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vivendo o clichê
Acabo de regressar da USP, de uma reunião do antigo NPHQ, que tecnicamente não pode mais ser chamado de Núcleo.
Pois bem, depois da reunião, eu e alguns colegas fomos até a FFLCH tomar cerveja em uma festinha – no Centro Acadêmico partilhado da Filosofia e da Sociologia. Como lá todas as cervejas estavam quentes, andamos até a Letras, que também estava dando uma festinha, ou melhor: uma festona.
Na primeira, além da cerveja quente, havia vários grupinhos sentados na grama fumando (não necessariamente tabaco) e conversando ao som de um amplificador estouradíssimo tocando Chico Buarque. Entre eles, vários cabeludos, barbudos e meninas de saias longuíssimas daquele tecido leve que parece canga e eu não sei o nome. Além disso, testemunhei vários penduricalhos hippongos, uma camiseta do Raul Seixas e outra com uma enorme citação do Lenin.
Na segunda havia um som profissional, cerveja gelada, toldos e muita gente em pé misturada. A música era totalmente eletrônica pseudo-modernosa, mas aceitável, todos conversavam alto e no chão de um dos toldos corria aquela espuma ridícula de balada tosca. Havia gente de todo tipo misturado, diversas idades e gostos, mas interagindo entre si. Fora a espuma, da qual fiquei longe, o lugar estava legal.
Depois reclamam das piadinhas que o povo faz com a FFLCH (menos a galera de Letras)

Estava sem câmera, mas essa foto vale.
blogger, blogger
Outro passo para retomar esse blog. Mudança para o Novo Blogger.
Estou em um curso de Tableless, na primeira aula, e o que rola agora é um monte de coisas sobre HTML básico que já estou por dentro. O Tédio impera, então não custa nada começar a mexer de novo nessa bagaça.
fly marcos to the moon
Numa tentativa de manter esse blog atualizado e antenado no que está acontecendo, vamos comentar a viagem de nosso ilustríssimo cosmonauta, Marcos Pontes.
Não estou empolgadíssimo nem achando a coisa mais sensacional que aconteceu à um brasileiro. Se fosse comigo ou com algum amigo/parente, aí pode apostar que eu estaria radiante.
Mas a questão é que tampouco sou contra essa viagem. Na verdade acho bastante importante. Ouvi um papo sobre o Lula ter feito questão de pagar a viagem com os russo só para que Pontes não fosse com a Nasa, mas ouvi na forma de boato, e não de notícia, mas se for verídico concordo que é uma grande palhaçada.
Analisando a situação apenas do ponto de vista de que o gasto dos 10 milhões não foi uma escolha, e sim algo totalmente necessário, creio que a palhaçada é da parte de quem critica esse tipo de atitude, que ao meu ver não é um gasto, e sim um investimento. Aliás, palhaçada não, ignorância.
Entra aquele caquético argumento de que “tem tanta gente passando fome no Brasil e gastam 10 milhões com isso”. Haja bonequinho pra ouvir a mesma coisa tantas vezes. Isso não é um argumento, é uma desculpa para a ignorância, falta de visão ampla, ou mesmo para a hipocrisia.
Uma missão astronáutica brasileira (mesmo que englobada por uma missão russa ou estadounidense) é sim algo de valor. Para aqueles que não sabem, existe um campo do conhecimento humano chamado ciência, em que o Brasil luta para achar e manter seu lugar. Ciência não é apenas pessoas indo pra lua ou catalogar espécies desconhecidas de animais, é o que possibilita termos toda essa tecnologia sensacional à nossa volta, e por mais que você se diga averso à ela, usa computadores, telefones, eletricidade, carros e o escambau a quatro, tecnologia não significa computadores de última geração, um monjolo é tecnologia. E na ciência existe uma parte dedicada à pesquisa pura. É sim um tiro no escuro, é um salto de fé, em que um assunto é estudado apenas por ser estudado, os frutos serão colhidos depois.
Assim o é com a missão de Pontes. É difícil justificar com números um gasto de 10 milhões de reais. Mas eu mesmo, em minha imensa ignorância já sou capaz de encontrar argumentos para tal. E o maior deles é a inspiração. Antigamente uma criança brasileira se contentava em comemorar o pouso de americanos na lua ou lamentar a perda de um ônibus espacial americano, as crianças da nova geração poderão se lembrar do nosso marco no espaço. Claro que comparando o histórico das outras nações ele é ridículo, mas só porque já foram lá primeiro não devemos nos preocupar mais em ir? O assunto gera debate e perguntas dentro da comunidade científica e dentro da sala de aula, causa interesse em um assunto morto na mente dos brasileiros e do mundo: conhecimento e conquista.
