Archive for August, 2005
ch-ch-changes
Quando Lula foi eleito, escrevi um texto para o defunto 6emeia sobre o qual recebi um feedback de uma conhecida que eu até hoje digo que não entendeu patavinas do que eu estava querendo dizer.
Lembro, que dentre outras coisas, criticava o chavão “tem que mudar” que as pessoas defendendo sua eleição usavam à exaustão. E eu questionava: Mudar o quê? E ninguém me respondeu ao certo.
Agora, com todo esse escânda-lo eu perguntou: Mudou?
gen
Todo esse papo de bomba pode ser bastante desgastante. Cheguei a me sentir mal com uma das respostas que tive, pensei até em apagar meu posta atômico. Mas nunca achei certo isso, o que foi dito foi dito, mesmo que se retrate depois, é parte da evolução do pensamento (por isso sempre achei ridículo quando alguem zera o blog ou fotolog).
É tudo mesmo uma questão de honra, seguindo o bushido, você deve se responsabilizar por aquilo que fez.
Não sou militar, não tenho nenhum parente militar, nem algum parente que tenha vivido a guerra.
Taopouco sou Japonês, aliás, como já falei, não tenho nenhuma herança histórica clara, embora eu tenha algumas vezes estabelecer conexões com meus antepassados. E já choraminguei por conta das minhas questãoes de falta de identidade.
Mas foi justamente no Japão que encontrei um lugar que admiro, com todas as suas belezas e defeitos, a história, a arquitetura, o povo, a cultura, a comida e a língua, tudo me atrai. E eu sempre tive um enorme respeito por eles. Não é a toa que quero tanto ir pra lá e compreender exatamente como eles funcionam e o que é de fato ser um japones (algo que jamais serei, e tenho plena consciência disso antes que me chamem de louco).
O que quero dizer é que eu de fato fiz uma análise fria dos eventos, pois tenho uma certa curiosidade com relação à estratégias de guerra, e acho a segunda guerra mundial um assunto fascinante e multidisciplinar. Não a endosso, mas não viro a cabeça para ela.
Eu entendo o horror, nunca cheguei perto de algo assim, e muito menos quero. Mas já vi relatos, vídeos e fotos demonstrando bem o que de fato deve sentir alguém nessa situação: desespero. Foi de fato algo horrível, e que seja assim, algo sempre no passado.
o dia seguinte
Bem, vendo a reação do Marcos (e nossa posterior discussão) gostaria de deixar algumas coisinhas claras para que não haja um maior número de desentendimentos:
Não acho a bomba uma coisa bonitinha, e também não acho que os EUA a lançaram por compaixão. Se exibir e amedrontar a URSS talvez seja conspiratório demais, embora bastante possível, mas de fato creio que, além de economizar vidas de soldados perdidas em uma eventual invasão, lançar a bomba foi uma real maneira de testá-la, e compreender todos os seus efeitos.
Como eu falei, era outra guerra, e outros tempos. E o peso da guerra no Japão pesava sobre uma população que pouco ou nada podia fazer, apenas sofrer. Claro que houve um sofrimento gigantesco por parte de quem teve contato com a bomba, e fico deprimido quase ao ponto de chorar de pensar no horror que deve ser passar por isso.
Naturalmente, a história é escrita pelos vencedores, e como o próprio Robert McNamara disse, ele muito bem podia ter sido julgado e condenado em um tribunal de guerra pelas decisões que tomou, só não foi pois estava do lado vencedor. Na guerra, algo terrível, até o seu final vem com um gosto amargo.
A bomba não é algo fofo e legal. Eu apenas quis colocar o acontecimento em perspectiva e ver o que aconteceu depois dele: Rendição japonesa; ocupação americana; reforma no sistema de governo japones; renúncia à guerra; renascimento nipônico. Outras decisões poderiam ter o mesmo resultado, claro, mas estou tentando olhar para o que de fato aconteceu.
Bom, não sou o único que pensa dessa maneira, e tem vários que discordam. Que venham os debates!
necessary evil
Este era o nome do avião, que junto com o Enola Gay e The Great Artiste partiu para a cidade de Horoshima em 6 de Agosto de 1945.
