star trek – novo em folha
Quarta-feira, Abril 29th, 2009Entre adaptações de seriados defuntos, continuações tardias, remakes e todas as outras revitalizações de cultura popular que temos visto, um grande nome ficou de fora: Star Trek. Existe uma razão importante para isso: desde o final dos anos 70 Star Trek na verdade nunca parou. Mas agora, depois de 7 anos silenciosa nos cinemas (e 4 anos desde a última encarnação televisiva) a série volta com mais barulho do que nunca.
Entre os fãs existe uma famosa maldição dos filmes ímpares. Enquanto os filmes pares são excelentes, os ímpares são apenas médios ou simplesmente ruins. Star Trek de JJ Abrams, não é apenas o décimo primeiro filme, como obviamente pretende ser o primeiro de uma nova série. Mas felizmente essa maldição foi quebrada pelo filme anterior, Star Trek Nemesis – um filme par que é uma verdadeira bomba. E Star Trek de fato está do lado mais forte do espectro da qualidade.
O filme é projetado para ser algo completamente novo. Uma nova introdução ao universo de Star Trek para aqueles que jamais o viram. Ao mesmo tempo tem a dura missão de agradar os fiés fãs (como eu). Considerando os últimos 10 anos da franquia, no meu caso pessoal não seria uma tarefa muito difícil. Tentei fugir ao máximo de spoilers antes do filme, embora tenha ouvido alguns detalhes sobre a trama aqui e ali. Assim, estava com a pulga atrás da orelha quanto a como seria feita essa renovação, pois tudo obviamente parece diferente, não apenas os atores, mas também o visual e o ritmo das cenas. Seria um reboot? Uma história de origem ignorando o futuro? Na verdade, e sem dar spoilers, é uma mistura disso tudo e um pouco mais.
Desenhar o futuro não é tarefa fácil, daqui a 10 anos pode estar datado, a direção de arte conseguiu dar um ar moderno sem o visual pasteurizado que é comum nesse tipo de produção. E para tentar fugir da obsolência misturou alta tecnologia com canos expostos. A fotografia faz amplo uso de angulos tortuosos; a câmera não chacoalha como em um filme do Michael Bay, mas também não para quieta, mesmo em cenas dramáticas. Os flares são um assunto a parte, dominando quase todas as cenas; apreciei durante as tomadas espaciais, mas fica difícil acreditar que alguém consegue trabalhar em um ambiente tão ofuscante quanto a ponte da Enterprise. A trilha sonora é solida embora não excepcional, mas a adição do tema clássico dos anos 60 foi muito bem-vinda. E os efeitos sonoros com certeza são os melhores que a série já viu.
Os diálogos não são muito fortes e todos os personagens parecem ter pressa em falar, com exceção de Chekov – de longe o personagem mais fraco e quase irritante. Em uma conversa pouco antes da seção, ponderávamos: Já que é pra renovar, Star Trek precisa de mais mulheres além da Uhura. Porque não fazer como Battlestar Galactica e trocar uns homens por mulheres, Chekov foi o eleito, e o filme comprova que teria sido uma boa escolha. O restante da tripulação se dá bem, sendo que McCoy e Scotty com certeza são os melhores caracterizados.
O filme consegue apaziguar os fãs propondo uma solução que se encaixa perfeitamente no folclore trekker. É curioso que um filme que se propõe a ser “diferente do Star Trek dos seus pais”, retorne tanto às raizes. O humor, a aventura, os momentos ingênuos e o lado sensual todos remetem às raizes da série original de 66. A modernização se dá por conta dos efeitos e do ritmo mais acelerado. Enquanto os outros filmes tentavam dar um tom cada vez mais sério, Star Trek vence por não querer pegar pesado e se concentrar em pontos fortes da série original – um feito que não ocorria nos cinemas desde Star Trek IV
.
O filme é mais focado nos personagens e menos na humanidade como um todo. Nessa linha, lida muito com a trajetória pessoal de Kirk e Spock, ao mesmo tempo que é o mais bem-sucedido em dar a devida atenção ao resto da tripulação. Aos não-fãs vale como uma introdução ao universo e uma excelente aventura. Para os fãs, é uma maneira de ver a história que tanto amam continuar de uma maneira diferente, é ao mesmo tempo uma nova tripulação e a mesma de sempre. Além disso há detalhes e surpresas que os fãs irão apreciar e passarão despercebidos ao grande público. Por ser um reboot, o filme foi feito sob medida para continuações sem deixar as óbvias pontas soltas. Como em qualquer Star Trek a ponta solta é o amplo universo a ser explorado, que depois de 43 anos de histórias está novinho em folha.
Se tiverem a mórbida curiosidade de ouvir como foi a saga até a sessão do Omelete e as primeiras impressões logo após o filme, confira no meu gengibre.













