nome próprio: uma porno-digitada

Começo declarando que não sou leitor de Clarah Averbuck, portanto não posso contrapor o filme Nome Próprio com suas obras, sejam os livros ou andanças digitais. Dito isso posso declarar com sinceridade que o filme é ruim.
Depois de uma seção cheia de carinhas conhecidas (pelo público e por mim) e desconhecidas (só por mim) nos dirigimos a um bar e o filme causou tão pouco impacto que demorou a surgir como assunto. É de minha opinião que um filme de impacto não pode esperar tanto tempo, seja ele sensacional ou uma grande porcaria. Nome próprio não é uma grande porcaria, mas que é ruim, isso é.
Em primeiro lugar, a personagem principal, Camila Lopes, é um saco. Não estou falando daquela conversa fiada de “não me identifiquei”, não preciso me identificar com um personagem para gostar dele. Camila é o tipo de personagem, que obviamente existe no mundo real, já encontrei alguns clones, que não me apetece. Concordo que isso pode ser um problema meu, e não do filme, mas considerando que o filme gira total e completamente em torno dela, fica difícil fazer uma análise objetiva.
Camila pertence à safra de adoradores de Bukowski. Filhinhos de papai que acham que a vida tem que ser muito muito louca; no melhor estilo Hunter Thompson estereotipado. Viajar muito, beber muito, transar muito e usar drogas muito. Tudo é muito, inclusive ser mala. Camila é uma mala sem alça e não posso deixar de simpatizar com todos os homens que a usam durante o filme; o triste é que no fundo mesmo é isso que ela quer.
Sua ânsia de escrever me parece sempre em segundo plano de suas loucurinhas. É uma desculpa esfarrapada para florear seus reais objetivos. Tanto que quando ela finalmente resolve escrever seu livro ela não escreve porra nenhuma, liga a picaretagem no último e manda ver. Nada de errado com isso, mas no caso de Camila saiu como hipocrisia.
Tecnicamente o filme tem seus altos e baixos. A atenção a alguns detalhes da produção são louváveis, especialmente no computador: como ela usar um sistema operacional de verdade, ter problemas de conexão, dar comandos reais no teclado e vários e-mails verossímeis. A perspectiva de dentro do monitor, mesmo que estilizada, foi um belo toque que poderia ter sido mais explorado como linguagem. Aatemporalidade foi interessante também, com tecnologias diferentes se misturando, não sei se foi intencional, mas gostei.
Já as outras personagens não possuem qualquer profundidade. Temos a amiga louquinha reprimida, a amiga conservadora que deu certo na vida, o chifrudo, o pai tosco e é claro, o nerd. Com certeza o que irá causar maior revolta. É um sujeito feio, com cara de bobo que usa óculos, tem um Nintendo 64 e aplica um “boa noite cinderella” light. Para os paranóicos a mensagem fica: “Nerds são tarados perigosos”.
Já os intermináveis momentos em que textos surgiam na tela ao som de teclas batendo dessincronizadas com o ritmo de Leandra Leal foram de uma pobreza impar. Misturar letras e imagens é uma arte delicada. Bons quadrinhistas sabem que uma deve complementar a outra, que não farão o menor sentido sozinhas. Isso vale para qualquer meio que for aplicar essa combinação. E ter a atriz teclando com o que ela escreve estampado na tela não acrescenta em nada. Se não é possível buscar imagens que complementem as palavras, coloque então as palavras num fundo preto e me poupe do barulinho chato. O poder das duas formas de comunicação ficou completamente diluído.
Com várias cenas longas demais os outros aspectos técnicos como fotografia, iluminação e edição são problemáticos. Não desmereço o esforço dos envolvidos, não sei as circunstâncias em que o filme foi produzido, mas quando há poucos recursos, a dificuldade de ser bem-sucedido é dobrada.
O ponto positivo é Leandra Leal, que apesar de ter que carregar uma mala ao longo do filme, mostra que é capaz de explorar vários estados emocionais e situações físicas. E que situações, ela fica pelada por boa parte do filme e transa muito. Na mesa do bar até questionamos se não houve uma ação real.
A sinopse do filme para mim é: Camila Lopes é uma garota acabou de ser chutada de casa depois de trair o namorado. Ela entra em um mundo de cerveja quente, anfetaminas e muita putaria. Com uma boca suja de dar vergonha, ela deposita sua mente em um blog. Ou seja, é uma pornô-chanchada com um vocabulário mais amplo.


Maio 12, 2008 às01:27 []
Faaaala Mafra.
Vou copiar o comentário que fiz no blog da Lu porque estou morrendo de peguiça de escrever a mesma coisa de forma diferente! =O)
“Pois é, Lu. Eu gostei de coisas do filme. Principalmente da Leandra Leal pelada. Acho que só.
Concordo com o Mafra que a Camila é chata. Muito chata. E a cena dela (bêbada) com o carinha de Ribeirão Preto concorre para a cena mais maleta da história do cinema nacional. Ever!
Ah! gostei de ver os blogueiros lá também.
Beijofuidormirqueamanhãédiadetrampo”
Maio 12, 2008 às11:01 []
[...] para blogueiros e personagens “midiáticos”. Dessa galera, só vi comentários aqui e aqui. [...]
Maio 12, 2008 às12:05 []
[...] a Lu Freitas falou, o Mafra idem e até o Zander, eu também não gostei do filme. Concordo com o Markun quando, depois do [...]
Maio 12, 2008 às12:20 []
Leandra Leal pelada = vou ver o filme. Mas o que eu espero ver é só a Leandra Leal pelada mesmo. O livro da Clarah é muito inferior ao antigo blog dela (não leio o atual, portanto não sei se melhorou ou piorou), e como adaptações para o cinema geralmente são piores que o original, não espero muito do filme mesmo.
A não ser – é bom frisar – a Leandra Leal. Pelada.
Maio 12, 2008 às16:52 []
é isso ae
Maio 12, 2008 às18:22 []
[...] Fernando Mafra e suas impressões ácidas [...]
Maio 24, 2008 às13:27 []
[...] fechada para blogueiros e personagens “midiáticos”. Dessa galera, só vi comentários aqui e aqui. [...]
Outubro 1, 2008 às09:34 []
Pois é!
Eu leio a Clarah as vezes, tenho um blog/flog que leva meu nome e alguns gatos pingados vão lá ler sem deixar rastros. Queria ter ‘podido’ conferir este filme com outras pessoas tbm que se manifestam pela web através de blogs, e depois da sessão tomar um café!
Enfim, o filme até que é bonzinho porque a Leandra tava bem nele falando puto toda hora e esfregando a parede com bucha skote brite (alguém dá uma palha de aço para essa menina? rs) E além disso toda aquela manguaça se deve pelo fato da Clarah ter vivido aquilo na íntegra…. e para mim não adianta ela falar que a Camilla não é Clarh porque pra mim é e finish de papo!
Dezembro 24, 2008 às02:54 []
eu tenho muita vontade de assistir a esse filme.não pela qualidade,que eu já imaginei que não tivesse tanta assim,mas fico curioso com essas histórias de porra-loucas,babacas,drogadas,que escrevem(vide mayra dias gomes,clarah averbuck).acho engraçado,por vezes me identifico um pouco!