Archive for the ‘conhecimento’ tag
critica infundada
Os detratores de projetos colaborativos como a Wikipedia deviam dar uma lida nessa página antes de falarem bobagem. Em especial os ítens:
1 Não estamos à venda.
Se você espera que a Wikipédia seja comprada por alguma gigante da internet, não se preocupe. A Wikipédia é gerida pela Fundação Wikimedia, uma organização sem fins lucrativos baseada em São Petersburgo, Flórida – EUA. Somos sustentados por doações e nossa missão é trazer o conhecimento livre ao planeta inteiro.
Mais informações: http://wikimediafoundation.org/wiki/Main_Page
5 Nós zelamos muito pela qualidade do conteúdo.
A Wikipédia possui uma complexa relação de políticas e processos de controle de qualidade. Editores monitoram as modificações assim que elas acontecem, monitoram, também, tópicos específicos de seu conhecimento, as contribuições de um usuário, marcam artigos com problemas para que outros editores trabalhem neles, e discutem a pertinência de cada artigo e a sua permanência ou não dele na Wikipédia. Artigos com problemas são propostos para eliminação e os melhores são destacados na página principal. “WikiProjetos” focam o desenvolvimento de artigos em uma determinada área de conhecimento. Nós preocupamos sempre em fazer as coisas corretamente, e nunca deixaremos de pensar novas formas de fazê-lo.
Mais informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Portal_comunit%C3%A1rio
6 Não queremos que acredite em nós.
É próprio de um trabalho dinâmico, como a Wikipédia, enquanto alguns artigos são de qualidade extremamente superior, outros são incompletos e mal desenvolvidos. Temos conhecimento e admitimos isso. Tentamos sempre manter um nível elevado dos artigos, é claro, e tentamos encontrar maneiras de deixar o leitor a par do nível em que cada artigo se encontra. Mesmo no seu melhor, a Wikipédia tal qual uma enciclopédia, não é uma fonte primária, e possui limitações. Nós pedimos que você não condene a Wikipédia, mas use-a compreendendo o que ela é e representa.
Mais informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Avisos_gerais
as coisas que você possui acabam possuindo você
Clube da Luta é mesmo um filme sensacional. E pretendo ler o livro eventualmente, mas para isso meu marasmo literário tem que ter passado há um bom tempo (e isso é outro problema). Lembro há um tempo atrás que o filme era uma febre entre meus conhecidos, todo mundo falava dele, e o quão incrível é.
Mas o que sempre me fascinou é como a maioria das pessoas que gosta do filme não entende do que o filme está falando. Claro que eu posso estar enganado quanto à minha interpretação, pode ser que como no caso de Tyler Durden, Clube da Luta se passe por uma coisa para falar de outra tão obscura que apenas um grupo muito seleto seria capaz de compreender.
O problema é que eles adorariam pagar R$50,00 em uma barra de sabão de plástico escrito “clube da luta” ou mesmo sabonetes de verdade da Paper St. Soap Company por R$20 ou mais a barra.
Calvin Klein, DKNY, IKEA, Macintosh, Microsoft, Starbucks, VISA, MasterCard, New Beetle; são todos símbolos que o filme destrói especificamente, entretanto muitos de seus fãs ainda os perseguem com afinco. Como se ter Windows Vista instalado no computador irá torná-los iluminados.
“Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar coisas que não precisamos” é uma citação direta de Tyler. Quantas pessoas você conhece que odeiam seus chefes e em seguida dizem “Mas está tudo bem, comprei um celular com câmera agora.” Concordo que as coisas não são tão simples quanto Tyler diz, e que muitas vezes é necessário ceder à máquina e escapar um pouco da banalidade da vida com aquisições fúteis; eu faço isso também, somos todos humanos afinal. Só não podemos fazer do escapismo uma dependência, e depois rotina.
É como a cena de Maria Antonieta em que a personagem título está experimentando sapatos e entre eles há um Converse All-Star (que eu não vi
). Todo que tem all-stars achou esse detalhe absolutamente sensacional, não pelo que Sofia Coppola estava tentando mostrar, mas porque Maria Antonieta tinha um All-Star.
No fim das contas, acho que o principal é saber o que estamos fazendo, porque estamos fazendo e se não é aquilo que queremos fazer, agir para equilibrar a balança. Senão torna-se apenas inércia.
Cada vez mais percebo o quanto as pessoas desvalorizam relações e atitudes que não tenham um valor monetário envolvido. Se você faz algo apenas por fazer ou por amor, costuma ser questionado.
