Archive for July, 2007
as coisas que você possui acabam possuindo você
Clube da Luta é mesmo um filme sensacional. E pretendo ler o livro eventualmente, mas para isso meu marasmo literário tem que ter passado há um bom tempo (e isso é outro problema). Lembro há um tempo atrás que o filme era uma febre entre meus conhecidos, todo mundo falava dele, e o quão incrível é.
Mas o que sempre me fascinou é como a maioria das pessoas que gosta do filme não entende do que o filme está falando. Claro que eu posso estar enganado quanto à minha interpretação, pode ser que como no caso de Tyler Durden, Clube da Luta se passe por uma coisa para falar de outra tão obscura que apenas um grupo muito seleto seria capaz de compreender.
O problema é que eles adorariam pagar R$50,00 em uma barra de sabão de plástico escrito “clube da luta” ou mesmo sabonetes de verdade da Paper St. Soap Company por R$20 ou mais a barra.
Calvin Klein, DKNY, IKEA, Macintosh, Microsoft, Starbucks, VISA, MasterCard, New Beetle; são todos símbolos que o filme destrói especificamente, entretanto muitos de seus fãs ainda os perseguem com afinco. Como se ter Windows Vista instalado no computador irá torná-los iluminados.
“Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar coisas que não precisamos” é uma citação direta de Tyler. Quantas pessoas você conhece que odeiam seus chefes e em seguida dizem “Mas está tudo bem, comprei um celular com câmera agora.” Concordo que as coisas não são tão simples quanto Tyler diz, e que muitas vezes é necessário ceder à máquina e escapar um pouco da banalidade da vida com aquisições fúteis; eu faço isso também, somos todos humanos afinal. Só não podemos fazer do escapismo uma dependência, e depois rotina.
É como a cena de Maria Antonieta em que a personagem título está experimentando sapatos e entre eles há um Converse All-Star (que eu não vi
). Todo que tem all-stars achou esse detalhe absolutamente sensacional, não pelo que Sofia Coppola estava tentando mostrar, mas porque Maria Antonieta tinha um All-Star.
No fim das contas, acho que o principal é saber o que estamos fazendo, porque estamos fazendo e se não é aquilo que queremos fazer, agir para equilibrar a balança. Senão torna-se apenas inércia.
Cada vez mais percebo o quanto as pessoas desvalorizam relações e atitudes que não tenham um valor monetário envolvido. Se você faz algo apenas por fazer ou por amor, costuma ser questionado.
Lembro de uma semana em que trabalhei na campanha para uma operadora de celular, promovendo um “artista” musical que desprezo. No sábado seguinte participei de uma manifestação bem-humorada diante de uma de suas lojas. Fiz a campanha para ganhar meu salário e comprar DVDs, e fiz a manifestação para comprar minha alma de volta. Preciso de mais semanas desse tipo.
quem vai me levar?
Searchin’ for fun
Where do you go?
Got your leather boots on
What do you know?
And they’re playing garbage on the radio
Enter the dark
You wanna run
Enter the night
Where nobody knows you
Where the boys are and everybody’s high
If enough is never enough
And you’re down at heart
If the world is getting you down
Then come with us
If enough is never enough
And you’re down at heart
If the world is getting you down
Then come with us
Back to the bar
Where the place is slamming
All the pretty queens and the sluts are dancin’
And the conscience of politcians sly
All sweat and lust and filthy habits
All the wannabes are going to sell their package
At the carnival of lonely broken hearts
If enough is never enough
And you’re down at heart
If the world is getting you down
Then come with us
If enough is never enough
And you’re down at heart
If the world is getting you down
Then come with us
If enough is never enough
And you’re down at heart
If the world is getting you down
Then come with us
Come with us
Come with us
Come with us
Come with us
seja gentil com estranhos
Na estação Consolação, indo para casa com o Bruno e o Fábio, um deles reparou que sentada do lado de fora da escada rolante de acesso à estação, ao lado do vidro, estavam duas meninas “dando oi” para quem descia pela escada.
Descrentes eu e o Fábio voltamos para conferir. De fato estavam lá, duas meninas de uns 15 anos no máximo, segurando uma plaquinha dizendo “oiê”. Nós demos um tchauzinho que foi correspondido com outro tchauzinho e dois largos sorrisos.
Não sei nem dizer o quão legal achei isso.
aula de cinema 2: como fazer um filme de ação – transformers
Há muito imagino para mim mesmo que filmes, quadrinhos e livros dariam bons filmes. Mas uma franquia que jamais tinha fantasiado sobre é Transformers. Nunca parei para pensar no assunto, mas imagino que seja devido à complexidade de convencer em live-action com uma história a respeito de robôs extra-terrestres que se transormam em carros.
Agora dê um passo para trás e imagine esses três elementos:
- Extra-terrestres
- Robôs
- Carros
Existe algo mais legal do que um carro que vira um robô?!!!!
Claro que não! Por isso fazer um filme sobre os transformers é absolutamente genial. Mas a responsabilidade que mencionei acima permanece.
