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Arquivos de Abril, 2005

the return

Segunda-feira, Abril 25th, 2005

Estou em São Paulo. Mas só até quinta de manhã, sem tempo pra fazer muita (ou qualquer coisa). Vim primordialmente pro show do Placebo, mas aproveitei pra ver a família, adiantar uns trabalhinhos paralelos e fazer coisas chatas como ir no dentista.

moeda: portal para…

Quarta-feira, Abril 20th, 2005

Apesar do conto macabro do Bruno, tudo em Moeda correu tranqüilamente. Nenhum acidente, morte ou névoa roxa por enquanto. O maior incômodo foram apenas os carrapatos, e minha maior cagada foi ter esquecido o tripé dentro da caminhonete no segundo dia de trabalho de campo.

Mas gostei bastante, se continuar nesse mesmo ritmo e clima, o trabalho vai ser mesmo muito bom. Pena que esqueci de trazer os filmes que terminei para revelar e ter uma idéia do trabalho que já foi feito. Os lugares e as descobertas são legais, acho que consegui tirar algumas fotos interessantes e criar soluções boas para situações adversas (afinal, é um trabalho de registro, não de arte, mas mesmo assim, tem que ficar com uma cara legal).

O dia começa as 5:45. Faço um alongamento muito necessário e vou tomar café com o resto do povo. Então todos se aprontam, pegam o equipamento, montamos na caminhonete e seguimos viagem. Os dois primeiros dias oficias foram dentro de uma mata mais fechada, o que é mais chato em vários sentidos. Mosquitos, carrapatos, cipós, pedras cheias de limo que escorregam, pouca luz para fotografar, essas coisas. Já no terceiro (e último dia desse bloco) a equipe se dividiu em três, eu passei metade na mesma mata, e depois fui até uma mina na encosta de uma montanha light. O desafio fotográfico foi registrar a textura interna da mina apenas iluminando-a com duas lanternas, quero só ver no que vai dar… Depois de cada dia, voltamos por volta das 4:30 da tarde, tomamos banho e jantamos e cada um faz o que quer (ou o que precisa, como limpar equipamentos, analizar fichas e ler mapas).

E essa é a rotina. Semana que vem vou pra SP super rápido pro show do Placebo. E esse feriado não vai rolar serviço em Moeda, vou poder descansar dos mosquitos. Mas na outra quinta, logo que voltar de SP tem que correr pra lá pois na sexta tenho que estar de pé antes do sol aparecer.

E também me mudei. O André foi para sua casa nova que é bem longe de centro (ou de qualquer pedaço da cidade), então vim para o apartamento da Bianca e do Ícaro, é minha primeira noite aqui, vamos ver como nos saímos como coleguinhas.

all good things…

Quarta-feira, Abril 13th, 2005

Um post baranguinho pra vocês:

Existem muitos inícios e fins durante a vida. Todos passam por vários, e cada um deles tem sua relevância, podendo ou não gerar sentimentos ou até deixar marcas.

O fim de um namoro, da vida de um parente ou grande amigo, uma mudança de casa ou cidade, o sumiço de um amigo, o final de um bom filme ou de uma ótima barra de chocolate.

Há aqueles finais que sequer percebemos, como quando perdemos contato gradualmente com alguém, e só depois de refletir um pouco nota que algo está faltando. E há os mais pronunciados, que gritam por atenção e são bem fáceis de notar.

Tudo que é bom deixa saudade. E no ponto de virada é comum uma mistura de sentimentos como melancolia, esperança, empolgação e medo.

E mais uma pequena era terminou: O apartamento do André foi esvasiado hoje, só ficaram algumas tralhas do projeto e minhas, e outras do André que ele vai levar depois.

Não mais estarei dividindo o mesmo teto com o André e o Alastair. Nada de praticar o Inglês diariamente e ter diferentes graus de papo com seus amigos. Morar com amigos se mostrou muito saudável pra mim, espero repetir a experiência (na verdade estou indo pra casa de dois outros amigos, Bianca e Ícaro, e sei que vai massa) e recomendo para todos.

E é isso. O super point que era a casa do André chegou à um fim. Tudo está espalhado por BH novamente, não há mais uma base.

Até eu arrumar meu cafofo, né?

indiana

Terça-feira, Abril 12th, 2005

Talvez eu não tenha falado o suficiente sobre minha razão de estar em Minas. O projeto acabou demorando bem mais pra começar, mas depois de amanhã vou fazer um curso de primeiros socorros e então partirei direto pra Moeda, onde viverei metade da semana pelos próximos dois meses.

Aos que não sabem, a casa do André deixará de ser minha morada Belo Horizontina. Como ele está indo pro Estância Serrana, que é bem longe do centro e ruim demais de pegar onibus, terei que me realocar. Se tudo correr como planejado, em uma semana serei inquilino da Bianca e do Ícaro.

Mas voltando ao projeto. Será uma prospecção, repito, prospecção, e não uma escavação como muitos pensam. Como aprendi, arqueologia não é apenas cavar buracos (ou matar nazistas e lobos) é preciso saber onde cavar (como petróleo, apesar do Maluf não entender esse conceito). A prospecção serve justamente para cobrir uma determinada área onde, através de relatos históricos e achados em outros sítios, imagina-se que haja bons locais para sítios, e então localizar exatamente onde estão esses futuros sítios, para então escavar.

Eu acho que vai ser bem legal. Somos uma equipe com pessoas de diferentes formações e com diferentes funções. Uma listagem:

André, Arqueólogo. Diretor do projeto.
Alastair, Arqueólog. Co-Diretor do projeto e gringo de plantão.
Eu!, Designer. Acumulo as funções de fotógrafo, cinegrafista e designer.
Daniele “Dani”, Arquiteta. Responsável pelos Croquis.
Ricardo “Tala”, fotógrafo. Abandonou o posto da fotografia, que eu assumi, e é o Administrador. Cuida de toda a burocracia, gastos e supervisão geral.
Reginaldo “Regis”, Historiador. Responsável pela parte de historiografia.
“Gó”, Estudante de Turismo. Faz-tudo, será nossa mãe, faz o leva e traz, cuida dos equipamentos, suprimentos e alimentação.

Todos também irão observar e catalogar de acordo todas as ocorrências cabíveis. Eu achei bem interessante e promissora essa combinação. Parece até coisa de filme de ficção científica tipo Esfera, O Enigma de Andrômeda e aquela porcaria de Núcleo.

De qualquer jeito me parece que todos tem bastante liberdade e autonomia para contribuirem da maneira que for ao projeto. E eu particularmente terei bastante responsabilidades, talvez o máximo que já tenha tido em minha vida profissional, mas estranhamente não estou nem um pouco assustado, justamente porque o clima até agora foi muito amigável (afinal o André é um amigo de longa data) e de bastante confiança e cooperação.

semi-sweet and nuts

Segunda-feira, Abril 11th, 2005


“chewing gum is realy gross chewing gum, i hate the most”