Lembro de uma semana em que trabalhei na campanha para uma operadora de celular, promovendo um “artista” musical que desprezo. No sábado seguinte participei de uma manifestação bem-humorada diante de uma de suas lojas. Fiz a campanha para ganhar meu salário e comprar DVDs, e fiz a manifestação para comprar minha alma de volta. Preciso de mais semanas desse tipo.
galaxy quest
Todos sonhamos em fazer uma diferença na vida. Seja como um herói único ou como um anônimo em um evento de suma importância. Considerando a insignificância da raça humana como um todo perante a magnitude do universo conhecido (e desconhecido) e a insignificância de um mero indivíduo dentre tantos outros, as chances de você fazer diferença sendo um anônimo é muito maior do que sendo um herói.
Considerando essa lógica, por que não vestir a camisa e ajudar astrônomos na compreensão do nosso universo e expandir ainda mais o universo conhecido?
Para isso temos o Galaxy Zoo, onde você contribui com a pesquisa astronômica classificando galáxias, apenas distinguindo-as entre elípticas ou espirais. Basta olhar uma foto e clicar no botão de acordo e pronto, você contribuiu para diminuir a massiva carga de dados a serem analizados.
É como um seti@home mais pró-ativo. Vale a pena para matar o tempo e ainda faz bem pra alma coletiva.
fly marcos to the moon
Numa tentativa de manter esse blog atualizado e antenado no que está acontecendo, vamos comentar a viagem de nosso ilustríssimo cosmonauta, Marcos Pontes.
Não estou empolgadíssimo nem achando a coisa mais sensacional que aconteceu à um brasileiro. Se fosse comigo ou com algum amigo/parente, aí pode apostar que eu estaria radiante.
Mas a questão é que tampouco sou contra essa viagem. Na verdade acho bastante importante. Ouvi um papo sobre o Lula ter feito questão de pagar a viagem com os russo só para que Pontes não fosse com a Nasa, mas ouvi na forma de boato, e não de notícia, mas se for verídico concordo que é uma grande palhaçada.
Analisando a situação apenas do ponto de vista de que o gasto dos 10 milhões não foi uma escolha, e sim algo totalmente necessário, creio que a palhaçada é da parte de quem critica esse tipo de atitude, que ao meu ver não é um gasto, e sim um investimento. Aliás, palhaçada não, ignorância.
Entra aquele caquético argumento de que “tem tanta gente passando fome no Brasil e gastam 10 milhões com isso”. Haja bonequinho pra ouvir a mesma coisa tantas vezes. Isso não é um argumento, é uma desculpa para a ignorância, falta de visão ampla, ou mesmo para a hipocrisia.
Uma missão astronáutica brasileira (mesmo que englobada por uma missão russa ou estadounidense) é sim algo de valor. Para aqueles que não sabem, existe um campo do conhecimento humano chamado ciência, em que o Brasil luta para achar e manter seu lugar. Ciência não é apenas pessoas indo pra lua ou catalogar espécies desconhecidas de animais, é o que possibilita termos toda essa tecnologia sensacional à nossa volta, e por mais que você se diga averso à ela, usa computadores, telefones, eletricidade, carros e o escambau a quatro, tecnologia não significa computadores de última geração, um monjolo é tecnologia. E na ciência existe uma parte dedicada à pesquisa pura. É sim um tiro no escuro, é um salto de fé, em que um assunto é estudado apenas por ser estudado, os frutos serão colhidos depois.
Assim o é com a missão de Pontes. É difícil justificar com números um gasto de 10 milhões de reais. Mas eu mesmo, em minha imensa ignorância já sou capaz de encontrar argumentos para tal. E o maior deles é a inspiração. Antigamente uma criança brasileira se contentava em comemorar o pouso de americanos na lua ou lamentar a perda de um ônibus espacial americano, as crianças da nova geração poderão se lembrar do nosso marco no espaço. Claro que comparando o histórico das outras nações ele é ridículo, mas só porque já foram lá primeiro não devemos nos preocupar mais em ir? O assunto gera debate e perguntas dentro da comunidade científica e dentro da sala de aula, causa interesse em um assunto morto na mente dos brasileiros e do mundo: conhecimento e conquista.
Acreditar que a viagem de Pontes é um desperdício de dinheiro é o mesmo tipo de mentalidade que povoa a mente das mulheres sem-terra que destruíram um laboratório de pesquisas. Está certo que o laboratório era de uma companhia privada que pode ter muitos podres, mas por que não destruir as casas dos donos que enriquecem com isso? Destruindo o laboratório dano maior é para o conhecimento. Raiva mal direcionada não dá resultados.