Pois quando o filme foi anunciado irei registrar aqui que achei a escolha de Michael Bay corretíssima, pra não dizer excelente. As pessoas me olham tortoa quando falo qualquer coisa boa a respeito desse sujeito, e irei me explicar: Os filmes dos Bad Boys são divertidos; acho “A Rocha” um ótimo filme de ação e “A Ilha” é um guilty pleasure total (pelas seqüências de ação, o visual futurista e a Scarlett Johansson - totalmente compreensível, vai).
Querendo ou não o cara sabe criar ótimas seqûências de ação com um toque de bom humor inocente e algumas referências à cultura pop. O que falta nele é: Ser comedido, ser modesto, tato dramático e construir tramas inteligentes. E esses defeitos ficam claros em seus filmes mais ambiciosos (incluindo “A Ilha”
.
É aí que entra Steven Spielberg, um ótimo produtor – que em algum grau concorda comigo, pois ele escolheu Michael Bay. Afinal, para que diabos precisamos ser comedidos quando estamos falando de Robôs que se transformam em carros?!
Assim combinamos a máquina que é Bay, com toda sua frieza, e o coração mole de Spielberg para um filme sensacional, de ação non-stop e muito bom-humor.
A partir do momento em que você convence sua platéia de que um carro pode se transformar em um robô inteligente e com emoções, nada mais é proibido. Acho que o último filme que aguardei com tamanha expectativa e fui correspondido foi “A Sociedade do Anel”. Transformers me transformou em um adolescente novamente, como o personagem principal; um nerd louco para arrumar um carro e assim conseguir a garota.
E a novidade fica por conta dos humanos, já que a história do filme não tem segredo algum e deve ter sido decidida em uma reunião de 15 minutos. O pitaco de Bay fica claro no lado militar da coisa, cheio dos jargões, protocolos e testosterona exacerbada; e o de Spielberg também, com o garoto empolgado e ao mesmo tempo petrificado ao descobrir que seu primeiro carro é um Transformer.
Há um ritmo bom, e em termos de narrativa a primeira seqüência do filme foi uma decisão muito inteligente (mesmo que com uma veia marketeira). Temos diversas referências á detalhes que só os fãs irão captar, bem como à outros aspectos da cultura pop. Há sim escorregões em alguns momentos, como cenas que duram demais e outras que faltaram (meu amigo sugeriu uma excelente que não podia mesmo faltar) mas nada comprometedor. Nem vou falar dos efeitos pois seria covardia, por isso preste atenção nos efeitos sonoros, que são excelentes. Confesso que não prestei muita atenção na trilha sonora, mas a música durante os créditos é um lixo.
Um detalhe interessante de Transformers é que seu poster não leva o nome de nenhum ator, você ira assistir aos Transformers. Para aqueles que se importam com isso, como eu, há vários rostos e nomes para reconhecer; para os fãs há várias referências às séries de desenho; e para os que querem algo mais, tem humor na dose certa e muita simpatia tanto dos humanos quanto dos Autobots.
De qualquer maneira, basta prestar atenção no carinha correndo com a câmera que diz: “Nossa, muito mais legal que Armageddon” – Pode repitir isso vezes mil. Mesmo sendo estruturalmente simples, é um prazer inocente assistir ao filme, Transformers é “more then meets the eye”.
aula de cinema 1: como não fazer um filme de ação – quarteto fantástico e o surfista prateado
Quando um filme ganha os tubos de dinheiro na estréia e na semana seguinte tem uma queda de 60% na renda, é sinal de algo muito simples: Ele não fez jus à antecipação.
Quarteto Fantástico 2 é assim. O filme é basicamente um saco. Se você achou o primeiro um filme fraco, vai querer se matar assistindo ao segundo. E aviso: A presença do Surfista não vale o preço do ingresso.
O filme se sustenta basicamente nas piadinhas estilo sitcom ruim que permeiam o filme inteiro, e são na verdade sua única constante. Elas são divertidas nos primeiros 10 minutos, mas depois da ponta de Stan Lee (que é a única coisa inteligente do filme) elas cansam, e muito.
O roteiro é risível, a tentativa descarada de mostrar uma tragetória “engrandecedora” nos personagens é mais uma piada de tão óbvia; tanto que só faltava ao final do filme aparecer o Gorpo ou o Mentor dando a lição de moral do dia. As explicações pseudo-científicas dadas para justificar o Surfista e Galactus são piores do que o technobable de um episódio ruim de Voyager. E como se não bastasse ainda temos um close ridículo no símbolo da Dodge quando surge o Fantasticarro.
Aliás, o Fantasticarro: Que merda. Se os executivos do estúdio não quiseram colocar Galactus em sua forma original dos quadrinhos pois pareceria bobo, qual a justificativa para o Fantasticarro? – Ah, eu mesmo respondi.
Falando em carros, a ação é besta. Quando você pensa que vai ver uma seqüência absurda, ela acaba no instante seguinte, e logo em seguida vem uma piadinha fora de lugar. Os efeitos especiais são competentes, especialmente para o Surfista, mas algumas seqüências pecam inexplicavelmente.
A presença e (falta de) lógica no raciocínio do Dr. Destino são um desserviço ao personagem. E o pobre Surfista (a verdadeira razão d’eu ter ido ao cinema) mal fala e não toma decisão alguma, ele é apenas uma ferramenta na mão dos outros imbecis personagens.
Eu até agora estou mesmo é embasbacado com a falta de coerência de um roteiro tão chinfrim.