Acreditar que a viagem de Pontes é um desperdício de dinheiro é o mesmo tipo de mentalidade que povoa a mente das mulheres sem-terra que destruíram um laboratório de pesquisas. Está certo que o laboratório era de uma companhia privada que pode ter muitos podres, mas por que não destruir as casas dos donos que enriquecem com isso? Destruindo o laboratório dano maior é para o conhecimento. Raiva mal direcionada não dá resultados.
Vejo o assistencialismo e o sindicalismo lutando pela manutenção da servidão. Não há um interesse em mudar a situação, apenas em remenda-la. “Sou cobrador de ônibus e não quero catracas eletrônicas pois elas me tiram o emprego.” – Porra, a máquina é que não muda de função, o sujeito pode fazer qualquer outra coisa da vida, e pode contribuir realmente para o mundo, com criatividade e inventividade. Existe um medo da liberdade e da descoberta que agrilhoa a nação. É uma luta pela continuidade do marasmo. Eu sei que não é tão simples assim, mas ao menos eu percebo que o ser humano é uma entidade pensante e criativa, e não precisa ficar no mesmo emprego repetitivo, escravizante e enfadonho para o resto da vida.
Na verdade achei bastante irônico que essa missão tenha sido financiada pelo partido do assistencialismo. Um conhecido resumiu bem nossa situação: “Plantamos laranja e importamos suco de caixinha”. Nesse bate e boca sobre padrões de televisão digital a adotar, eu acho triste que não exista o padrão brasileiro, e não para que ele fosse eleito apenas por esse critério, mas porque ele seria de fato o melhor de todos. Mas não, tecnologia não é com a gente, temos que importar. Pesquisa não é com a gente, temos que sentar e ver os outros fazerem.
Marcos Pontes ir ao espaço não vai ajudar em nada a vida de Juvenal, o cobrador, isso é óbvio. Mas é uma semente plantada para que no futuro não sejam mais necessários cobradores. Os Juvenais ainda o serão necessário, mas em ramos em que eles serão conhecidos como Juvenal, não como “o cobrador”. A função não dita o homem, o homem dita a função.
A humanidade tem uma vasta gama de exemplos em que fizemos algo apenas para provar que podemos faze-lo. A presença de Marcos é isso. È mostrar que não somos um país de plantadores de laranja, mas de pilotos, engenheiros, cientistas e muito mais.
875C
Este é o número do ônibus que pegava para ir à escola Móbile, antes de me mudar para BH em 96. Também o pegava para ir trabalhar no estúdio do Marcelo Arruda; na Confraria247; no Museu da Casa Brasileira; pra dar aulas na Estação Especial Lapa e o pego quando vou pra USP.
Agora é também o ônibus que pego pra ir ao meu novo emprego, no umstudio.com.
Estou lá de webdesigner, oficialmente Assistente de Arte. É um escritório pequeno, trabalho com mais três e o chefe/dono. Rolam clientes legais como DM9, LewLara, Motorola, Votorantim e mais uns tantos. Comecei na terça e a semana foi boa, nada de trabalho pesado, apesar de meus pequenos momentos de pavor (pensando: puta merda, como vou fazer isso que ele me pediu?!).
O salário é um dinheiro legal e veio no momento em que eu mais precisava. Quero mesmo vingar nesse emprego pois estou curtindo o ambiente e acho que vou conseguir aprender umas coisas legais.
Aproveitando: Carol, minha irmã, foi promovida ontem. Finalmente boas notícias estão dando as caras. Só vai ser dureza não ter mais a liberdade de ir pra BH no meio da semana.
pérolas
pérolas
Eu fico impressionado com a pacidade de algumas pessoas de falar asneira. Asneira da mais pura, não destilada. Algo interessante é que algumas delas, pegam a ponta de fio de um assunto, tomam-o para si, piram na batatinha e acham estar falando das coisas mais sábias do mundo.
E acabo de me deparar com exemplos fantásticos concentrados em uma só pessoa, em uma só entrevista. Irei colar abaixo uma seleção maravilhosa para o deleite dos meus poucos leitores:
Fiz balé clássico até os 19 anos e ioga por mais dezessete. Sempre me preocupei mais com o corpo do que com o espírito. Agora, quero encontrar o caminho da verdade. Comecei a fazer aikidô. Um sensei me dá aula particular. Ele tem uma energia fortíssima. Para você ter uma idéia, o sensei arremessa os alunos faixa preta ao chão com seus golpes. Depois, estende o braço e lhes mostra a palma da mão. Os alunos ficam congelados no lugar onde caíram só pela energia que sai da sua mão. É igual ao filme O Último Samurai. Aprendi coisas incríveis com o aikidô.
Veja – Que coisas?