Vejo o assistencialismo e o sindicalismo lutando pela manutenção da servidão. Não há um interesse em mudar a situação, apenas em remenda-la. “Sou cobrador de ônibus e não quero catracas eletrônicas pois elas me tiram o emprego.” – Porra, a máquina é que não muda de função, o sujeito pode fazer qualquer outra coisa da vida, e pode contribuir realmente para o mundo, com criatividade e inventividade. Existe um medo da liberdade e da descoberta que agrilhoa a nação. É uma luta pela continuidade do marasmo. Eu sei que não é tão simples assim, mas ao menos eu percebo que o ser humano é uma entidade pensante e criativa, e não precisa ficar no mesmo emprego repetitivo, escravizante e enfadonho para o resto da vida.
Na verdade achei bastante irônico que essa missão tenha sido financiada pelo partido do assistencialismo. Um conhecido resumiu bem nossa situação: “Plantamos laranja e importamos suco de caixinha”. Nesse bate e boca sobre padrões de televisão digital a adotar, eu acho triste que não exista o padrão brasileiro, e não para que ele fosse eleito apenas por esse critério, mas porque ele seria de fato o melhor de todos. Mas não, tecnologia não é com a gente, temos que importar. Pesquisa não é com a gente, temos que sentar e ver os outros fazerem.
Marcos Pontes ir ao espaço não vai ajudar em nada a vida de Juvenal, o cobrador, isso é óbvio. Mas é uma semente plantada para que no futuro não sejam mais necessários cobradores. Os Juvenais ainda o serão necessário, mas em ramos em que eles serão conhecidos como Juvenal, não como “o cobrador”. A função não dita o homem, o homem dita a função.
A humanidade tem uma vasta gama de exemplos em que fizemos algo apenas para provar que podemos faze-lo. A presença de Marcos é isso. È mostrar que não somos um país de plantadores de laranja, mas de pilotos, engenheiros, cientistas e muito mais.
tio oscar e seus 23 filas
Voltei de Moeda hoje cedo e fui trabalhar normalmente. O Bruno definiu bem a situação? Lama.
Enfim, o sábado lá foi mega tranquilo, já que o André se embananou todo e foi até BH buscar papéis que estavam de fato na fazenda, e eu e a Dani ficamos um tempão de bobeira esperando por ele pra ir trabalhar.
Mas o quente rolou ontem mesmo. Todo mundo foi junto até uma fazenda bem longe, e ao entrarmos fomos recebidos por uma amistosa matilha de filas, todos sorrateiros, silenciosos e observadores, o que não é um bom sinal. Depois de sermos socorridos pelo peão do local, nos dividimos em dois grupos (um de registro e um de prospecção, o modo clássico) e fomos trabalhar.
Eu, Dani, Gó e Fabrício fomos registrar alguns sítios na beira do rio. Tudo foi tranquilo, apesar do calor, e até demos uma nadadinha na hora do almoço. Para encontrar o último sítio é que foi uma merda, em vários momentos tivemos que meter o pé na água mesmo (sendo que eu só tinha um calçado pra viagem toda, e pra pegar o onibus pra SP – como resultado peguei um tênis idêntico emprestado do André).
Depois de registrar o último sítio retornamos sorrateiramente ao local do carro, pelo quintal da casa, munidos de facões, pedaços de pau e uma escala da 2M, para enfrentarmos eventuais filas. Michel, o peão, novamente veio em nosso socorro, e Dani pegou uma carambola da árvore. Ao chegar no curral próximo ao carro nos deparamos com uma figura semelhante ao Tio Oscar do Arrested Development.
Enfurecida.
Ele tremia de nervoso. Questionou nossa presença nas terras dele, achou um absurdo, “que mundo é esse?” e tudo mais. Só quando a Dani (de carambola dele na mão) começou a explicar o trabalho ele se acalmou. Aí mudou tudo, começou a nos alugar, e comentar que fez e faz um trabalho de pesquisa na serra também, sempre embutindo o fato de que a gente tava fazendo tudo errado e sem qualquer conhecimento prévio do lugar ou metodologia, como definiou o Alastair: “Like a Frenchmen”.
Piada pra quem assiste Arrested Development: Enquanto estávamos levando bronca aguardei a passagem de um tanque a qualquer momento, no qual a figura iria sair correndo com uma jarra de limonada.

