O universo literário nacional está balançadinho por conta do tal projeto Amores Expressos. Para quem está por fora vou resumir: Enviar 16 escritores para 16 cidades do mundo, e de lá devem voltar com histórias de amor que serão publicadas pela companhia das letras.
O projeto é de Rodrigo Teixeira, que usou a lei de incentivo à cultura para angariar fundos, e para quem também não sabe: Com ela empresas patrocinam projetos culturais e ganham abate do imposto de renda. Em essência os contribuintes subsidiam projetos culturais dos quais não necessariamente tirarão proveito, e em muitos casos têm que pagar de novo para tirar proveito.
Tem vários escritores (todos não convidados para o projeto) achando tudo um absurdo, acusando de abuso e de panelinha, falando que os idealizadores só chamaram os amiguinhos. Mas não é assim? Quando você vai realizar qualquer projeto você vai chamar quem? Os caça-fantasmas? Vai fazer concurso público pra selecionar o cenografista do seu filme? Ou o curador da sua mostra? Não! Você convida alguém cujo trabalho conhece e confia e pronto! Sua obrigação dentro da lei é prestar contas. Enquanto isso estiver sendo feito eu não estou vendo nada de absurdo.
O que eu acho um absurdo são pessoas como Guilherme Fontes que usurpam milhões e não produzem nada! O que eu quero é ver Amores Expressos nas prateleiras!
Agora, a outra discussão que deveria haver é justamente o que falei: Nós pagamos duas vezes! Assim como patrocinar um projeto abate imposto de uma empresa, eu deveria poder mostrar meu IPVA na bilheteria e ver o filme de graça! Enquanto não tivermos QUALQUER industria cultural solidificada seguiremos assim, pagando tudo duas vezes.