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Arquivos de Junho, 2009

a internet é o diabo até você fazer um pacto

Segunda-feira, Junho 22nd, 2009

ou Petrobrás patrocina show do Metallica em Teerã

As notícias da crise dos jornais nos EUA e no Reino Unido continuam saindo. Não passa uma semana sem que um jornal esteja a beira da falência, até o New York Times está com problemas. Com jornais parando as máquinas indefinidamente, um culpado logicamente é preciso ser encontrado.

E como todo mal dos anos 2000, o culpado é a internet. Serviços como Google e Huffington Post recebem acusações de terem seu dedo fundo na ferida dos jornais e estarem contribuindo ativamente com suas mortes; por estarem apenas repassando conteúdo de propriedade dos jornais. Blogueiros, twitteiros e outros “eiros” da web também recebem parte da culpa.

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Para as redes sociais e outros tipos de geração de conteúdo colaborativo a acusação é mais grave: Não estão apenas roubando a atenção dos meios tradicionais (não só jornais mas também rádio e TV), como estão fazendo isso com um conteúdo de “qualidade não comprovada”.

São duas acusações básicas espalhadas a esmo:

  • Copiar seu conteúdo e passar pra frente
  • Produzir conteúdo porcaria, porque você não tem diploma é profissional e não tem uma instituição de renome por trás

E então veio a crise no Irã. E o fim da obrigatoriedade do diploma. E aconteceu isso aqui com a imprensa e os jornalistas:

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De repente, jornalistas não podem mais fazer seu trabalho e são impedidos de reportarem, com ameaças às suas vidas. Aparentemente segundo o governo do Irã, jornalistas não produzem conteúdo de “qualidade comprovada”. E quem ajuda? Exatamente, as mídias sociais. Aquelas mesma que estavam roubando a atenção dos jornais com conteúdo porcaria. Agora estão ajudando a alimentá-los. De repente o Twitter é o herói. Com seu novo canal, CitizenTube, o YouTube é praticamente vanguardista. Sem essas ferramentas, inúmeros protestos não seriam organizados e nós jamais saberíamos o que está acontecendo, apenas boatos.

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Notícia de qualidade comprovada segundo o governo Iraniano

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o pau comendo

Para o break, vamos ao mundo da música, lá em 2000:

Lembram disso? Eu lembro, com um gosto bem amargo na boca. Agora o Metallica disponibiliza shows em um site dedicado a isso, que requer um arcaico cadastro para download ao invés de fazer um streaming com opção de download. E ainda por cima, Lars Ulrich, a estrela do vídeo acima tenta sair por cima da carne seca como visionário do conteúdo gerado por usuário:


“This is the next logical step in a process that began back in 1991 when we first implemented the ‘Taper Section’ at our shows, where the fans were encouraged to bring in their own gear to record the show, and then take home their very own ‘bootleg’ of the concert they had just seen.

Infelizmente a idéia dele não é criar uma comunidade onde fãs possam trocar vídeos e áudio dos shows a vontade em adição ao conteúdo oficial. E sim fazer com que os fãs parem de gravar e vão ao site comprar o material oficial (a partir de US$9.95, pelo MP3).

“This technology will enable our fans to get the best possible recording of the show, without having to hold a microphone in the air for the entire night!”

Revolucionário, não? Também, o que esperar de uma banda que tem um site pior que uma página de MySpace e com gifs animados?

No universo musical há bandas muito mais espertas que isso que conseguem usar bem a internet a seu favor e a favor dos fãs. De cabeça vêm Radiohead e Nine Inch Nails. E eles são tão bons que nem vou postar links, gente foda não precisa de link, é só googlar.

Apagando incêndio com petróleo

Ao divulgar na íntegra perguntas e respostas de entrevistas feitas a ela, a Petrobrás bem que tentou usar a internet a seu favor de uma maneira simples e ao mesmo tempo inovadora. Ao menos para os padrões da imprensa brasileira. Longe de mim defender corporações, elas têm defesa o suficiente. Mas, acuada, acreditando que o “furo” ainda é seu maior trunfo, a imprensa esperneou tanto que a petrolífera acabou cedendo parcialmente e só irá publicar a informação depois da publicação no respectivo veículo. Numa época em que um celular é ferramenta de notícias, acreditar que furo é um trunfo é dar tiro no pé.

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remember the hudson

Uma entrevista é um acordo. O entrevistado tem tanto direito a divulgar as perguntas e respostas quanto o entrevistador. Nas poucas entrevistas que dei, fiz questão de gravar por completo, para no caso de me sentir prejudicado, ter os meios de me defender. Claro que minha imagem já não é lá essas coisas, então não senti a necessidade de colocar a tática em prática.