Não sei se foi intencional, mas é uma ironia do destino que tal avião, que foi o responsável por tirar as fotos da missão, tenha participado desse evento que, em minha opinião foi de fato um mal necessário.
Com as “comemorações” dos 60 anos da queda da bomba em Hiroshima, acabei pensando mais no assunto do que de costume. Todos são contra o uso de armas nucleares e tudo o mais, e eu me incluo entre eles. Mas a guerra no pacífico foi em uma outra época, e carregava outro peso.
É fácil apontar o dedo aos EUA e xingá-lo por resolver destruir duas cidades em um estalo de dedos (sendo que na verdade havia mais cidades na “lista negra”, embora Tokyo e Kyoto estivessem de fora). Mas não imagino que tenha sido uma decisão fácil.
Guerra é guerra, e independente do motivo pelo qual se está nela, queremos vencer. O fato é que o Japão realmente não estava lutando por uma causa justa; como a Alemanha, queria anexar novos territórios, e se livrar de pessoas indesejadas (como koreanos e chineses); e ele de fato começou a guerra (não vou começar outro papo polêmico incluindo Pearl Harbour aqui).
Mas o que sempre eu quis saber a respeito da segunda guerra é como o povo alemão vivia e pensava. Como será que eles lidavam com aquela idéia colocada pelos seus governantes? Eles concordavam de fato? Como era o dia a dia da guerra? E a mesma dúvida pairava sobre mim quanto ao Japão. O que ajudou a sanar isso foi justamante Gen (cuja segunda parte li recentemente). A guerra no Japão foi uma decisão arbitraria, militar e imperial, o povo pouco ou nada podia fazer a respeito. Na verdade, a guerra custou muito ao povo japones, que seguia e venerava cegamente seu imperador e quem ousava questioná-lo sofria graves conseqüências, um panorama que compreendi graças à primeira parte de Gen, que lida com os dias antecedentes à queda da bomba.
A segunda parte, que mostra o dia seguinte, é ainda mais triste do que a primeira. Vemos o desespero e desolação da cidade depois de um ataque mosntruoso sobre o qual não houve aviso e mal se entendia.
Mas o Japão já estava perdendo a guerra, e ia com certeza perdâ-la. Não havia maneiras de sobreviver na frente russa e americana simultaneamente, e uma invasão da ilha acabaria em mais derramamento de sangue. Os militares não estavam interessados em um Japão melhor ou no bem estar da população, eles seguiam cegamente o bushido (caminho do guerreiro) e não queriam entregar a guerra; colocando inclusive uma perspectiva otimista demais no caso de uma invasão.
O fato é que mesmo com algum movimento civil pedindo o fim da guerra, o Japão não iria recuar até que o último homem estivesse em pé. Então os EUA decidiu dar um chega pra lá atômico e mostrar que eles tinham a maneira definitiva de acabar com a guerra, e que ela não seria bonita.
Claro que podemos pensar “e se”, talves uma invasão não tivesse as mesmas conseqüências desastrosas que as bombas (sendo a mais visível dela os efeitos de envenenamento radioativo). Mas a vida, e a guerra não são feitas disso, são decisões absurdas e calculadas. Vendo um outro documentário, sobre Robert McNamara, vi sua participação em calculos de eficiência nos bombardeios sobre o Japão, a precisão dos números eram assustadoras, e na verdade os bombardeios convencionais e incendiários mataram muito mais gente que as duas bombas. A grande diferença é que sem as explosões, o conflito se arrastaria ainda mais, desgastando um povo já sofrido.
A bomba não é bonita, mas nem era a situação interna do Japão. E hoje ele é um exemplo, sendo o único país a sofrer esse tipo de ataque, ele deu a volta por cima, voltou o orgulho nacional para dentro de si para se reerguer e coloca em perspectiva os resultados da guerra como uma maneira de ver o futuro que não quer para si.
RESET
bond wheels
Já imaginaram o James Bond andando nisso?

Graças a um boato, agora eu já imaginei. Só que eu não quero é ver!