Archive for October, 2007
por uma vida mais web 2.0
Se meus amigos lessem esse blog ao invés de ficarem me perguntando as coisas eu não teria que digitar as mesmas coisas um zilhão de vezes no messenger. Isso é especialmente irritante quando estou tentando me concentrar em escrever para postar aqui e no overmundo sobre justamente o que estão me perguntando.
O Ano do Peixe – 31ª Mostra de Cinema de SP
Acabei perdendo cerca de 20 minutos do início do filme, portanto podem considerar minha opinião incompleta. Mesmo assim consegui pegá-lo em um ponto aceitável para compreendê-lo e envolver-me.
Ao perceber que se trata basicamente da história de Cinderella em Chinatown, achei que estava fazendo algum tipo de descoberta – mas é isso que dá não ler a sinopse direito, já que isso está claramente explícito nela.
O filme utiliza uma técnica de rotoscopia digital semelhante à de “O Homem Duplo” e “Waking Life“, não com o mesmo efeito cartunesco, mas numa tentativa de aproximar-se de uma pintura impressionista. Mas o resultado ainda é parecido, ainda mais considerando o tom de fábula da história, que quase a coloca como um quadrinho de Neil Gaiman.
Ye Xian é uma imigrante sofrida que padece nas mãos de uma chefe cruel, e atravéz de encontros fugazes com Johnny e figuras bizarras nas ruas de Nova Yorque consegue encontrar um fio de esperança para sua situação. Seu único amigo é um peixe mágico que cresce demais para seu próprio bem.
A trilha sonora é exagerada em alguns momentos, assim como a narração ao final do filme – nos beneficiaríamos com algo mais sutil. Mas o filme não tenta mascarar seu positivismo em momento algum, assumindo o que é: quase infantil. Um dos pontos positivos é ver diversos atores orientais que estamos acostumados a ver como coadjuvantes em produções hollywoodianas como os protagonistas da história.
Acabei por dar 4 em 5, mas ainda estou na dúvida se vale tanto. É provável, mas considerando que não vi o filme todo deveria ter me abstido.
Perdido em Pequim – 31ª Mostra de Cinema de SP
Tenho dificuldades para escrever quando um filme é mais ou menos. Se ele é o máximo ou um desastre completo eu me esbaldo, mas no caso de Perdido em Pequim acabo ficando em cima do muro – e em se tratando da Mostra, acabo sempre em dúvida se a culpa é minha ou do filme – a sorte é que pude conferir com amigos independentes e no caso é culpa do filme mesmo.
Na verdade o filme é bom, competente. Mas não é imperdível, se você tem outro do qual está mais seguro para ver, não vale a pena mudar os planos. O mesmo que eu diria sobre O Ano do Peixe, mas aquele tem um toque a mais que o diferencia.
Uma produção bem feita, com boa história e performances muito boas, Perdido em Pequim tem tudo para ser um filmaço. Mas acaba se perdendo em sua própria narrativa, criando armadilhas para si mesmo na trama – especialmente no último terço do filme, que poderia ser completamente diferente, mais simples e mais curto, dando muito mais impacto.
Vale como um retrato da China atual, muito mais competente do que Solstício de Verão, mas ainda inferior à Dumplings. O contraste entre a classe emergente a aqueles que lutam para sair dos cortiços, e à confusão de valores que isso acarreta são temas poderosos que poderiam diferenciar este drama com toques de comédia incidental.
Eu digo, assistam, mas não percam Dumplings: Nota 3 em 5.
Solstício de Verão – 31ª Mostra de Cinema de SP
Primeiro exemplar do meu chamado “Dia do Dragão“. Apesar de o Marcos e o Kawano estarem na mesma seção não assisti ao filme exatamente com eles, pois fui o único que entrou na sala no horário.
Começo dizendo que a cópia estava um lixo, a pior cópia que já vi na Mostra ou em qualquer cinema em toda a minha vida. Partindo daí o filme não se esforçou muito para elevar a qualidade dessa experiência decepcionante. As limitações de tempo e orçamentárias são visíveis, mas em princípio eu não considero isso um defeito, a questão é que como Robert Rodriguez diz: Quando não se tem recursos é preciso compensar com mais criatividade e inventividade – qualidades em falta neste filme.
A história tem um potencial incrível, mostrando as dificuldades da China contemporânea, e que o lema de “New York, New York” na verdade se aplica aqui: If you can make it there, you’ll make it anywhere. E no caso nenhum dos personagens é capaz de “make it” – um paralelo do próprio filme. Confesso que até agora não entendi se é inspirada em fatos reais, nenhuma informação que encontrei sobre o filme na web diz isso, mas uma legenda ao final dá esse tom.
A edição e o som são sofríveis, em especial no final do filme, a trilha sonoroa é totalmente ausente e as atuações são bestas. O único apelo que o filme tem está na pequena LiuXiao, que infelizmente é sub-aproveitada. Durante a meia-hora final estava considerando fugir do filme, especialmente porque já estava atrasado para o filme seguinte (calculei errado a duração deste), e só não o fiz pois estava sentado ao centro da fileira e acabaria atrapalhando outros espectadores.
O ponto mais baixo da mostra até agora: nota 2 em 5.
agenda
Com o Palm ainda debilitado estou usando outra ferramenta para organizar meus desejos cinematográficos, Google Calendar, totalmente web2.0. E os disponibilizo à vocês. Observem que onde há intersecções entre filmes é onde eu tenho que tomar decisões difíceis, algumas já foram tomadas, outras não.