Archive for March, 2009
a crise segundo fmafra
Antes de colocar meus dois centavos, peço a paciência dos meus leitores para que vejam alguns vídeos. Se você não entende nada de inglês, aviso que será difícil acompanhar já que apenas um dos vídeos é na nossa lingua-mãe.
O primeiro é famoso na web, dica do Marco Gomes, e uma inspiração no meu trabalho com kinetic type. “The Crisis of Credit Visualized” explica com uma excelente animação o núcleo da crise pela qual estamos passando.
The Crisis of Credit Visualized from Jonathan Jarvis on Vimeo.
Eu sei que é muita informação e termos estranhos para acompanhar de uma vez. E se estiver com preguiça de ver de novo, o He-Man ajuda em português claro:
Como você pode ver, a coisa não está facil. Até Lex Luthor está passando por dificuldades (dica da Dani)
E a situação é mais ou menos essa. Sendo a origem da crise, e por estar tomando um baita prejuizo (e ainda vai tomar mais), os Estados Unidos e seu líder supremo popstar Barack Obama estão cozinhando várias idéias para resolver a situação e deixar todo mundo feliz.
Uma das medidas é aparentemente simples: Aumentar os impostos dos mais ricos e redirecionar o dinheiro para ajudar os mais pobres com infra-estrutura, habitação, educação, saúde e tudo mais que é legal nessa vida. Algo nada inédito e praticado há um bom tempo na Suécia, aliás.
Mas é óbvio que nem todo mundo vai ficar feliz. E para illustrar, colo abaixo o último vídeo deste post, um clipe do Colbert Report um dos meus programas preferidos e que tenho visto quase diariamente:
| The Colbert Report | Mon – Thurs 11:30pm / 10:30c | |||
| The Word – Rand Illusion | ||||
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É natural que queiramos protejer o que é nosso, independente de tempos difíceis ou não. Por isso trabalhamos duro, guardamos dinheiro e compramos coisas que gostamos. Mas essa noção de que o mundo é justo e que todos aqueles que tem posses as tem por puro merecimento, enquanto os destituídos são um bando de preguiçosos é tão absurda que tenho certeza haver uma palavra pra isso que vai muito além de “elitista”.
Existem inúmeros meios pelos quais pessoas ficam ricas. Em uma conversa outro dia ouvi a afirmação de que “Muitos brasileiros sentem vergonha de serem ricos pois no Brasil posse está associada a corrupção.” Embora esse não seja um sentimento partilhado por todos os brasileiros abonados, com certeza faz sentido. E ser corrupto, assim como trabalhar muito é uma das maneiras de se encher o bolso. Não são apenas esses dois extremos, muitas pessoas não são corruptas, fazem tudo dentro da lei, mas conhecem tão bem como o sistema funciona, e como dribá-lo que acabam sim por se aproveitar de menos destituídos para benefício próprio. Não acredita? Veja o primeiro vídeo de novo por favor.
O mundo não é justo. Longe disso. E ele é assim pois a maioria de nós, pobres, ricos e mais ou menos costuma enxergar apenas o que nos afeta diretamente. Curto-prazo. Eu ao menos creio nisso. Todos nós exercemos diferentes papéis na sociedade, alguns de maior, outros de menor relevância (não direi importância) e com remunerações e benefícios drasticamente variantes. Conheço pessoas de diferentes posses, e dentre elas, diferentes graus de disposição para trabalhar. E mesmo os mais indispostos, salvo raras exceções, eu não chamaria de mal-intencionados, apenas mal-informados.
Há inúmeras histórias de pessoas que tinham tudo e não viraram nada. E dos que tinham nada e conquistaram tudo. Isso devia, mas não exemplifica justiça. Mostra que é possível vencer e perder independente das origens. Mas existem inúmeras condições que dificultam o segundo caso de ocorrer. E um aumento de impostos para os mais ricos não fará com que o primeiro caso aconteça mais frequentemente.
Essa crise, creio eu, só está intensificando problemas socio-economicos mundias que já existem há décadas, para não dizer séculos. O sistema em si criou essa situação. Como parte desse sistema, é importante que entendamos nosso papel e dentro dele o que podemos fazer para ajudar o sistema como um todo a andar para frente.
Não estou querendo pagar de santo e dizer que tenho as respostas, ou que tudo o que faço é para o bem maior. Meus amigos-leitores sabem que não é o caso. Mas essa visão de superioridade por posses me enoja. Graças a Colbert pude ver que não estou sozinho nesse sentimento, sobre o qual eu na verdade gostaria de estar redondamente enganado.
all along the yellow brick battlestar
Considerando que mencionei Battlestar Galactica neste blog diversas vezes, tenho a obrigação de falar sobre seu final. Diria até que estou atrasado. Se você nunca assistiu a série, peço que seja paciente e continue lendo, farei com que valha a pena. Se você já viu, tem boas chances de que foi por minha insistência, já que sou um grande evangelizador dessa série.
Eu amo essa parada
É difícil falar apenas do final e não dizer o quanto acho essa série incrível. Ron Moore, o produtor, salvou a ficção-científica pra mim (em termos pessoais). Resumindinho para os que ainda não viram: Em um lugar do espaço que não tem nada a ver com a nossa amada Terra, humanos vivem nas chamadas 12 colônias. Para facilitar a vida criaram robôs chamados Cylons, que a certo ponto se rebelam e vão embora. No dia em que voltam, de 12 planetas, 50 mil pessoas sobram em uma frota de naves em busca de um lugar para viver – lugar que muitos acreditam ser a Terra (apenas um mito). Recomendo também ler esse antigo post sobre a série.
