrapada para florear seus reais objetivos. Tanto que quando ela finalmente resolve escrever seu livro ela não escreve porra nenhuma, liga a picaretagem no último e manda ver. Nada de errado com isso, mas no caso de Camila saiu como hipocrisia.
Tecnicamente o filme tem seus altos e baixos. A atenção a alguns detalhes da produção são louváveis, especialmente no computador: como ela usar um sistema operacional de verdade, ter problemas de conexão, dar comandos reais no teclado e vários e-mails verossímeis. A perspectiva de dentro do monitor, mesmo que estilizada, foi um belo toque que poderia ter sido mais explorado como linguagem. Aatemporalidade foi interessante também, com tecnologias diferentes se misturando, não sei se foi intencional, mas gostei.
Já as outras personagens não possuem qualquer profundidade. Temos a amiga louquinha reprimida, a amiga conservadora que deu certo na vida, o chifrudo, o pai tosco e é claro, o nerd. Com certeza o que irá causar maior revolta. É um sujeito feio, com cara de bobo que usa óculos, tem um Nintendo 64 e aplica um “boa noite cinderella” light. Para os paranóicos a mensagem fica: “Nerds são tarados perigosos”.
Já os intermináveis momentos em que textos surgiam na tela ao som de teclas batendo dessincronizadas com o ritmo de Leandra Leal foram de uma pobreza impar. Misturar letras e imagens é uma arte delicada. Bons quadrinhistas sabem que uma deve complementar a outra, que não farão o menor sentido sozinhas. Isso vale para qualquer meio que for aplicar essa combinação. E ter a atriz teclando com o que ela escreve estampado na tela não acrescenta em nada. Se não é possível buscar imagens que complementem as palavras, coloque então as palavras num fundo preto e me poupe do barulinho chato. O poder das duas formas de comunicação ficou completamente diluído.
Com várias cenas longas demais os outros aspectos técnicos como fotografia, iluminação e edição são problemáticos. Não desmereço o esforço dos envolvidos, não sei as circunstâncias em que o filme foi produzido, mas quando há poucos recursos, a dificuldade de ser bem-sucedido é dobrada.
O ponto positivo é Leandra Leal, que apesar de ter que carregar uma mala ao longo do filme, mostra que é capaz de explorar vários estados emocionais e situações físicas. E que situações, ela fica pelada por boa parte do filme e transa muito. Na mesa do bar até questionamos se não houve uma ação real.
A sinopse do filme para mim é: Camila Lopes é uma garota acabou de ser chutada de casa depois de trair o namorado. Ela entra em um mundo de cerveja quente, anfetaminas e muita putaria. Com uma boca suja de dar vergonha, ela deposita sua mente em um blog. Ou seja, é uma pornô-chanchada com um vocabulário mais amplo.