Yara – A dar cambalhota, por exemplo. É mais ou menos a representação da vida. Nascemos com a possibilidade de fazer uma infinidade de coisas, mas, com o tempo, criamos arestas. O aikidô nos ajuda a aparar essas arestas e ficar mais redondos. Veja bem: redondo no contexto energético. Fisicamente, é o contrário. Aikidô emagrece e afina a cintura.
Veja – O que mais o aikidô lhe ensinou?
Yara – Aguçou meu feeling. Tenho boa intuição, mas só dei atenção a ela depois de uma experiência aterrorizante no aeroporto em Paris. Senti um frio na barriga na hora em que peguei na esteira de bagagem uma maleta Louis Vuitton, que tinha umas bobeirinhas dentro, como meu passaporte – o brasileiro, porque o italiano estava na bolsa –, um reloginho Cartier, uma maquininha digital e uns creminhos. Não dei bola para essa sensação e fui para o carro que me esperava no terminal. Você acredita que roubaram a maleta? O aikidô me fez enxergar minha parte de culpa nisso. Pressenti que iam levar a maleta e não fiz nada.
Percebam como ao mesmo tempo que desfere asneiras de pedigree, é possivel perceber a absoluta futilidade e falta de noção da realidade mundial impressas nessa mulher.
Essas declarações ridículas diminuem o Aikido à uma crendice qualquer do novo milênio. Eu pratico e não tem nada de ficar segurando os outros com a palma da mão. Com ela você empurra depois de dar uns belos chacoalhões no sujeito. E acrescento: Eu também jogo faixas-pretas longe, inclusive o Sensei. Isso não é para me gabar. Isso é o Aikido. Não existem melhores ou piores, vencedores ou perdedores. Você se supera e assim supera os obstáculos que aparecem. Não tem nada a ver com pressentir roubos de bolsas de dondoca.
Mas ela não termina no Aikido. Ela se aventura por outros terrenos da experiência humana, que tornam-a uma figura ainda mais imbecil:
Veja – Que mulheres a senhora mais admira?
Yara – Uma é a Marilyn Monroe. Ela adorava o glamour. Também me identifico com Diane de Poitiers e Aspásia. Diane viveu no século XVI e ampliou a cultura na França. Sua família tinha títulos de nobreza, como a minha. Aos 60 anos todo mundo lhe dava 30. Além disso, protegia pintores e divulgava encontros culturais. Já Aspásia foi a professora de Sócrates.
Marilyn Monroe era uma porta de tão burra. Era a típica Bimbo, não há mais nada a dizer. Notem como ela achou importante destacar os títulos de nobreza que possui. E sua humildade parece infinita, ao comparar-se com a professora de Sócrates.
Veja – A senhora é religiosa?
Yara – Fui católica até os 14 anos. Um dia, quando estava me confessando, o padre me deu uma bronca porque não havia ido à missa. Na hora, tive certeza de que o catolicismo não era o meu caminho. Quem era aquele homem para me criticar? Passei a acreditar na natureza. Creio nas árvores, nos bichos e na água. O canto do passarinho é a representação pura da energia que existe no cosmo. Daí o meu cuidado com o meio ambiente. Só uso spray de cabelo que não prejudica a camada de ozônio. Ando tendo muitas preocupações com o mundo.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAH.
Logo nota-se que ela é uma pessoa muito engajada com os problemas do planeta, afinal, o spray sem CFC para o cabelo dela balanceia bem a gasolina que o carro de 300 cavalos que ela anda queima. Isso sem mencionar as fábricas que ela e o maridão possuem.
A propósito, eu atambém acredito em água e em bichinhos. Acho que eles com certeza existem.
Veja – Quais?
Yara – A maior é com a água. Se não economizarmos, vai faltar no próximo século. Também estou apreensiva com o tempo. Li que o dia passou a ter só dezesseis horas, segundo a física quântica. É incrível como não conseguimos mais cumprir com nossos compromissos…
Veja – Como a senhora definiria a física quântica?Yara – Não sei explicar direito, mas posso dar um exemplo. Quando vou contratar alguém, além de avaliar seu currículo, procuro sentir sua energia. Se é boa, houve um encontro dos nossos campos energéticos, entendeu?
Eu realmente acredito que ela deveria presidir o próximo encontro internacional de física quântica e que Stephen Hawking deveria ceder sua cadeira e rastejar no chão em humildade por partilhar o mundo com uma mente tão brilhante no campo.
Isso foi só um gostinho. Quem quiser na íntegra, entre aqui. Tem muitos outros momentos fantásticos.
Esse tipo de merda me faz pensar em como o mundo é injusto. Não só o poder e o dinheiro está concentrado na mão de poucos, mas desses poucos, tantos são completos imbecis.