Em uma época em que as referências culturais voltam no máximo à década de 70 é fácil apontar dedos e dizer que BSG está chupando idéias de Exterminador do Futuro, Blade Runner
, Star Trek
(na qual Moore trabalhou por muitos anos) e Star Wars
(2001
, Metrópolis
, alguém?). E na verdade está.
A BSG atual é o remake de uma série do final dos anos 70 e começo dos 80 que tentou pegar carona no sucesso de Star Wars e Star Trek, mas que se mostrou mais um caso de boa idéia desperdicada – em uma semana a raça humana era quase dizimada e na outra todos estão felizes jogando frescobol em um planetinha qualquer. A BSG atual não esconde suas inspirações, que vão desde os já mencionados até Bob Dylan, poesia,mitologia greco-romana
, cristianismo
, filosofia
, mormonismo
(que já estava fortemente presente na série original) a Queda da Bastilha
, o assassinato de Lee Oswald e muitas outras coisas que sequer me lembro. Galactica conseguiu juntar tudo isso em um pacote muito tentador, chamado de “ficção científica naturalista” em que exclue-se o papo técnico excessivo (Star Trek) ou mirabolâncias heróicas (Star Wars) e as substitui por tramas intrincadas que giram em torno dos personagens.
Em 5 anos (já que o Sci-Fi resolveu arrastar quatro temporadas o máximo possível) Ron Moore nos brindou com momentos memoráveis, intercalando ação fenomenal e visual bem planejado com momentos emotivos e intimistas guiados por excelentes interpretações – algo raro na ficção científica. Tricia Helfer, a gostosona Number 6, recebe a coroa de melhor modelo que virou atriz da história. Ela carregou o personagem mais misterioso de toda a série nas costas, criando momentos de tensão e riso ao mesmo tempo em que elaborava personalidades completamente díspares para outras cópias das personagens (sim, cylons tem muitas cópias). Edward James Olmos, Mary McDonnell e Dean Stockwell, atores da velha guarda, tornavam suas cenas emocionalmente carregadas e com um ritmo sensacional. O resto do elenco seguia essa liderança sem igual na televisão atual.
Apenas as séries Star Trek, Sete Palmos e Galactica conseguiram arrancar lágrimas da minha pessoa, e BSG o fez em uma cena sem falas – digo isso sem um pingo de vergonha.
Como já disse várias vezes Galactica tomou o manto de Star Trek no quesito alegorias. Terrorismo, direitos humanos, justiça, religião, preconceito, aborto, estupro, tolerância, genocídio e vários outras questões foram levantadas ao longo da série. E o melhor de tudo, ela não tenta trazer respostas, mas sim nos lembrar que existem perguntas. Nos faz olhar a nossa volta e refletir, as respostas não devem ser encontradas em uma série de TV, e sim na vida real.
Mas agora sobre o final propriamente dito.
Confesso que inicialmente não gostei dos flashbacks pré-ataque. Especialmente porque eles não estavam fazendo o menor sentido. Mas depois compreendi que eles eram importantes para fechar os ciclos dos personagens, embasar a trajetória deles até o derradeiro momento da série. Representam o nascimento da personagem que conhecemos durante esses quatro anos e da qual nos despedimos agora.
Uma série como Battlestar, cheia de mistérios e questões que muitas vezes trancendem o que estamos vendo na tela, não é fácil de colocar um ponto final. Mas ele veio na hora certa. Os balanços no barco durante a quarta temporada claramente mostraram que a fórmula não funcionaria por muito mais tempo. E terminou antes que desandasse completamente.
De fato não há como agradar todos quando o assunto é mistério. Sempre haverá aquele que dirá “poxa, mas eu queria que o fulano fosse o culpado” ou, para combinar mais com o tema “como assim o beltrano é cylon?”. Dito isso, achei ótimo que haja pontas soltas. Os flashbacks acabam servindo para reforçar a idéia de que o episódio será guiado pelos personagens. Nenhuma resposta mágica surgirá dos céus, você saberá tanto quanto essas pessoas diante de você, e nós aprendemos nesses quatro anos que mesmo as mais misteriosas são tão falhas quanto nós. Uma decisão geralmente tomada por séries dramáticas.
Além disso o episódio consegue resumir quase tudo que Galactica é: Uma busca por respostas pessoais e universais no meio de um tiroteio intergalactico impiedoso. As cenas de ação são obviamente de uma proporção jamais vista e ver a nave quase se esfacelando é ao mesmo tempo empolgante e triste, eletrizante e poético. Testemunhar centuriões de diferentes gerações se estapeando e personagens executando vinganças que consideramos justas beirou o êxtase. Como toda obra equilibrada, percebe-se que não há vitória sem sacrifício, mas que ele vale a pena.
Um tema central em Galactica é um dos temas centrais da vida: De onde viemos? Para onde vamos? Em BSG isso se manifesta na idéia de que vivemos em um constante ciclo, e o grande desafio é desvencilhar-se dele. Durante a série existe o antagonismo de duas visões religiosas distintas (mais o ateísmo). A mensagem no episódio final é de que, independente de acreditarmos em uma força toda-poderosa, somos nós que temos que tomar a atitude para quebrar o ciclo. Não podemos puxar a cortina para ver se há alguém atrás puxando controles, apenas caminhar pela estrada de tijolos amarelos e escolhermos nosso próprio caminho – e viver com nossas escolhas.
sussa, o inverso de temso
Com certeza você já viu circulando por ai as imagens do meme “temso / tenso / tenço”. Portanto eu proponho o oposto, o SUSSA. Para começar a brincadeira, usei essa foto da Aleferreira com o Fugita em um momento delicado.
Enjoy.