O que importa é o papel

Enquanto os veículos em si vêem sua hegemonia ameaçada; jornalistas crêem que estarão no olho da rua até o fim da semana -- em especial agora que no Brasil não é preciso diploma para exercer a profissão de jornalismo. O Estadão começou uma nova campanha, que apesar de ter um principio interessante e positivo, cai na mesmice ao fazer jogos semânticos dizendo separando informação de conhecimento:

Curioso ver o contraponto entre o sujeito usando a internet para adquirir “informação” e o outro pegando um diploma para adquirir “conhecimento”. Isso cai como uma luva para os jornalistas e estudantes de jornalismo que ainda dizem que o valor está no papel que eles receberam, não o que eles produzem. Se conhecimento fica, vale lembrar outra campanha do Estadão, essa, bem menos positiva:

Eu não tenho nada contra jornalistas ou seus diplomas. Gostaria inclusive de dar-lhes as boas-vindas, agora que se juntaram a mim em uma das inúmeras classes onde diploma universitário não é exigido. Eu sou a favor é de trabalho bem-feito. Vou dar uma dica: É assim que vencemos os não-diplomados que só fazem porcaria. Os não-diplomados que fazem um bom trabalho merecem um grande parabéns. E os diplomados que fazem porcaria que por favor se retirem.

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Prelo digital

A transição de um negócio “tradicional” para um modelo que comporte a internet me parece ser composta dos seguintes passos:

  1. A internet está acabando com meu negócio/emprego
  2. Vou processar/protestar contra a internet
  3. Não adianta, são muitas pessoas/entidades
  4. Essa internet não vai embora mesmo, né?
  5. Ok, vou fazer negócio com essa tal de internet

Inúmeros negócios de comunicação, cultura, informação e produção estão lutando com essa adaptação. Em diferentes estágios. E sempre o que causa mais barulho é o segundo, mas o que dá menos retorno. De maneira nenhuma é uma transição fácil, se fosse, todos viveríamos na Alegrolândia digital. Embora muitos estejam, não é trabalho do usuário ou do consumidor descobrir o caminho. É sim do produtor, de acordo com a demanda do usuário.

O caso do Irã é curioso pois o fornecedor se tornou o consumidor e repassador. Segundo os defensores do diploma, absolutamente nada que eles dizem ou gravam tem valor como conhecimento. E pela lógica de Ulrich, eles estão roubando o que é dos twitteiros por direito, um abuso.

Tentei encontrar o texto em que Arianna Huffington diz que o que importa não é salvar jornais, mas sim jornalismo. Vocês terão que confiar em mim. E não poderia concordar mais. Não importa o meio ou formato que a informação toma, desde que seja passada adiante.

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Parto então com uma citação de Huffington no Weeby Awards:

“i didn’t kill newspapers, ok?”

exterminador do futuro: a salvação

Sexta-feira, Junho 5th, 2009

Acabo de voltar de uma pré-estréia de Exterminador do Futuro: A Salvação, cortesia do Wal-Mart e do @inagaki. E é dificil falar do filme sem dar spoilers ou sem discorrer tanto sobre as coisas que eu não gosto e acabar espantando alguém.

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Não há como não comparar este filme aos anteriores, afinal, é uma série. E Salvação tem um fardo grande para carregar. Ele possui uma característica que foi explorada brevemente em Star Trek: Ser ao mesmo tempo uma seqüencia e um prequel. Em Star Trek[bb] foi um detalhe importante para dar base à trama, sem o qual o filme não serviria aos anteriores. Já em Salvação, essa característica deveria ser seu foco principal, não apenas da trama em si, mas do tom geral do filme.

O passado dos filmes anteriores está no futuro, futuro que nos foi prometido ver em a Salvação. E este é o fardo. Ouvimos tanto falar sobre Skynet, o Dia do Julgamento e o horror propagado pelos Exterminadores que é impossível não termos expectativas. E devo dizer que o filme não preenche todo este vazio.

Temos sim sequências de ação muito boas e algumas das máquinas conseguem criar um grande senso de perigo iminente. E temos até alguns Transforminators:

Mas para por ai. O filme obviamente muda de rumo de repente, abandonando a trama que estava construindo em torno de Marcus Wright e Kyle Reese para se concentrar no John Connor de Christian Bale. Que para um futuro líder de resistência não é dos mais brilhantes. Tampouco são brilhantes seus chefes e seu principal antagonista: Skynet. Levando a um final manjado beirando o abismal.

Enquanto Sam Worthington (Marcus) e Anton Yelchin (Reese) se esforçam com o pouco que o roteiro lhes dá; Bale parece não ligar muito, e quando abre a boca sempre sai Batman[bb] ou xlique. Somos brindados por personagens secundários que não significam nada, vilões que explicam sua trama antes da hora em uma cena digna de Matrix[bb], e até mesmo uma pirralha superdotada (muito obrigado, Sexto Sentido[bb]). A edição é fraca e não há um bom ritmo, momentos que deveriam ser carregados de emoção, como o encontro de Connor e Reese não têm qualquer peso no filme.

Mas de fato há Salvação. Os efeitos são impressionantes, e trazem o Governator ao filme (mesmo que bem fake). Embora não façam um bom filme, vários detalhes para os fãs da série estão presentes para serem destrinchados. E para o horror de Bale a fotografia é um dos pontos fortes do filme. Acaba sendo um filme divertido, mas nada mais, não é uma desgraça como Wolverine[bb], vale a pena assistir, mas não é nenhum Star Trek.

Creio que os melhores frutos do filme sejam o remix BaleOut e o clipe do Nine Inch Nails[bb] trailer: